Mais de 550 eventos sísmicos registados nas últimas horas na ilha de São Jorge

Agência Lusa , BMA
26 mar, 12:53
Crise sismovulcânica em São Jorge: Estado do tempo piora nas próximas horas

Crise sismovulcânica em São Jorge iniciou-se há uma semana, tendo o sismo mais energético ocorrido no sábado passado, às 18:41, com uma magnitude de 3,3, na escala de Richter

O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA) registou, desde a meia-noite, 560 eventos sísmicos na ilha de São Jorge, o que representa uma diminuição face ao número verificado na véspera.

“Ao longo do dia de [sexta-feira], a análise preliminar dos registos sísmicos permitiu contabilizar cerca de 870 eventos. Entre as 00:00 [01:00 em Lisboa] e as 10:00 de hoje foram contabilizados aproximadamente 560 eventos, o que reflete uma ligeira diminuição da atividade sísmica. Todos os sismos registados até ao momento são de baixa magnitude e evidenciam uma origem de natureza tectónica”, avançou o CIVISA, em comunicado de imprensa.

O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores realça, no entanto, que a atividade sísmica na parte central da ilha de São Jorge, que se regista “ao longo de uma faixa com direção WNW-ESE [oés–noroeste/lés–sudeste], num setor compreendido entre Velas e Fajã do Ouvidor, “continua acima dos valores de referência”.

A crise sismovulcânica em São Jorge iniciou-se às 16:05 de sábado passado, tendo o sismo mais energético ocorrido nesse dia às 18:41 com uma magnitude de 3,3, na escala de Richter.

Milhares de sismos de baixa magnitude

O CIVISA já registou milhares de sismos de baixa magnitude, tendo sido sentidos pela população mais de 186.

De acordo com o site do CIVISA, desde as 00:00 deste sábado foram sentidos dois sismos pela população, um às 02:14, com magnitude 1,9 na escala de Richter e intensidade de III na escala de Mercalli modificada, e outro às 03:22, com magnitude de 2,5 na escala de Richter e intensidade III/IV na escala de Mercalli modificada.

O CIVISA “alerta para a possibilidade de ocorrência de sismos que podem atingir magnitudes mais elevadas do que as registadas até ao momento, assim como para o perigo de ocorrência de derrocadas potenciadas pela atividade sísmica e pelas adversas condições meteorológicas que afetam o arquipélago”.

“Existe a possibilidade real de se poder vir a registar uma erupção vulcânica, mas não há evidências de que tal esteja iminente”, frisou.

Segundo o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores “a campanha de medição de gases e temperatura no solo”, que tem vindo a desenvolver desde o início desta crise, na área epicentral, “não resultou, até à data, na identificação de qualquer anomalia, continuando os levantamentos de campo a decorrer nos próximos dias”.

“No âmbito da monitorização geodésica, o CIVISA, em colaboração com outras entidades, encontra-se a reforçar a rede de observação baseada em estações GNSS e a proceder ao tratamento de imagens de satélite. Os dados existentes até à data corroboram as observações sismológicas ao indiciarem a existência de alguma deformação na área epicentral”, apontou.

Estruturas tectónicas "reativadas"

O CIVISA realça, no entanto, que “a integração da informação disponível permite concluir que as estruturas tectónicas onde se desenvolveram as erupções históricas de 1580 e 1808, e a crise sismovulcânica de 1964, no Sistema Vulcânico fissural de Manadas, foram reativadas, sendo de admitir a ocorrência de uma intrusão magmática em profundidade”.

Na quarta-feira, o CIVISA elevou o nível de alerta vulcânico na ilha de São Jorge para V4 (de um total de seis), o que significa “possibilidade real de erupção”.

Perante este cenário, o executivo açoriano recomendou à população com maiores vulnerabilidades da principal zona afetada na ilha de São Jorge (entre a Fajã das Almas e as Velas) que abandone as suas casas.

As ilhas do grupo central dos Açores, onde se inclui a ilha de São Jorge, estão sob aviso amarelo devido às previsões de chuva.

Portos de São Jorge preparados para agravamento da situação

A empresa Portos dos Açores, que gere as infraestruturas portuárias da região, anunciou hoje que está a preparar os portos da ilha de São Jorge para dar resposta a um eventual agravamento da crise sismovulcânica na ilha.

Em comunicado de imprensa, a empresa justifica as medidas adotadas com “a imperiosa relevância de garantir e manter a permanente operacionalidade e segurança dos portos de Velas e Calheta [dois concelhos de São Jorge] e assegurar a sua centralidade no dispositivo geral de proteção civil e salvaguarda de quem parta dali e, igualmente, daqueles que irão permanecer na ilha”.

A Portos dos Açores sublinha que, “em caso de calamidade”, as infraestruturas portuárias serão “fundamentais para garantir a deslocação das populações para outras ilhas, se for o caso, e para fazer chegar a São Jorge meios, equipamentos e recursos humanos especializados para acorrer às necessidades de intervenção de emergência”.

Entre as várias medidas já tomadas “a título preventivo”, a Portos dos Açores realça que foram promovidas “diversas ações de sensibilização junto da comunidade portuária do porto das Velas (concelho onde estão localizados os epicentros dos sismos), alertando todos os utentes e clientes daquela infraestrutura portuária para a eventualidade de ali se virem a registar condicionamentos ao funcionamento”, se a empresa se vier a “constituir em entidade com especiais deveres e responsabilidades, perante a Proteção Civil”.

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