A cair em Lisboa e entre os mais jovens, o candidato apoiado pelo PS ainda tem uma vantagem segura para a eleição do próximo domingo
Se as eleições fossem hoje, António José Seguro venceria com 52,8% dos votos, acima dos 28,1% dos que tencionam votar em André Ventura. Estes valores são antes de distribuição de indecisos, cujo nível subiu para 9,3%.
Nota-se, assim, uma tendência de aproximação entre os dois candidatos, que começaram a tracking poll feita pela Pitagórica para a CNN Portugal, TVI, JN e TSF separados por 34,4 pontos percentuais, numa diferença que agora é de 24,7 pontos percentuais. Uma vantagem ainda confortável para o candidato apoiado pelo PS, mas que se vem estreitando ao longo dos dias, nomeadamente desde o grande debate em que ambos se defrontaram, ocorrido há precisamente uma semana.
Esta terça-feira traz ainda a confirmação de que é mesmo preciso ter atenção aos votos brancos e nulos no próximo domingo. O valor até desceu de 9,9% para 9,8%, mas a segunda volta destas eleições presidenciais ameaça apresentar mesmo a maior percentagem de sempre destas votações desde que há democracia.
De referir que em eleições presidenciais, os votos brancos e nulos têm impacto idêntico à abstenção, pelo que uma queda de António José Seguro superior beneficiaria André Ventura.

Face à véspera, a queda de António José Seguro é de 0,8 pontos percentuais, enquanto André Ventura sobe 0,2 pontos percentuais. Veja o intervalo de intenções voto:

Mais jovens e em Lisboa: onde cai Seguro?
Em queda há seis dias consecutivos, precisamente desde o dia em que se realizou o debate, é entre os eleitores mais jovens e na Grande Lisboa que António José Seguro parece estar a perder mais apoio.
A queda também se verifica no eleitorado mais jovem. De resto, o candidato apoiado pelo PS só sobe no último dia na faixa etária dos 55 anos ou mais.
A perda é também notória no sexo masculino, sendo mais marginal no sexo feminino.
Quanto às classes sociais, António José Seguro até conseguiu subir na A/B, mas perdeu intenções de voto nas outras duas.
Ao todo, e em apenas uma semana, o candidato apoiado pelo PS perdeu 9,1 pontos percentuais, enquanto André Ventura subiu 1,6 pontos percentuais. Não é tanto pela subida do candidato apoiado pelo Chega que os valores se começam a aproximar, portanto, mas mais pela queda de António José Seguro.
De resto, as maiores subidas vão mesmo para os votos brancos ou nulos e para os indecisos, que já representam quase 10% dos eleitores, o que pode ajudar a definir o Presidente da República caso a margem entre os dois candidatos se venha a revelar mais aproximada.
Descer após vencer
Os dados da tracking poll confirmam aquilo que se tinha verificado no dia anterior. Após a queda ocorrida a partir do debate, os eleitores consideram que foi António José Seguro que ganhou o grande frente a frente.
Se perto de um terço das pessoas assume que não viu nem ouviu nada sobre o debate, 42% entende que foi o candidato apoiado pelo PS que venceu naqueles 75 minutos. Em sentido contrário, apenas 17% das pessoas entende que André Ventura ganhou o confronto, enquanto 6% acham que houve um empate.
A variação nas intenções de voto não tem impacto na convicção sobre quem vencerá as eleições: 90% continua a responder Seguro.
Indecisos de todos os lados
Na faixa de 10% de indecisos há eleitores para todos os gostos, mas a concentração vem, sobretudo, dos três candidatos que tinham o objetivo de chegar à segunda volta e ficaram de fora.
Uma parte significativa das pessoas que votaram João Cotrim de Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo ou Luís Marques Mendes na primeira volta mostram não ter ainda uma decisão tomada.
De resto, e mostrando que boa parte do eleitorado de João Cotrim de Figueiredo não se revê em nenhum dos candidatos desta segunda volta, 26% vão mesmo optar por votar branco ou nulo. O mesmo é dizer que 234 mil pessoas podem escolher este como o seu sentido de voto no próximo domingo.
Indecisos há também junto dos eleitores que votaram na Aliança Democrática (AD) nas últimas eleições legislativas. De acordo com a tracking poll, a maioria destas pessoas vai votar António José Seguro, mas perto de um terço está dividido entre brancos/nulos ou indecisos.
Firmeza de voto muito elevada em ambos os candidatos
Ao contrário do que sucedeu na primeira volta, nesta segunda volta a esmagadora parte dos eleitores que já decidiram votar tanto Seguro como Ventura estão convictos de que não mudarão de intenção.
De resto, e de acordo com os dados da tracking poll, há menos pessoas a colocar a hipótese de ainda mudarem o seu sentido de voto.
Quem vota contra
Quase um terço dos que tencionam votar em Seguro declaram que o farão para impedir Ventura. Inversamente, um quinto dos eleitores de Ventura dizem que nele votarão para impedir Seguro:
Ficha técnica
Durante 3 dias (31 de janeiro, 01 e 02 de fevereiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%.
A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI – Computer Assisted Telephone Interviewing).
O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1230 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 49,43%.
A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional.
A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.