Manifestação e vigília em Lisboa para lembrar mais de 360 pessoas trans mortas em 2021

20 nov, 08:16
Milhares participam em parada LGBT na Ucrânia
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Dia da Memória Trans assinala-se este sábado

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Várias associações de defesa dos direitos das pessoas trans manifestam-se este sábado, em Lisboa, para homenagear as mais de 360 pessoas trans mortas em todo o mundo em 2021, “o ano mais mortífero”, às mãos da transfobia.

Hoje assinala-se o Dia da Memória Trans e a data é marcada com uma manifestação e uma vigília para “não só relembrar as pessoas trans que morreram durante o ano, mas também protestar [contra] a maior causa da sua morte: a transfobia”, lê-se no comunicado conjunto das organizações Transmissão, Rede Ex-Aequo, Casa T, Anémona e Ação pela Identidade.

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Em declarações à agência Lusa, uma das pessoas responsáveis pela organização apontou que em 2021 já morreram 365 pessoas trans em todo o mundo, a maioria no Brasil, mas também uma em Portugal.

Segundo Francis Salema, essa contabilização tem vindo a ser feita pela Transgender Europe – uma rede de organizações que trabalham em defesa dos direitos das pessoas trans e contra a discriminação – desde 2012 e nunca como neste ano morreu tanta gente à conta da trasnsfobia.

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Concretamente em relação a Portugal, Francis Salema considerou que a “ascensão de partidos de extrema-direita” trouxe também “mais aversão às pessoas trans”, ao mesmo tempo que há registo de ataques homofóbicos e transfóbicos em Lisboa.

“É razão para grande preocupação na nossa comunidade porque nós temos direito ao espaço público como qualquer pessoa tem direito a segurança no espaço público e acaba por não ser o caso porque acabamos sempre por ser alvo de algum tipo de discriminação”, apontou, sublinhando que isso também acontece no espaço privado.

Relativamente ao que acontece no espaço privado, Francis Salema deu como exemplo o caso de muitos jovens que quando descobrem e assumem a sua transexualidade acabam mal tratados pelos próprios progenitores, havendo casos de pessoas expulsas de casa que acabam a dormir na rua ou a recorrer à prostituição para conseguir sobreviver.

“É muito importante lutarmos por mais segurança e para que não haja tantos homicídios de pessoas trans porque a transfobia mata”, sublinhou.

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Destacou também a necessidade de um sistema de saúde mais adaptado às pessoas trans, apontando como “lamentável” que o Serviço Nacional de Saúde “não ajude tanto quanto poderia as pessoas trans”, referindo-se, por exemplo, à questão das cirurgias de redefinição de género ou ao facto de na comunidade haver uma elevada prevalência de doenças mentais.

No comunicado, as associações sublinham que as vidas das pessoas trans “não são tiradas ao acaso” e destacam que a violência a que estas pessoas estão expostas exprime-se também na negação e acesso ao trabalho, à habitação, à educação, a documentação e a rendimentos básicos.

“Pretedem também que seja uma luta contra os papéis de género e o padrão binário ‘rígido e violento’ e contra atos médicos que impõe a binaridade a corpos trans e intersexo”, lê-se no comunicado.

Criticam também a polícia que dizem que não os protege e que acusam de violência e de proteger “um ‘status quo’ que deixa para morrer todos os corpos dissidentes: racializados, femininos, não-binários e com diversidade funcional”.

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A manifestação, a segunda organizada em Portugal, começa por voltas das 13:30, no Largo do Intendente e depois seguirá até à Praça do Município, “onde se vai honrar aqueles que partiram através de uma vigília, mas também contando com uma sessão de microfone aberto e performances de artistas trans”.

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