Contratação de mais profissionais foi insuficiente para apressar a lista de espera dos doentes não prioritários. O caso de Santarém

5 abr, 13:00

Listas de espera de cirurgias incluem mais de 200 mil pessoas em todo o país. Em Santarém, o Hospital Distrital garante que conseguiu dar resposta a doentes prioritários e muito prioritários, mas os não prioritários viram o tempo de espera aumentar

Peguemos no caso do Hospital Distrital de Santarém (HDS), um dos três que figuram nas três listas de espera mais longas – e o único deles que se prestou a dar esclarecimentos à CNN Portugal - o Hospital de Faro e o Hospital São Bernardo, em Setúbal, não responderam em tempo útil.

“À semelhança de todos os outros hospitais públicos”, o HDS “viu a sua atividade limitada pela pandemia, reorientando os seus recursos”, explica a instituição em resposta enviada por escrito. O hospital adianta que “conseguiu dar resposta” aos doentes prioritários e muito prioritários, mas reconhece que os doentes não prioritários “viram o seu tempo de espera aumentar. Esses valores estão em recuperação desde meados do ano 2021”, garante a mesma fonte.

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“Apesar da contratação de mais profissionais, abertura de novas especialidades, recurso a teleassistência, o HDS tem uma elevada procura em algumas áreas. Embora seja um Hospital Distrital com uma população alvo de 210.000 habitantes, em algumas áreas é referência única para todo o Distrito (500.000 habitantes). Ou seja, tem a procura de um Hospital Central. São exemplos a Dermatologia, Cirurgia Vascular, Radioterapia, Infecciologia, Oncologia Médica”, lê-se no esclarecimento enviado.

O Hospital Distrital de Santarém argumenta ainda que “tem os únicos Centros de Referência de todo o Distrito que pela sua diferenciação e qualidade são fatores de atratividade para um fluxo de doentes superior ao de um típico hospital distrital” e que isso “pesa na procura, levando a algum desequilíbrio na resposta a doentes não prioritários nos serviços envolvidos, ou seja, Cirurgia Geral, Dermatologia, Cirurgia Vascular, Radioterapia, Infecciologia, Oncologia Médica e Ginecologia”.

A acompanhar a resposta, o hospital enviou à CNN Portugal os tempos de espera das três cirurgias que, segundo o site do SNS, estão entre as 25 que mais demoram a ser realizadas. Deste modo, o Hospital Distrital de Santarém garante que em cirurgia geral tem 1.075 doentes, com um tempo médio de espera de 443,72 dias a 31 de março.

Na cirurgia vascular são 505 os pacientes em espera, com um tempo médio de 584,2 dias até à realização da operação, um valor bastante diferente dos mais de 800 dias indicados pelo site do SNS, mas mesmo assim muito acima do tempo médio de 180 dias - e ainda elegível para o top 25 dos maiores tempos de espera. Por fim, diz o hospital, na cirurgia de otorrinolaringologia, estão 400 doentes em lista de espera e o tempo médio é de 505,39 dias.

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