Tracking poll, 2.ª volta, dia 3: Ventura e Seguro aproximam-se um pouco depois do debate (mas a diferença ainda é grande)

29 jan, 19:25

Seguro mantém-se destacado nas intenções de voto, ainda que tenha havido uma aproximação de 4,7 pontos percentuais. Este é o primeiro dia em que o grande debate entre os dois candidatos presentes na segunda volta é tido em conta

Ao terceiro dia, a primeira aproximação. De acordo com a tracking poll da segunda volta da Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, JN e TSF, António José Seguro e André Ventura aproximam-se na corrida presidencial, ainda que o candidato apoiado pelo PS continue bem destacado. Tudo isto no primeiro dia em que a sondagem diária já reflete, ainda que de forma marginal, o grande debate entre os dois.

António José Seguro recebe agora 59%, caindo pela primeira vez abaixo dos 60%, enquanto André Ventura sobe para 28%, numa lógica de intenções de voto sem distribuição de indecisos, que ainda representam 7,2% dos inquiridos. Somam-se a isso 5,8% de eleitores que tencionam votar em branco ou nulo, numa clara subida relativamente aos dois primeiros dias.

Com dois candidatos, a distribuição de indecisos deixa de ser neutra: qualquer modelo empurra artificialmente um e penaliza o outro. Sem histórico de segundas voltas, optámos assim por mostrar os resultados diretos. Com uma margem de erro máxima de 4,06%, estes valores resultam nos seguintes intervalos entre os valores máximo e mínimo:

  29/jan Variação Mínimo Máximo
Seguro 59% - 2,9 pp 55% 63%
Ventura 28% - 1,8 pp 24,4% 31,6%
B/N 5,8% + 0,2 pp 3,9% 7,7%
Indecisos 7,2% - 0,9 pp 5,1% 9,3%

Cada vez mais convictos

A firmeza de voto, seja em que candidato for, mantém-se claramente vincada. Tanto para António José Seguro como para André Ventura, mais de 90% dos eleitores referiram que o seu voto é definitivo.

O caso do candidato apoiado pelo PS é particularmente demonstrativo, já que 97,3% das pessoas já não vão mudar de decisão, numa percentagem que sobe relativamente aos dois primeiros dias da tracking poll.

E se ambos os candidatos veem descer a percentagem de pessoas que aditem ainda poder mudar o seu sentido de voto, uma pequena curiosidade surge noutro parâmetro. É que 1,3% das pessoas que disseram que iam votar André Ventura responderam ao terceiro dia que “é muito provável” que mudem a sua escolha.

Voto a favor, não contra

Apesar de a maioria dos eleitores assumir que vai votar porque quer mesmo aquele candidato, continua a verificar-se uma grande percentagem de pessoas que vai decidir o seu sentido de voto mais com base no adversário.

A percentagem de pessoas que vão votar António José Seguro com o objetivo de impedir que André Ventura diminuiu ligeiramente, tal como aconteceu com André Ventura.

Em sentido contrário, a percentagem de eleitores que vão escolher o seu candidato de forma convicta subiu. Para António José Seguro continua a rondar os 60%, mas no caso de André Ventura já ultrapassa os 70%.

Expectativas: vitória será de Seguro

Aqui não há grande divisão. Votem António José Seguro, André Ventura ou outra opção, a esmagadora maioria dos inquiridos acham que vai ser o candidato apoiado pelo PS a vencer no próximo dia 8 de fevereiro.

Em concreto, esse valor mantém-se nos 90%, enquanto apenas 10% das pessoas acham que será o candidato apoiado pelo Chega o próximo Presidente da República.

Responsabilidade e estabilidade acima de tudo

São estes os dois sentimentos que mais movem os eleitores. De acordo com o terceiro dia de sondagem diária, a responsabilidade e a estabilidade conferida pelos candidatos é o que mais incentiva as pessoas a escolherem um nome.

Embora a motivação por revolta até suba um ponto percentual, os sentimentos negativos continuam relativamente baixos.

Seguro mais forte entre as mulheres, Ventura mais forte nos homens

É uma tendência que até já se verificava antes desta tracking poll. António José Seguro tem no eleitorado feminino uma clara força, enquanto André Ventura parece ter maior apoio junto dos homens, ainda que também aí o candidato apoiado pelo PS lidere.

Em termos etários, quanto mais sobe a idade dos eleitores, mais força ganha António José Seguro. Olhando para as pessoas com mais de 55 anos, por exemplo, o candidato apoiado pelo PS tem mesmo dois terços do eleitorado.

Em sentido contrário, André Ventura ganha mais força na faixa etária entre os 35 e 54 anos, onde alcança 37,2% dos inquiridos.

Quanto à distribuição regional, onde não há uma grande disparidade, António José Seguro ganha maior apoio no Norte, a única zona onde tem mais de 60%. Já André Ventura é mais forte no Centro, onde ultrapassa os 30%.

Quanto às classes sociais, António José Seguro tem maior expressão nas classes mais altas, enquanto André Ventura mantém maior penetração nas classes mais baixas.

Ficha técnica

Durante 3 dias (26, 27 e 28 janeiro de 2026) foram recolhidas diariamente pela Pitagórica para a TVI, CNN Portugal, TSF e JN um mínimo de 202 a 203 entrevistas (dependendo dos acertos das quotas amostrais) de forma a garantir uma sub-amostra diária representativa do universo eleitoral português (não probabilístico). Foram tidos como critérios amostrais o Género, 3 cortes etários e 20 cortes geográficos (Distritos + Madeira e Açores). O resultado do apuramento dos 3 últimos dias de trabalho de campo, resultou numa amostra de 608 entrevistas que para um grau de confiança de 95,5% corresponde a uma margem de erro máxima de ±4,06%.

A seleção dos entrevistados foi realizada através de geração aleatória de números de “telemóvel” mantendo a proporção dos 3 principais operadores móveis. Sempre que necessário foram selecionados aleatoriamente números fixos para apoiar o cumprimento do plano amostral. As entrevistas são recolhidas através de entrevista telefónica (CATI – Computer Assisted Telephone Interviewing).

O estudo tem como objetivo avaliar a opinião dos eleitores portugueses, sobre temas relacionados com as eleições Presidenciais, nomeadamente os principais protagonistas, os momentos da campanha bem como a intenção de voto dos vários candidatos. Foram realizadas 1259 tentativas de contacto, para alcançarmos 608 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 48,29%.

A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional.

A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.

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