Seguro continua a liderar destacado nas intenções de voto. Sondagem diária mostra a firmeza das intenções de voto mas também as razões para a mobilização em cada um dos candidatos. Veja aqui todos os dados
Ao segundo dia, a tracking poll da segunda volta da Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, JN e TSF frisa a distância entre António José Seguro (que recebe 61,9% das intenções de voto sem distribuição de indecisos) e André Ventura (com 26,2%). Somam-se 4,9% de eleitores que tencionam votar em branco ou nulo, mais 7% de indecisos.
Com dois candidatos, a distribuição de indecisos deixa de ser neutra: qualquer modelo empurra artificialmente um e penaliza o outro. Sem histórico de segundas voltas, optámos assim por mostrar os resultados diretos. Com uma margem de erro máxima de 4,06%, estes valores resultam nos seguintes intervalos entre os valores máximo e mínimo:
| 28/jan | Variação | Mínimo | Máximo | |
| Seguro | 61,9% | + 1pp | 58% | 65,8% |
| Ventura | 26,2% | - 0,3 pp | 22,6% | 29,8% |
| B/N | 4,9% | - 0,4 pp | 3,1% | 6,7% |
| Indecisos | 7% | - 0,3 pp | 4,9% | 9,1% |
Volatilidade de intenções de voto na 1ª volta, muita firmeza na 2ª volta
Mais de 90% dos eleitores de cada um dos candidatos assegura que a sua intenção é definitiva, sendo reduzida a percentagem dos que ainda admitem mudar a sua intenção de voto. Esta situação contrasta fortemente com verificada durante a campanha para a primeira volta das eleições presidenciais, quando havia 11 candidatos e muitos eleitores revelavam menos convicção no seu voto.
A percentagem dos "convencidos" é ainda maior no caso de António José Seguro: mais de 96% diz já não admitir mudar de voto e só 3% admite ainda mudar:
No caso de André Ventura, são cerca de 7% os que ainda admitem mudar a intenção de voto:
Quem vota a favor, quem vota contra
Quase 38% dos eleitores que tencionam votar em António José Seguro (ou seja, um cerca de um em cada três) declaram que o irão fazer para impedir André Ventura de ganhar. Inversamente, 25% dos eleitores que tencionam votar em Ventura (isto é, um em cada quatro) declaram que o farão para impedir Seguro de ganhar.
Estes dados implicam que, no caso de Seguro, são cerca de 60% aqueles que votarão em Seguro por assumidamente estarem a favor do candidato:
No caso de Ventura, os números são ligeiramente superiores: praticamente 68% dos seus eleitores tencionam votar nele por serem assumidamente a favor do candidato:
Expectativas: 90% conta com vitória de Seguro
Independentemente do sentido de voto dos eleitores, a esmagadora maioria espera que Seguro seja o vencedor:
Maioria vota por sentimentos positivos
Responsabilidade, estabilidade e esperança são os principais sentimentos que os eleitores associam ao seu voto. Já protesto, revolta ou medo pensam bastante menos:
Seguro mais forte no voto feminino, Ventura no masculino
A estratificação dos votos permite concluir que António José Seguro ganharia as eleições quer entre os homens, quer entre as mulheres - mas é no voto feminino que ele é mais forte:
Já em termos etários, é acima dos 55 anos que Seguro é mais forte:
Por classes sociais, Seguro é mais forte nas classes altas, Ventura tem mais penetração nas classes baixas:
Finalmente, as intenções de voto são relativamente homogéneas nas várias regiões do país:
Montenegro fez bem em não declarar apoio do governo
O primeiro-ministro fez bem em não declarar apoio a qualquer um dos dois candidatos à segunda volta das eleições presidenciais. É isso que se pode concluir ao segundo dia da tracking poll feita pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, JN e TSF.
A maioria das pessoas concorda com a tomada de posição de Luís Montenegro, ainda que muitas entendam que devia haver um apoio expresso, com a maioria desses inquiridos a achar que esse endosso devia ir para António José Seguro.
A apoiar, Montenegro deveria remeter para Seguro
O primeiro-ministro não esperou muito tempo para reagir à grande derrota do candidato apoiado pelo PSD, deixando logo claro que “o espaço político” em que se insere o Governo não estaria representado na segunda volta.
Disse-o logo no domingo dia 18 de janeiro e repetiu-o mais tarde no Parlamento, colocando o PSD no centro e os dois candidatos que vão estar na segunda volta no “espaço à esquerda” e no “espaço à direita” do partido que suporta o Governo.
