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"Grande nível de vítimas" que pode chegar aos milhares: Myanmar e Tailândia, o que se sabe

Sofia Marvão , com Lusa
28 mar 2025, 18:34
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Um sismo de magnitude 7,7 na escala de Richter atingiu Myanmar, a Tailândia e o sul da China. Há registo de pelo menos 153 mortos e centenas de feridos.

“Disse aos meus filhos que não podíamos ficar ali e tínhamos de sair, por isso descemos a correr. Ainda estou a tremer.” Este é apenas um dos relatos de quem viveu o sismo de 7,7 de magnitude que atingiu o sudeste asiático, esta sexta-feira de manhã. Sirinya Nakauta estaria a dormir quando o terramoto se fez sentir com grande intensidade em Myanmar, na Tailândia e no sul da China: “Pensei que a minha cabeça estava a girar, mexi-me para ver o que estava a acontecer e as coisas começaram a balançar ainda mais, por isso corri para os meus filhos e abrigámo-nos debaixo da mesa”.

O português Diogo Cunha, que se encontra de férias na Tailândia há cerca de uma semana, conta à CNN Portugal que estava no seu apartamento, no 25.º andar do hotel, quando se deu o sismo. Relata que viu os quadros e candeeiros caírem face ao “abalo muito forte”, levando-o a dirigir-se rapidamente para o corredor daquele edifício. “As pessoas estavam em pânico, a correr de um lado para o outro, umas com bebés ao colo, outras com cães”. O pânico, diz, “durou mais ou menos um minuto”, até os hospedes descerem até ao rés-do-chão, pelas escadas de emergência. “Estavam outras pessoas no pátio do hotel, mas não vi muitos estragos”, descreve. Apenas “alguns postes de iluminação inclinados e uma árvore ligeiramente caída”.

Enquanto partilha à sua experiência, já num período de maior acalmia, Diogo observa uma rua “muito caótica” e “completamente cheia de carros”. “Não se pode apanhar um táxi, é impossível, só se consegue andar a pé”, destaca. O metro paralisou, as estações foram fechadas, mas “aos poucos já se começam a abrir as coisas”, como estabelecimentos comerciais.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), citado pela agência Reuters, o sismo – que teve uma profundidade de 10 quilómetros, com epicentro a cerca de 17,2 quilómetros de Mandalay – fez pelo menos 153 mortos, nove dos quais em Banguecoque, na Tailândia. Foram registados 100 desaparecidos na capital tailandesa até ao momento e declarada zona de catástrofe. O governador dá conta de danos em muitos edifícios altos, embora ainda não seja possível contabilizar o número total. O aeroporto continua a operar normalmente. O mesmo serviço referiu, numa estimativa baseada no impacto, que podem ser milhares de vítimas mortais.

Cerca de 12 minutos depois do primeiro terramoto, Myanmar foi atingido por uma réplica de magnitude 6,4, perto da cidade de Sagaing. Os dados mais recentes da televisão pública daquele país dão conta de, pelo menos, 144 mortes e 732 feridos.

O comandante do Corpo de Bombeiros Voluntários de Carcavelos e São Domingos de Rana, Paulo Santos, considera que “o número de mortos pode aumentar exponencialmente” nas próximas horas, à medida que forem efetuadas as operações de resgate e salvamento. Em declarações à CNN Portugal, esclarece ainda que o facto de haver um bloqueio à internet em Myanmar, limita a atualização destes números em tempo real.

Paulo Santos explica também que as prioridades no resgate de sobreviventes e vítimas passam, primeiramente, por avaliar danos estruturais e identificar perigos, estabelecer um comando operacional e, finalmente, iniciar operações de busca e localização. “Tem de ser tudo previamente avaliado e depois, a eventual progressão para o interior, é feita através do escoramento destas estruturas, criando pequenos túneis de acesso às áreas onde há possibilidade de haver alguém com vida”. Ou seja, “as primeiras equipas não vão salvar ninguém, vão fazer um reconhecimento da situação”, conclui. “E isso pode levar dias”.

Entretanto, o governo português já anunciou que está a acompanhar a ocorrência, não tendo indicação de portugueses afetados, adiantou uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros à agência Lusa.

O USGS, por outro lado, estima que possa existir "um grande nível de vítimas e danos extensos", essencialmente nas regiões de Sagaing e Meiktila, em Myanmar, devido à existência de estruturas vulneráveis onde reside parte da população. O chefe da junta militar daquele país, Min Aung Hlaing, apelou a "todos os países, todas as organizações" que ajudem as vítimas. Os militares no poder em Myanmar lançaram, entretanto, um apelo à ajuda internacional. 

O governo da Índia comunicou que está preparado para enviar ajuda para as zonas afetadas. 

Em declarações a partir de Rangum, a coordenadora da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), Marie Manrique, confirmou a queda da ponte principal que liga Mandalay a Sagaing. "Representará um grande desafio logístico” para aceder à população de Sagaing, alertou numa videoconferência com Genebra, na Suíça, citada pela agência espanhola EFE.

Manrique explicou que Sagaing está localizada numa área fortemente afetada pelo conflito interno na antiga Birmânia, no qual o exército e vários grupos armados irregulares têm estado envolvidos nos últimos anos. Por esta razão, a zona alberga o maior número de pessoas deslocadas no país, referiu. Manrique disse que há também preocupação “com uma grande barragem que está a ser monitorizada para avaliar o seu estado”.“Estamos a trabalhar com informações muito limitadas neste momento. À medida que formos avançando, saberemos mais sobre a extensão dos danos”.

O sismo também foi sentido com intensidade em várias cidades do sul da província chinesa de Yunnan, embora até agora os danos registados tenham sido pouco significativos, segundo a EFE.

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