É agora ou poderá ser tarde: Governo anuncia plano nacional de resistência a sismos

5 ago, 22:15
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Inspeções e obras em escolas, hospitais e outros edifícios críticos

O Governo vai avançar com um plano nacional de redução do risco sísmico, pensado para 30 anos. O Estado assume pela primeira vez um compromisso de longo prazo para preparar Portugal para um grande terramoto. 

O ministro das Infraestruturas e Habitação recebeu em audiência especialistas em Engenharia Sísmica e Geologia que escreveram aos órgãos de soberania a clamar pela urgência de uma estratégia nacional de prevenção. “Estou em condições políticas de assumir esse compromisso”, declarou Miguel Pinto Luz à CNN Portugal, no final da reunião. 

O objetivo passa por desenvolver um programa capaz de resistir à alternância dos governos e produzir resultados mensuráveis até 2055, quando se assinalam os 300 anos do terramoto que destruiu Lisboa e marcou a história do país. 

Entre as primeiras medidas está a revisão dos códigos da construção e da reabilitação urbana. O trabalho está a ser desenvolvido com o apoio de entidades como o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), o Instituto Superior Técnico e a Ordem dos Engenheiros, que criou recentemente uma comissão especializada em Gestão de Riscos. 

O plano promoverá um levantamento sistemático da segurança sísmica de infraestruturas consideradas críticas. Creches, escolas, hospitais, redes de abastecimento de água, redes elétricas e outros equipamentos essenciais deverão ser alvo de inspeções destinadas a identificar vulnerabilidades e prioridades de intervenção. 

O Presidente da República foi o primeiro a receber os peritos, colocando a redução do risco sísmico entre as prioridades nacionais. António José Seguro defendeu que esta deve ser uma política de Estado, capaz de sobreviver aos ciclos eleitorais e às mudanças de governo. 

Miguel Pinto Luz lamenta que a comunidade científica tenha vindo, durante décadas, a alertar sucessivos governos para a necessidade de preparar o país, sem que esses avisos tenham sido ouvidos.  

Quanto ao timing da apresentação, o gabinete do ministro esclarece que “está a ser desenvolvido trabalho técnico, em estreita colaboração com o LNEC, e auscultação de diversas entidades, designadamente as Ordens Profissionais , especialistas do IST, da Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica e do Programa ReSist da Câmara Municipal de Lisboa”. 

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