Russo que ia ao leme de cargueiro português considerado culpado de colisão trágica no Mar do Norte

2 fev, 19:25

Vladimir Motin tentou defender-se em tribunal, mas as autoridades entendem que foi ele que provocou o acidente que resultou na morte de uma pessoa e num grande incêndio

O capitão de um navio russo foi considerado culpado de homicídio por negligência grosseira no Reino Unido.

O caso refere-se a uma colisão fatal em pleno Mar do Norte ocorrida em março do ano passado, quando o cargueiro em que Vladimir Motin ia ao leme embateu no Stena Immaculate, um petroleiro norte-americano que estava ancorado junto ao estuário do rio Humber, a 20 quilómetros da costa.

Ambas as embarcações transportavam bens inflamáveis, o que acabou por resultar num inevitável incêndio.

A bordo do Solong, o navio russo que até operava com bandeira portuguesa, seguia Mark Angelo Pernia, tripulante de nacionalidade filipina de 38 anos que acabou por morrer na sequência da colisão, sendo que o seu corpo nunca foi encontrado, já que ficou perdido no meio das chamas que deflagraram.

Durante o seu julgamento, Vladimir Motin admitiu que tinha cometido um “erro” ao carregar no butão errado quando tentava retirar o Solongo do piloto automático. Os esforços para retomar o controlo do navio acabaram por não resultar e a colisão acabou por acontecer, como se pode verificar no vídeo abaixo.

No entanto, a acusação afirmou que todos os sistemas de navegação estavam operacionais, classificando a versão do capitão de falsa. De resto, o procurador britânico que tomou conta do caso, Tom Little, disse mesmo ao júri que Vladimir Motin “não fez absolutamente nada” para evitar o acidente.

Com efeito, o capitão até desativou um dos sistemas de alarme do navio, o que fez com que ele fosse o único responsável com capacidade para perceber o que estava a acontecer, o que vai contra os protocolos de segurança.

Mesmo perante o desastre iminente, Vladimir Motin, que tinha 15 anos de experiência, não pediu ajuda nem acionou qualquer alarme. Também não avisou a sua tripulação e não alertou para uma colisão de emergência.

Tudo isto apesar de os dois navios terem estado mais de 30 minutos em rota de colisão.

Do lado do capitão, que sempre garantiu que não estava a dormir nem tinha abandonado o posto, a defesa sempre alegou que não havia espaço suficiente para tentar outra abordagem.

Os outros 13 tripulantes do Solong, que tinha saído da Escócia com rumo aos Países Baixos para transportar bebidas espirituosas e algumas substâncias perigosas, acabaram por sobreviver.

Também os 23 ocupantes do Stella Immaculate, que a bordo tinha mais de 220 mil barris de JetA1, um combustível de aviação, que iam da Grécia para o Reino Unido, sobreviveram.

Europa

Mais Europa