A greve dos médicos às horas extraordinárias começou em agosto e tinha fim marcado para dia 31 de dezembro, mas a Federação Nacional dos Médicos já renovou o pré-aviso de greve, estando prevista uma paralisação até março do próximo ano
A Linha SNS 24 está a encaminhar aos fins de semana utentes para unidades SAC (Sistema de Apoio à Consulta) dos centros de saúde, quando há médicos a fazer greve às horas extraordinárias. A CNN Portugal sabe de um caso que aconteceu este domingo no SAC de Odivelas, em que uma utente com uma infecção respiratória bacteriana foi encaminhada para uma consulta de doença aguda nesta unidade onde os médicos estavam de greve.
A mulher que foi encaminhada para uma unidade sem médicos não conseguiu ser vista clinicamente e teve de ligar novamente para a Linha SNS 24 e foi encaminhada para o hospital, onde conseguiu um atendimento.
Em resposta por escrito, a ULS Loures Odivelas refere que “em contexto de greve, os profissionais não têm obrigação de comunicar antecipadamente a sua ausência ao Serviço nem poderão ser substituídos”. A CNN Portugal contactou ainda o Ministério da Saúde para saber se estão a par destes episódios e se está a ser planeada alguma mudança na referenciação dos utentes, mas remeteu os esclarecimentos para os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), que não responderam em tempo útil.
Esta não é, no entanto, a primeira vez que a Linha SNS 24 encaminha utentes para unidades sem médicos para os atender. Uma situação semelhante aconteceu no final do ano passado em Sete Rios, Lisboa, e no início deste ano, em Vila Franca de Xira.
A greve dos médicos às horas extraordinárias começou em agosto e tinha fim marcado para dia 31 de dezembro, mas a Federação Nacional dos Médicos já renovou o pré-aviso de greve, estando prevista uma paralisação até março do próximo ano.
Joana Bordalo e Sá, presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), crê que este cenário seja comum em várias outras unidades de cuidados de saúde primários pelo país, sobretudo nos SAC, abertos ‘fora de horas’, incluindo ao fim de semana, onde, “infelizmente para os utentes”, “o trabalho prestado pelos médicos é em horas extraordinárias”.
A dirigente sindical lembra que “a Linha SNS 24 não tem maneira de saber se os médicos estão ou não em greve”, mas apressa-se a dizer que, sendo esta uma greve que se arrasta desde o verão e que este cenário de mau referenciamento já tinha acontecido no final de 2023 e início de 2024, e sabendo “a priori” que a “unidade de saúde não está a funcionar”, a Linha SNS24 “deveria encaminhar [o utente] para onde eles [os médicos] existem, seja urgência, se for grave, ou um centro de saúde na segunda-feira, em horário normal”. Joana Bordalo e Sá, atira ainda que se tivessem sido contratados os médicos necessários para os centros de saúde, que este tipo de situações não aconteciam.
Esta greve às horas extra abrange todos os médicos dos cuidados de saúde primários (centros de saúde), mesmo que não tenham atingido o limite anual legal do trabalho suplementar de 150 horas.