Mais de 50% das vagas no SNS para ginecologia e obstetrícia ficaram vazias

5 jul, 21:37

Concurso foi anunciado pela Ministra da Saúde em resposta à crise nas urgências e nas maternidades

Mais de metade das vagas abertas em junho para médicos recém-especialistas em ginecologia e obstetrícia interessados em trabalhar nos hospitais públicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ficaram por preencher, num concurso anunciado pela Ministra da Saúde, Marta Temido, já depois do início da actual crise nas urgências.

Os resultados agora publicados em Diário da República e consultados pela CNN Portugal revelam que em quase todas as especialidades existem vagas que ficaram por preencher. Contudo, ginecologia e obstetrícia é a mais afectada.

Para esta especialidade – que está no centro na crise das urgências e das maternidades que se arrasta há quase um mês –  existiam 61 vagas em 37 hospitais, mas só apareceram 28 candidatos elegíveis.

Na prática, os números anteriores significam que já é certo que pelo menos 54% das vagas vão ficar vazias, número que ainda pode aumentar.

O presidente do colégio de  ginecologia e obstetrícia da Ordem dos Médicos detalha que as listas agora publicadas são apenas as listas com os potenciais interessados: os candidatos admitidos irão de seguida escolher as vagas disponíveis em diferentes hospitais e podem desistir.

João Bernardes refere, aliás, que "raramente um candidato vai para muito longe ou para serviços problemáticos se tiver alternativas na privada ou em prestação de serviços no SNS", pelo que à semelhança de anos anteriores dificilmente todos os potenciais interessados irão, de facto, entrar no SNS.

Razões que levam o presidente do colégio da especialidade a defender que é "urgente" alterar a forma como são feitos estes concursos e as condições dadas aos jovens médicos que acabaram a especialidade.
 
Os resultados agora revelados em Diário da República abrangem nove das especialidades incluídas no concurso anunciado a 15 de junho pela ministra Marta Temido e apenas uma das especialidades regista mais candidatos do que vagas.
A falta de candidatos é maior em ginecologia e obstetrícia, mas também atinge em força outras especialidades como anestesiologia (64 candidatos para 87 vagas), medicina interna (127 candidatos para 162 vagas) e médicos de família (378 candidatos para 432 vagas).  

Para o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) o salário de cerca de 1.800 euros oferecido a estes recém-especialistas é baixo e as perspectivas de progressão na carreira são pouco aliciantes.

Além disso, como acrescenta João Bernardes, do colégio da Ordem dos Médicos, o Ministério da Saúde demorou três meses a lançar este concurso desde o fim do internato dos jovens médicos, numa altura em que existe muita oferta de trabalho no privado e no estrangeiro.

Segundo o SIM, muitos dos médicos que poderiam entrar no SNS já estão, entretanto, a trabalhar fora do país, na privada ou como prestadores de serviços.
 

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