Tracking poll, dia 7, 2.ª volta: Seguro cai, indecisos sobem. Brancos e nulos disparam para quase 10%, o que pode beneficiar Ventura

2 fev, 20:38
António José Seguro André Ventura mosaico

Desde o debate com Ventura que Seguro está em queda: perdeu cerca de oito pontos percentuais desde então. Ventura está estável, mas poderá beneficiar de abstenção e Brancos e Nulos, cujo nível de intenção duplicou desde o debate, aproximando-se de uns inéditos dois dígitos. Faltam seis dias para as eleições

Se as eleições fossem hoje, António José Seguro venceria com 53,6% dos votos, acima dos 27,9% dos que tencionam votar em André Ventura. Estes valores são antes de distribuição de indecisos, cujo nível subiu para 8,6%. Mas outro valor subiu - e muito: o de intenções de votar em branco ou anular o boletim de voto, que sobem para uns inéditos 9,9%.

Em eleições presidenciais, os votos brancos e nulos têm impacto idêntico à abstenção, pelo que uma queda de Seguro superior beneficiaria Ventura.

Os resultados de hoje da tracking poll da Pitagórica para a CNN Portugal, TVI, JN e TSF mostram esse estreitar das tendências, integrando já os efeitos do debate eleitoral da semana passada e também o início da crise do mau tempo: 

 

 

Face à véspera, a queda de António José Seguro é de 2,6 pontos percentuais. Veja o intervalo de intenções voto:

Seguro cai 8,3 pontos desde o debate... para brancos/nulos e indecisos

A leitura da tendência parece ser clara: desde o debate televisivo entre Ventura e Seguro, realizado a 27 de janeiro, António José Seguro perdeu 8,3 pontos percentuais (descendo de 61,9% para 53,6%). Contudo, estes votos não foram maioritariamente para André Ventura, que no mesmo período subiu 1,7 pontos percentuais (de 26,2% para 27,9%). Na verdade, a maioria dos votos que "saíram" de Seguro foram Brancos/Nulos, que subiram cinco pontos percentuais (de 4,9% para 9,9%). Já o nível de indecisos também aumentou no mesmo período 1,6 pontos percentuais (passando de de 7% para 8,6%).

 

 

... mas quem ganhou o debate foi Seguro

A tracking poll de hoje inclui uma nova pergunta, precisamente sobre o debate eleitoral entre os dois candidatos, que se realizou na terça-feira da semana passada, a 27 de janeiro. Embora 29% dos inquiridos declare que não viu nem ouviu nada sobre o debate, para 41% foi António José Seguro quem ganhou, contra 16% que atribuem a vitória a André Ventura (7% consideram ter havido empate e 4% consideram que nenhum ganhou):

 

 

Indecisos vêm em parte dos que votaram em Cotrim e Mendes

Quando se analisa a origem dos votos face às legislativas de 2025, verifica-se que Ventura depende essencialmente dos que votaram Chega. Já Seguro recebe grande parte dos que votaram no PS, mas também mais de metade dos que votaram AD. Contudo, grande parte dos indecisos e dos Brancos/Nulos vêm também de eleitores que votaram AD nas legislativas:

Cruzamento por votação declarada: legislativas 2025 vs. 2ª volta presidenciais 

Por outro lado, quando se analisa a origem dos votos face aos eleitores da primeira volta, ressalta que grande parte quer dos votos em branco/nulos, quer de indecisos, votou em Cotrim de Figueiredo e em Marques Mendes. Pelo contrário, os que votaram em Gouveia e Melo mostram-se convictos, passando a votar sobretudo em António José Seguro.

Os eleitores de Cotrim de Figueiredo na primeira volta são os mais divididos: 37,7% declaram tencionar votar em Seguro e 15,8% em Ventura; 28,1% tencionam votar Branco/Nulo e 18,4% estão indecisos:  

Apesar da queda, 90% ainda crê que Seguro vence

A variação nas intenções de voto não tem impacto na convicção sobre quem vencerá as eleições: 90% continua a responder Seguro.

 

 

Firmeza de voto muito elevada em ambos os candidatos

Ao contrário do que sucedeu na primeira volta, nesta segunda volta a esmagadora parte dos eleitores que já decidiram votar tanto Seguro como Ventura estão convictos de que não mudarão de intenção:

 

 

 

 

32% votam Seguro contra Ventura; 20% votam Ventura contra Seguro

Quase um terço dos que tencionam votar em Seguro declaram que o farão para impedir Ventura. Inversamente, um quinto dos eleitores de Ventura dizem que nele votarão para impedir Seguro:

 

 

 

 

 

Índices de rejeição e potencial de voto

"Para cada um dos candidatos, diga-me por favor se jamais votaria, se admite votar ou se votaria de certeza …?". A esta pergunta, que indica o potencial de voto, 54,3% dos eleitores dizem que "votariam de certeza" em Seguro, a que acresce 24,3% de quem admite "posso votar". Daqui resulta um potencial de voto de 78,6%. Inversamente, olhando para a rejeição, são 21,4% aqueles que dizem que "jamais votaria" em Seguro.

 

 

Já Ventura tem um índice de rejeição muito superior, com 67,4% a responder que "jamais votaria" no candidato. O seu potencial de voto é de 32,6%, o que resulta da soma de 18,8% daqueles que "votariam de certeza" em Ventura e 13,8% dos que admitem "poder votar":

 

 

 

Ficha técnica

Durante 3 dias (30 e 31 de janeiro e 1 de fevereiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores).

O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%.

A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI – Computer Assisted Telephone Interviewing).

O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1243 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,91%.

A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional.

A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

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