Sismicidade em São Jorge continua acima do normal apesar da “acalmia”. Nas últimas 24 horas, registaram-se 603 sismos

Agência Lusa , BCE
3 abr, 15:08
Ilha de São Jorge, Açores (Lusa/ António Araújo)

O sismo mais energético desde o início da crise teve uma magnitude de 3,8 na escala de Richter

O CIVISA afirmou este domingo que São Jorge, nos Açores, continua a registar uma sismicidade “muita acima” do que é “considerado normal”, apesar da “acalmia” nos abalos sentidos, reiterando que “todos os cenários estão em cima da mesa”.

No briefing diário para a atualização da crise sismovulcânica de São Jorge, a investigadora do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) Fátima Viveiros avançou que nas últimas 24 horas foram registados 603 sismos, um dos quais sentido pela população.

 “Comparando com os últimos dias, tem-se verificado uma ligeira diminuição no número de sismos registados. Contudo, estamos a falar de um sistema natural. Estamos a falar de um sistema que, de qualquer forma, tem um número de sismos muito superior àquilo que sempre foi o registado nos últimos 30 anos”, afirmou aos jornalistas, nas Velas.

A coordenadora das operações do CIVISA em São Jorge reiterou que desde 19 de março, início da crise, que o registo sísmico está “muito acima do que é considerado normal”, mesmo “comparando com toda a sismicidade do resto do arquipélago”.

“Esta acalmia, olhando para os números, não significa que o sistema está calmo. Estamos muito acima daquilo que tem sido a sismicidade em São Jorge [antes da crise] e no arquipélago dos Açores”, afirmou.

Fátima Viveiros destacou que o CIVISA tem “todas as equipas em alerta máximo”, seja na ilha de São Jorge, seja na Universidade dos Açores, onde estão a “processar os dados que vão chegando em contínuo”.

Já foram registados mais de 26 mil sismos

“No total, desde o início da crise, temos então 26.348 sismos registados e um total de 225 sismos sentidos. As profundidades continuam naquela gama entre os sete e os 13 quilómetros, como tem vindo a ser reportado”, acrescentou.

Segundo disse, “todos os cenários” continuam em “cima da mesa”, como a possibilidade da ocorrência de uma erupção vulcânica ou de um sismo de maior magnitude.

“Todos os cenários que se vêm falando desde o início da crise estão em cima da mesa. Todos os cenários, desde do aumento da sismicidade até outros eventuais cenários. Não existe nenhum motivo para excluir qualquer um deles”, apontou.

A investigadora acrescentou que o CIVISA está a “trabalhar numa imagem” de interferometria de radar captada via satélite, esperando ter “novidades” sobre o assunto na próxima segunda-feira: “a imagem tal qual está tem de ser processada e avaliada”.

A ilha de São Jorge, nos Açores, contabilizou mais de 26 mil sismos, cerca de 225 dos quais sentidos pela população, desde o início da crise sismovulcânica a 19 de março, segundo os dados oficiais mais recentes.

O sismo mais energético desde o início da crise teve uma magnitude de 3,8 na escala de Richter.

Cerca de 2.500 pessoas já saíram do concelho das Velas, centro da crise sísmica, das quais 1.500 por via aérea e marítima, e as restantes para o concelho vizinho da Calheta, considerado mais seguro pelos especialistas.

A ilha mantém-se com o nível de alerta vulcânico V4(ameaça de erupção)de um total de sete, em que V0 significa “estado de repouso” e V6 “erupção em curso”.

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