Testes de rastreio para VIH subiram 26% no ano passado. Rastreios às hepatites B e C também aumentaram 10%

Agência Lusa , BCE
16 mai, 16:15
VIH/Sida

Os dados sobre os rastreios ao VIH e às hepatites B e C foram divulgados esta segunda-feira, quando arranca a Semana Europeia do Teste da Primavera de 2022, com o objetivo de promover a consciencialização sobre o benefício do diagnóstico precoce da infeção por VIH

O número de testes de rastreio para VIH subiu 26% no ano passado, tendo sido feitos 325.000, o mesmo acontecendo com os rastreios para as hepatites B e C, que no total chegaram quase aos 860 mil.

Segundo dados revelados esta segunda-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS), realizaram-se nos cuidados primários 300 mil testes para a infeção por VIH, um aumento de 31% relativamente ao ano anterior. As organizações não-governamentais e de base comunitária fizeram 25 mil.

Quanto aos testes de rastreio às hepatites B e C, subiram 10% no ano passado, chegando aos 477.500 e 382 mil, respetivamente.

Em declarações à Lusa, o responsável pelo Programa Nacional para as Hepatites Virais, Rui Tato Marinho, congratulou-se com este aumento, sublinhando que um dos objetivos deste programa era precisamente um aumento dos rastreios, sublinhando a importância de toda a população fazer estes testes “pelo menos uma vez na vida, mesmo sem sintomas”.

“Uma gota de sangue permite identificar pessoas em fases iniciais destas doenças, que são assintomáticas”, afirmou o responsável, sublinhando: “As pessoas aceitam bem procurar saber o que têm, pois em testes covid-19 foram feitos 40 milhões”.

Tato Marinho diz que o objetivo é tratar cerca de 2.500 pessoas com hepatite C até final deste ano. Os dados oficiais indicam que, desde 2015, já foram tratadas 30.000 pessoas.

Os dados da DGS indicam que, relativamente às hepatites B e C, no ano passado, nos cuidados de saúde primários e nos hospitais foram prescritos e faturados, no total, cerca de 460 mil testes anti-BHs e 360 mil anto-VHC.

Quanto aos testes efetuados através de organizações não-governamentais e organizações de base comunitária, foram realizados mais de 17.500 testes de hepatite B e 22.800 testes de Hepatite C no ano passado, o que representa um aumento de 26% e 44%, respetivamente, face a 2020.

“Estes dados confirmam o esforço de manter a resposta de rastreio e diagnóstico destas infeções, num ano ainda fortemente afetado pela pandemia de covid-19”, refere uma nota da DGS.

Em declarações à Lusa, Rui Tato Marinho reconheceu que Portugal tem uma boa logística montada no terreno: “Desde a catástrofe do consumo de drogas, nos anos 80, o país organizou-se muito bem e, neste momento, há muita gente no terreno de apoio às populações mais vulneráveis, onde há uma percentagem grande de pessoas com hepatites, nomeadamente hepatite C”.

Infeção é "transversal a qualquer grupo etário"

De qualquer forma, Tato Marinho insiste que é preciso chegar à população em geral, sublinhando: “Não se pode pensar que o risco é só ter consumido drogas ou ter relações sexuais… o risco é estar vivo”.

“É transversal a qualquer profissão, a qualquer grupo etário (…). Estamos a lidar com doenças silenciosas e a única forma de diagnosticar é fazer o teste. Uma gota permite identificar três vírus que, neste momento, têm vacina e tratamento com cura a 100%. E o VIH também é supercontrolável”, acrescentou.

Disse ainda que a expectativa para este ano é que a Hepatite C “aumente um pouco” e disse estar a tentar melhorar a afinação do circuito de aprovação do medicamento e acesso a medicação, “que estava muito burocrático”.

“A ideia é, que o médico passa o medicamento para a Hepatite C, a pessoa poder levar logo para casa nesse dia, evitando ter de ir a uma nova consulta”, explicou, acrescentando: “Este é também um dos objetivos prioritários do programa”.

Os dados sobre os rastreios ao VIH e às hepatites B e C foram divulgados esta segunda-feira, quando arranca a Semana Europeia do Teste da Primavera de 2022, com o objetivo de promover a consciencialização sobre o benefício do diagnóstico precoce da infeção por VIH, infeções sexualmente transmissíveis e hepatites virais e a eficácia da adesão ao tratamento.

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