"Emergência durará três anos": cidade colombiana de Cali enfrenta longa reconstrução após sismo

Agencia EFE , MCC
18 ago, 19:20
Sismo na Colômbia (ERNESTO GUZMAN JR/EFE/EPA via Lusa)
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139 pessoas morreram em Cali na sequência do sismo de 7,4

A reconstrução da cidade colombiana de Cali após o terramoto de magnitude 7,4 da semana passada pode prolongar-se por cerca de três anos, afirmou o autarca da localidade, Alejandro Eder.

"Estamos a viver (...) uma emergência que durará cerca de três anos. Estamos na fase de assistência às vítimas, mas depois temos de reconstruir Cali: uma Cali resiliente, uma Cali inclusiva, uma Cali com futuro, uma Cali para os jovens. Cali sairá mais forte, vamos seguir em frente", disse Eder à EFE.

O terramoto provocou pelo menos 304 mortos no país, 139 dos quais em Cali, capital do Valle del Cauca e uma das cidades mais afetadas pelo sismo, segundo dados do Instituto de Medicina Legal (IML), embora o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, tenha reduzido para 289 o número de mortos num discurso dirigido ao país na noite passada.

O autarca afirmou que a emergência entra numa nova fase centrada na assistência às vítimas e na recuperação da cidade, depois dos esforços iniciais de busca e salvamento.

"No início, uma única missão: salvar vidas", afirmou o autarca, que explicou que, nos locais onde os edifícios colapsaram, as autoridades passaram, após a primeira semana de trabalhos de busca, para a remoção das vítimas mortais.

A assistência está agora também concentrada nas milhares de pessoas afetadas pelo terramoto.

"Foi uma semana evidentemente muito difícil, foi necessário ajudar muito e estar atento à população. Neste momento, só tenho essa preocupação: que esses habitantes de Cali estejam bem", afirmou Eder.

Mais de trinta departamentos da Câmara Municipal foram mobilizados para responder à emergência e a Secretaria de Infraestruturas retirou até agora 25.032 toneladas de escombros.

Serviços públicos restabelecidos

Um dos principais desafios após o terramoto foi recuperar os serviços públicos, especialmente a eletricidade.

O sismo deixou 350 mil utilizadores sem eletricidade, o equivalente a mais de 50%, e deixou 44 circuitos elétricos fora de serviço.

Segundo o gerente das Empresas Municipais de Cali (Emcali), Roger Mina, a resposta das equipas técnicas permitiu que, em menos de dois dias, 99% dos utilizadores de Cali tivessem novamente o serviço de eletricidade normalizado.

A conectividade também se tornou uma ferramenta fundamental durante a emergência.

"Na Emcali instalámos doze pontos móveis de ligação por satélite à internet em diferentes zonas de Cali para facilitar as comunicações dos socorristas e das famílias afetadas. Quando Cali precisa de nós, estamos lá", afirmou Mina à EFE.

O restabelecimento destes serviços permitiu avançar na assistência às comunidades enquanto prosseguiam os trabalhos de resgate, remoção de escombros e avaliação das estruturas afetadas.

Solidariedade de todos

O autarca destacou também a ajuda internacional e nacional recebida durante a emergência.

"Cali recebeu ajudas e apoio de El Salvador, Peru, México e Estados Unidos através do Governo; também de Bogotá, de outras cidades, mas sobretudo dos habitantes de Cali, que foram muito generosos", afirmou.

A Câmara Municipal disponibilizou espaços de coordenação para organizar a receção de alimentos, ajuda humanitária e outros bens destinados às famílias afetadas.

A dimensão da tragédia também afetou emocionalmente aqueles que estão à frente da resposta. Eder reconheceu que, embora a sua prioridade enquanto governante tenha sido manter o foco em salvar vidas, há momentos em que a carga emocional pesa.

"Não se pode perder o objetivo principal, que é salvar vidas. Não há nada mais importante para um governante do que salvaguardar a vida. Dito isto, evidentemente há momentos em que nos vamos abaixo", reconheceu.

Para o autarca, a emergência está apenas a começar e o desafio será reconstruir uma cidade que não só recupere o que perdeu, mas que aproveite o processo para se transformar.

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