NASA: a primeira nave espacial a "tocar" o Sol

CNN , Ashley Strickland
2 jan, 17:00
Imagem da chegada da sonda Parker à atmosfera exteror do Sol
Imagem da chegada da sonda Parker à atmosfera exteror do Sol

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60 anos depois de a NASA ter estabelecido o objetivo e três anos após o lançamento da Sonda Solar Parker, a nave espacial tornnou-se a primeira a "tocar o Sol". A sonda Parker atravessou com sucesso a coroa solar ou atmosfera superior, em busca de amostras de particulas e campos magnéticos da nossa estrela.

"A aterragem da sonda Parker no Sol é um momento preponderante para a ciência solar e um feito notável", declarou Thomas Zurbuchen, vice-administrador da Science Mission Directorate, da NASA.

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"Não só este marco nos providencia um conhecimento mais profundo da evolução do Sol e do seu impacto no nosso sistema solar, como tudo o que aprendemos sobre a nossa própria estrela também nos ensina mais sobre as restantes estrelas do universo."

O anúncio foi feito na conferência da American Geophysical Union de 2021, em Nova Orleães, na terça-feira, e a investigação sobre esse marco solar foi publicada no Physical Review Letters.

A sonda solar Parker foi lançada em 2018, com o propósito de se ir aproximando do Sol à medida que orbitava à sua volta. Os cientistas, entre eles o guru da astrofísica aeroespacial, Eugene Parker, procuravm respostas fundamentais sobre o vento solar oriundo do Sol, projetando partículas energéticas pelo sistema solar.

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A coroa solar é muito mais quente que a superfície da estrela e a sonda poderia mostrar-nos porquê. A coroa mede um milhão de graus Celsius no seu ponto mais quente, enquanto a superfície atinge cerca de 5700 Celsius.

A nave espacial já revelara dados surpreendentes sobre o Sol, incluindo a descoberta de estruturas magnéticas ondulantes no vento solar chamadas "switchbacks", em 2019.

Agora, graças à mais recente aproximação da Parker ao Sol, a nave ajudou os cientistas a determinar que os "switchbacks" tinham origem na superfície solar.

Quando a missão da sonda Parker terminar, ela terá feito 21 aproximações ao Sol no período de sete anos. A sonda orbitará a 6,2 milhões de quilómetros da superfície solar em 2024, mais próximo que Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol.

Embora pareça distante, os cientistas comparam o cenário ao de termos a sonda na linha das quatro jardas de um campo de futebol, com a Sol na linha de fundo.

Na fase mais próxima do Sol, os escudos solares de 11 cm de carbono terão de tolerar temperaturas aproximadas de 1370 graus Celsius. No entanto, o interior da nave e os seus instrumentos manter-se-ão a uma confortável temperatura ambiente.

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"Ao orbitar tão próximo do Sol, a sonda Parker deteta, como nunca antes, as condições da camada maioritariamente magnética da atmosfera solar, a coroa", declarou Nour Raouafi, cientista do projeto Parker no Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins em Laurel, Maryland.

"Temos registos da presença na coroa através dos dados do campo magnético, dados do vento solar e de imagens. Podemos ver a nave espacial a atravessar estruturas que podem ser observadas durante um elipse solar total.."

Ver de perto uma estrela

Em abril, a equipa do projeto Parker percebeu que a nave atravessara as fronteiras e entrara na atmosfera solar pela primeira vez. Tal aconteceu quando a nave fez a sua oitava passagem à volta do Sol e registou condições magnéticas e de partículas específicas de uma fronteira onde termina a gigantesca atmosfera solar e começa o vento solar, 13 milhões de quilómetros acima da superfície solar.

"Mais cedo ou mais tarde, esperávamos encontrar a coroa, nem que fosse por breves instantes", disse Justin Kasper, investigador responsável, professor da Universidade de Michigan e diretor tecnológico da BWX Technologies, Inc. "É empolgante ter chegado a esse ponto."

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A Parker foi entrando e saíndo da coroa por diversas vezes ao longo de umas horas, durante a passagem de abril, ajudando os investigadores a melhor compreender que essa fronteira, a chamada superfície critica de Alfvén, não é uma superfície regular à volta do Sol, mas uma zona com vales e picos. Conhecer a existência dessas características permitirá aos cientistas compará-las com a atividade da superfície solar.

Durante esse voo, a Parker fez outra descoberta intrigante, ao passar a 10,5 milhões de quilómetros da superfície solar. Passou por um traço chamado "pseudostreamer", uma enorme estrutura que se erguia acima da superfície solar e que era observada a partir da Terra durante os eclipses solares.

Quando a nave espacial atravessou as "pseudostreamers", as coisas estavam tranquilas, como no centro de uma tempestade. Normalmente, a PArker é bombardeada com partículas ao atravessar o vento solar. Neste caso, as partículas eram mais lentas e houve um decréscimo de "switchbacks".

A nave espacial deverá voltar a atravessar a coroa na próxima passagem em janeiro.

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"Estou empolgado para ver o que a Parker vai descobrir, pois passará repetitivamennte pela coroa nos próximos anos", disse Nicola Fox, diretor da Divisão de Heliofísica da NASA. "Temos uma oportunidade infindável para fazer novas descobertas".

A Parker deverá estar no sítio certo à hora certa, nas próximas órbitas, pois o ciclo de 11 anos do Sol aquecerá com a atividade nos próximos anos. A cada 11 anos, o Sol completa um ciclo solar de atividade tranquila e turbulenta, para dar lugar a um novo.

É importante conhecer o ciclo solar, porque o clima espacial causado pelo Sol - erupções como os clarões solares e as explosões em massa na coroa - podem ter impacto em coisas como a rede energética, satélites, GPS, companhias aéreas, foguetões e astronautas no espaço.

O mais recente ciclo solar, que teve início em dezembro de 2019, deverá atiingir o seu pico em julho de 2025, o que resultará num aumento da atividade solar.

Isso significa que a extremidade exterior da coroa solar irá expandir e que a Parker levará ais tempo a atravessar a misteriosa atmosfera exterior do Sol.

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"É uma região muito importante para se estudar, pois poderão desenvolver-se todo o típo de físicas", disse Kasper. "Estamos agora a entrar nessa região e esperamos poder começar a ver algumas dessas físicas e comportamentos."

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