Das duas vezes, o que Luís Montenegro quis fazer foi dizer que o Governo e o PSD não iam declarar apoio a nenhum dos candidatos, mesmo perante os apelos de André Ventura à união da direita ou os apoios declarados de figuras como Luís Marques Mendes ou Aníbal Cavaco Silva a António José Seguro.
E a aposta do primeiro-ministro parece ter sido bem-sucedida. De acordo com o segundo dia da tracking poll, a maioria dos portugueses entende que Luís Montenegro fez bem em não apoiar ninguém.
Em concreto, 46% dos inquiridos responderam que concordam ou tendem a concordar com a opção, ainda que esse número tenha descido ligeiramente no caso daqueles que apenas tendem a concordar. Eram 4% no primeiro dia, são agora 2%.
Do outro lado da barricada, 34% das pessoas discordam da opção tomada pelo primeiro-ministro, um ponto percentual acima do primeiro dia. Ao todo, e contando com aqueles que tendem a discordar da posição de Luís Montenegro, 36% dos inquiridos parecem não ter ficado totalmente satisfeitos com a decisão.
Há ainda neste ponto 16% de pessoas que não têm opinião, já que não concordam nem discordam da opção de Luís Montenegro.
A apoiar, que apoiem Seguro
Embora a maioria das pessoas entenda que o primeiro-ministro fez bem e que deve manter a neutralidade em relação à segunda volta, aqueles que acham que Luís Montenegro devia declarar apoio a um candidato queriam que fosse António José Seguro o escolhido.
É uma tendência que se espalha também pelos outros três candidatos que tinham esperanças de chegar à segunda volta, mas que acabaram por não o conseguir.
Em relação ao primeiro-ministro, 55% dos inquiridos acham que fez bem em não declarar o apoio. Ainda assim, 34% dos que não concordam com essa visão entendem que devia ser o candidato do PS a merecer apoio do Governo. Em contraste, apenas 8% acham que devia ser André Ventura.
Nos candidatos derrotados na primeira volta, é junto de Luís Marques Mendes que anda maior apoio a António José Seguro. O candidato que tinha sido apoiado pelo PSD até já fez a sua declaração de voto nesse sentido, pelo que é normal que praticamente metade das pessoas apoiem a decisão.
Ainda assim, 36% das pessoas acham que o antigo presidente do PSD devia manter a neutralidade para a segunda volta.
Quanto a Henrique Gouveia e Melo, que logo no dia 18 de janeiro deixou a entender que ia tornar público o apoio a um candidato - coisa que ainda não fez - também grande parte das pessoas entende que devia apoiar António José Seguro.
De resto, e à parte as quezílias com Luís Marques Mendes que ficaram patentes no debate entre ambos, o almirante sempre foi especialmente duro e crítico para com André Ventura.
Nem de um lado nem de outro, 37% dos inquiridos preferiam ver Henrique Gouveia e Melo manter a neutralidade para esta segunda volta.
Quanto a João Cotrim de Figueiredo, que chegou a sonhar com a possibilidade de uma segunda volta na abertura da noite eleitoral, devia também endereçar o seu apoio a António José Seguro.
O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal não o fez de forma clara, ao contrário de políticos como Carlos Guimarães Pinto, Mário Amorim Lopes ou até Mariana Leitão, mas também deixou claro que não ia votar em André Ventura.
De acordo com a tracking poll, 43% das pessoas acham que o eurodeputado devia optar mesmo por declarar o voto no candidato apoiado pelo PS.
Em sentido contrário, e com alguma curiosidade, é junto de João Cotrim de Figueiredo que há mais pessoas a defender o apoio a André Ventura. São apenas 10%, é verdade, mas são mais do que os outros dois candidatos derrotados ou até mesmo o primeiro-ministro.
De resto, é no candidato apoiado pela Iniciativa Liberal que há mais pessoas a sentirem-se "orfãs" nesta segunda volta. De acordo com a tracking poll, 30,4% dos eleitores que votaram em João Cotrim de Figueiredo vão votar branco ou nulo ou estão ainda indecisos. Isso mesmo significa que cerca de 270 mil pessoas não estão, pelo menos neste momento, com nenhum dos dois candidatos.
Ficha técnica
Durante 3 dias (25, 26 e 27 janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%.
A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI – Computer Assisted Telephone Interviewing).
O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1254 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,48%.
A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional.
A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.