Famílias sobre-endividadas têm em média cinco créditos mensais e menos 200 euros do que deviam

8 abr, 06:00

O rendimento médio mensal das famílias que chegam à Deco é de 1.100 euros: as despesas essenciais levam, no mínimo, 448 euros e quase 900 euros são para prestações de crédito, deixando o orçamento mensal negativo em 208 euros

As famílias sobre-endividadas que pedem ajuda à Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) não conseguem pagar cerca de 200 euros dos encargos mensais, apurou a TVI/CNN Portugal.

A maior parcela do salário vai para créditos e o dinheiro começa a não chegar para a alimentação. Uma situação que tende a agravar-se com a subida dos preços e dos juros.

O dinheiro que se ganha paga cada vez menos bens e, por vezes, não chega para suprir as necessidades básicas quanto mais pagar créditos.

"Se formos olhar para aquilo que as famílias têm em média de pagar, mensalmente, para as prestações de crédito, somando o que é essencial em termos de alimentação, pagamento da água, da luz e do gás, verificamos que chega ao fim do mês e falta dinheiro", diz Natália Nunes do Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado da Deco.

O rendimento médio mensal das famílias que chegam à Deco é de 1.100 euros: as despesas essenciais levam, no mínimo, 448 euros e quase 900 euros são para prestações de crédito, deixando o orçamento mensal negativo em 208 euros.

O crédito à habitação lidera o valor dos créditos mensais, seguido de créditos pessoais e créditos para pagar créditos. Em média são cinco créditos.

No ano passado, a associação recebeu 30 mil pedidos de ajuda que tendem a aumentar este ano. Só até ao fim de março foram 7 mil os agregados que contataram a associação.

"Se uma família vê o seu rendimento reduzir, claro que o peso com as prestações do crédito aumenta, logo a sua taxa de esforço também aumenta". Em 2021 era de 78%, este ano de 68%, mas ainda há só três meses contabilizados

A Deco afirma que tem tido uma taxa de sucesso de cerca de 80% a reequilibrar as contas destas famílias, mas o equilíbrio entre subidas de preços e juros versus aumentos salariais dirão boa parte do caminho.

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