Com a aproximação do verão, começamos a pensar nas férias, na praia e nos dias mais longos ao ar livre. Mas o verão traz também o que muitos encaram como uma banalidade: as queimaduras solares. O problema é que a pele tem memória e não “esquece” as consequências desse excesso. Por isso, é essencial saber conviver com o sol e desfrutar sem prejudicar a nossa pele.
A queimadura solar, seja o “escaldão” ou uma vermelhidão ligeira, é uma agressão à nossa pele e constitui o principal fator de risco para o cancro da pele. O escaldão não deve ser considerado um episódio “normal” de Verão, mas um evento negativo a evitar. Os efeitos da radiação ultra-violeta (UV) na pele são cumulativos. A pele não só não esquece, como vai somando cada nova agressão ao longo da vida. Estes danos são tanto mais graves quanto mais cedo acontecerem, pelo que a queimadura solar na infância/adolescência é ainda mais perigosa.
Globalmente, o número de novos casos de cancro da pele continua a aumentar. E apesar de a maioria dos frequentadores de espaços balneares saber e verbalizar os cuidados a ter com o sol, muitos não adotam comportamentos alinhados com esse conhecimento. A dualidade entre o conhecimento do risco e a procura do aspeto bronzeado muitas vezes favorece o bronzeado. Mas que não existam equívocos: nenhum bronzeado é saudável. É sempre uma resposta biológica da pele a uma agressão e tem implícito o risco de cancro.
Também para alguns, a vitamina D tem-se tornado uma justificação para hábitos pouco saudáveis de exposição solar. É verdade que a radiação solar participa na síntese de vitamina D na pele, mas existem outras fontes, como alguns alimentos. As necessidades de vitamina D devem ser avaliadas e corrigidas individualmente e não invalidam comportamentos preventivos em relação ao cancro da pele.
Onde continuamos a falhar? Na exposição solar nos horários de risco, na falsa sensação de proteção por se estar perto da água ou em dias de vento e céu encoberto, no uso inadequado de protetor solar.
O que devemos fazer? Evitar a exposição solar direta e prolongada entre as 11h e as 16h, preferindo as atividades ao ar livre no início ou final do dia. Quando estamos ao sol devemos utilizar vestuário, chapéu com abas e óculos com proteção UV. Nas áreas não tapadas pelo vestuário, utilizar protetor solar SPF 30+ ou 50+ (consoante a vulnerabilidade individual), aplicado 30 minutos antes da exposição solar e reaplicado a cada 2h ou após banhos de mar/piscina. Não esquecer que a areia e a água refletem a radiação em até cerca de 20% e que a sombra do chapéu de sol não protege a 100%.
As crianças pequenas merecem particular atenção: uma T-shirt molhada filtra pouco a radiação UV, podendo transmitir uma falsa segurança de proteção.
Mas proteger a pele não significa abdicar das férias nem do Verão. Significa desfrutar do sol com inteligência, usufruindo dos seus benefícios e minimizando os seus malefícios. Trata-se de aprender a viver com o sol, sem ter de pagar a fatura anos mais tarde.
