O sexo faz bem à saúde. "Por isso, pratiquem exercício, pratiquem sexo!"

17 set, 20:00
Sexo

A CNN Portugal ouviu três especialistas - um sexólogo, uma ginecologista e uma andrologista - que foram praticamente unânimes: “O sexo traz inúmeros benefícios, posso ser mais saudável por praticar sexo, mas não sou menos saudável se o não fizer.”

Praticar sexo faz bem à saúde e disso ninguém tem dúvidas. Vários estudos científicos comprovam os benefícios cardiovasculares, no combate ao stress, à dor e às insónias, o quão bem faz à pele e as maravilhas que faz pela autoestima.

Uma relação sexual assemelha-se a uma sessão de exercício moderado, aumentando a atividade cardíaca, protegendo as artérias e o coração. Além disso, durante o ato sexual, o nosso corpo liberta uma série de hormonas, entre as quais a endorfina, o maior analgésico do nosso corpo, tornando o sexo num potente inibidor da dor. A relação sexual promove também o relaxamento muscular e, consequentemente, combate a insónia.

Não há como contornar: quem pratica sexo é, no mínimo, mais feliz. E, com tantos benefícios, também mais saudável. Mas a ausência de sexo pode ter o efeito contrário?

A CNN Portugal ouviu três especialistas - um sexólogo, uma ginecologista e uma andrologista - que foram praticamente unânimes: “O sexo traz inúmeros benefícios, posso ser mais saudável por praticar sexo, mas não sou menos saudável se o não fizer.”

“Em termos de necessidades básicas, será uma das necessidades básicas apresentadas por Maslow na sua pirâmide. Está lá, de facto, a intimidade sexual. Agora, há pessoas que vivem bem sem sexo e não são menos saudáveis por isso”, lembra o psicólogo e sexólogo Fernando Mesquita.

“Falamos de sexo e devíamos falar de sexualidade. Temos de falar de afetos para entender melhor esta questão. O sexo é mais físico. A sexualidade é mais emocional. E há pessoas que são mais dependentes de sexo. Como há os chamados assexuais que não se interessam por sexo. Nem uns nem outros são, à partida, doentes por praticarem ou não sexo”, explica o sexólogo.

“Não ter um orgasmo, não torna a mulher menos saudável”

A análise de Fernando Mesquita é partilhada pela ginecologista Joana Lima Silva: “Apesar de sabermos que a atividade sexual é promotora da saúde, a mulher que não tem relações sexuais não é menos saudável do que a que tem. Isto do ponto de vista estritamente físico.”

“Uma mulher que não tem orgasmo não é menos saudável”, insiste.

Contudo, a médica ginecologista faz, também, uma ressalva: “Depende da manifestação da sexualidade da mulher e se a mulher consegue expressar bem a sua sexualidade ou não.”

“Todas as pessoas expressam a sua sexualidade de formas diferentes e até de formas diferentes ao longo da vida. É um pouco redutor colocarmos a sexualidade só do ponto de vista físico e pode até ser pernicioso. Porque uma mulher que não tem interesse sexual no que diz respeito à penetração pode sentir que se passa algo de errado com ela. E não passa necessariamente”, explica.

“Há tantas mulheres que ficam fechadas na sua sexualidade e nem se expressam como deviam porque ficam presas a determinados conceitos.”

Joana Lima Silva recorda ainda que, numa visão holística da saúde da mulher, há muitos outros fatores envolvidos. Entre eles, a alimentação e o exercício físico.

A ressalva dos especialistas que é também um alerta

A atividade sexual é potenciadora de uma boa saúde vascular. Como lembra a urologista Ana Meirinha, “se pensarmos que a atividade sexual é uma atividade com exercício cardiovascular, a atividade sexual faz bem”. Logo, “um homem com vida sexual ativa é um homem mais saudável do que um que não pratica sexo com regularidade”. No entanto, “não significa que o homem que não pratica sexo seja doente”.

A urologista e andrologista do Hospital dos Lusíadas faz apenas uma ressalva e lembra os “inúmeros” estudos que apontam para a maior probabilidade de vir a ter cancro da próstata de um homem que ejacula menos vezes ou não ejacula de todo. “Um homem que ejacule menos vezes durante um mês tem mais probabilidade de ter cancro da próstata. Isso está provado e é inegável”, sublinha.

A título de exemplo, um estudo publicado na European Urology, em 2016, aponta para uma redução de 20% no risco de vir a ter cancro da próstata no caso dos homens que ejaculam com mais frequência. Os investigadores acompanharam 32 mil homens ao longo de 18 anos, entre 1992 e 2010. Aperceberam-se que aqueles que ejaculavam 21 ou mais vezes por mês, tinham um risco inferior de ter cancro na próstata.

Além disso, a especialista considera que “numa visão holística do ser humano, a sexualidade faz parte de um ser saudável. Mas falamos de uma abordagem mais abrangente da sexualidade, que vai muito além da penetração ou mesmo da masturbação”.

Para Ana Meirinha, um homem saudável é aquele que “é capaz de satisfazer os seus desejos sexuais, até porque a vida sexual não passa só pela ejaculação ou pela penetração”.

Em jeito de resumo, a médica sublinhou, durante a conversa telefónica que manteve com a CNN Portugal: “Não deixamos de ser saudáveis por não praticarmos sexo. Mas as pessoas que têm uma vida sexual plena, dentro do que elas próprias entendem por vida sexual, têm melhores níveis de saúde.”

“A atividade física do sexo é saudável.  Por isso, pratiquem exercício, pratiquem sexo!”, faz questão de aconselhar.

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