Apresentados milhares de pedidos de escusa de responsabilidade desde o início do ano por enfermeiros, médicos e até farmacêuticos

27 jun, 07:50
Ambiente hospitalar em tempos de pandemia

REVISTA DE IMPRENSA. A classe com mais pedidos de escusa é a dos enfermeiros. Só neste mês foram feitos 5.567, a grande maioria no Hospital de Leiria

Os pedidos de escusa de responsabilidade não param de aumentar no Serviço Nacional de Saúde (SNS). São cada vez mais os enfermeiros, médicos e agora também farmacêuticos hospitalares que o fazem. Desde que o ano começou, já foram apresentadas milhares de declarações que alertam para a faltar de profissionais e outras condições que permitam garantir a qualidade e a segurança dos cuidados prestados. Uma notícia que foi avançada esta manhã pelo Jornal de Notícias (JN). 

No entanto, esta tendência dos pedidos de escusa é recente. Nos enfermeiros começou em 2020, em plena pandemia, mas intensificou-se no ano seguinte. Em novembro do ano passado, a Ordem dos Enfermeiros (OE) tinha recebido 1.300 pedidos. No final de fevereiro deste ano já eram 4.475 e este mês totalizavam 5.567 acumulados. De realçar que cada profissional de saúde pode apresentar escusa várias vezes. Os enfermeiros são a classe com mais declarações apresentadas.

De acordo com o JN, o Hospital de Leiria é o campeão das escusas dos enfermeiros: 3.120 entregues na OE. Na região Sul, com um total de 1.552 escusas, os hospitais do Algarve, Amadora-Sintra e Setúbal são os que enfrentam as situações mais graves. Por norma, as declarações são feitas porque há falta de enfermeiros para assegurar a prestação de cuidados aos doentes em segurança. 

Entre os médicos, os números não são tão elevados, mas pecam por defeito porque nem todas as declarações chegam ao conhecimento do Bastonário da Ordem dos Médicos (OM). Todavia, a tendência é crescente ano após ano. Em 2020, foram 409, mas no ano seguinte já subiu para 587 pedidos. Desde janeiro deste ano até ao início deste mês, já foram apresentadas 230 escusas à OM. A maioria foram feitos em hospitais e centro de saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

Mas há uma estreia: os farmacêuticos. Este mês, pela primeira vez, utilizaram este mecanismo. Primeiro foram os farmacêuticos do Centro Hospitalar Universitário do Porto e depois os do Instituto Português de Oncologia (IPO) Porto. 

A Ordem dos Farmacêuticos (OF) já fez saber que está solidária, mas, ainda assim, teme que a situação se alastre a outras instituições do país. Félix Carvalho, da secção regional Norte da OF, disse que se tratam de "profissionais que estão a trabalhar no limite, o que aumenta o risco de erro". 

Os pedidos de escusa são declarações que os profissionais de saúde preenchem e enviam para as administrações dos hospitais e respetivas ordens, nas quais recusam em determinados momentos incorrer em responsabilidade por considerarem que não têm as condições necessárias para garantir a qualidade e segurança dos cuidados ao doente. 

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