Bastonário quer que DGS torne públicos dados sobre mortes e internamentos da covid-19

15 nov, 18:58
Miguel Guimarães
Miguel Guimarães

Casos estão a aumentar porque já há “conjunto muito grande de pessoas em que a vacina já não tem a mesma eficácia”, disse Miguel Guimarães

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O bastonário da Ordem dos Médicos apelou hoje à Direção-Geral da Saúde para que divulgue os dados sobre os internamentos e óbitos por covid-19 sobre a população vacinada e não vacinada para ajudar os investigadores na definição de medidas.

Nós para podermos ajudar, nós comunidade científica, investigadores, as pessoas que se importam com isto, têm de ter acesso a estes dados (…). Isto não deve, nem pode funcionar assim. Não é assim que funciona nos outros países”, defendeu Miguel Guimarães, que falava à Lusa sobre a atual situação epidemiológica no país.

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Para o bastonário, é preciso que a DGS torne público quem é que está a ser internado em enfermaria e em cuidados intensivos e quem é que está a morrer com covid-19.

É preciso perceber se são pessoas que estão, ou não, vacinadas. Se estão vacinadas totalmente ou só com uma dose”, bem como se está a aumentar o número de pessoas vacinadas infetadas e a necessitar de internamento, detalhou.

No seu entender, estes dados que estão no domínio da DGS deviam ser incluídos no Relatório das Linhas Vermelhas até para “as pessoas se acautelarem”.

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“Estamos numa fase em que a pandemia está controlada”, mas os casos estão a aumentar porque já há “um conjunto muito grande de pessoas em que a vacina já não tem a mesma eficácia” e daí a necessidade da terceira dose.

Como tal, reiterou que é preciso “perceber o que está a acontecer objetivamente, com dados” para, “com mais segurança” e “fundamentação” delinear as medidas necessárias, que, no seu entender, passam por medidas de proteção individual.

Para o bastonário, “é inegável” que Portugal está a atravessar a “quinta onda” da pandemia, defendendo por isso ser fundamental acelerar o processo de vacinação, alargar o uso de máscara a espaços fechados [pequenos estabelecimentos], como nas lojas de rua, nas empresas, nos restaurantes, e um “controlo mais rigoroso” das fronteiras, sobretudo as aéreas.

Salientou ainda a importância da reunião dos peritos, no Infarmed, sobre a situação epidemiológica no país, marcada para a próxima sexta-feira.

Quanto mais rápido for [a reunião], melhor conseguimos controlar o crescimento da doença com medidas simples”, disse considerando que não serão necessários confinamentos, se se atuar rapidamente.

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Miguel Guimarães recordou que o outono/inverno é habitualmente uma “altura crítica” porque circulam mais vírus respiratórios, o que leva “uma pressão maior sobre os serviços de saúde”.

A agravar esta situação estão “muitos doentes” com doenças crónicas como a diabetes, hipertensão, doenças oncológicas, que ficaram para trás na pandemia e que “estão a descompensar das suas doenças e a recorrer ao serviço de urgência”.

Perante esta situação, defendeu ser fundamental proteger as pessoas, vacinando-as desde logo contra a gripe sazonal, que “pode ter um impacto muito grande, até ser superior à da covid-19”, e vacinar as pessoas elegíveis contra o vírus SARS-CoV-2.

Contudo, avançou, a vacinação contra a gripe ainda não está a ser feita em massa, porque faltam “chegar vacinas”.

Eu espero que possamos começar a vacinar as pessoas o mais rapidamente possível para a gripe sazonal e para a covid-19 e espero, sobretudo, que não se façam compassos de espera demasiado prolongados, como suspeito que possa estar a ser feito, aguardando que chegue a vacina da gripe sazonal para fazer as duas ao mesmo tempo, porque estamos a perder oportunidades”, advertiu.

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