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Shoigu alerta que nenhuma região russa está a salvo dos ataques ucranianos

17 mar, 16:57
Vladimir Putin e Sergei Shoigu, 9 de maio de 2024 (AP Photo/Alexander Zemlianichenko)

Moscovo admite que o avanço tecnológico de Kiev deixou todas as regiões russas à mercê dos drones ucranianos

Há quatro anos, quando as tropas russas cruzaram a fronteira ucraniana, Moscovo estava confiante numa vitória rápida e decisiva. Quatro anos depois, o cenário inverteu-se de forma drástica, com as mais altas figuras do poder russo a admitir que a guerra atravessou a fronteira e que nenhuma região do seu vasto território está imune aos ataques de Kiev.

O alerta mais recente e expressivo partiu de Sergei Shoigu, atual secretário do Conselho de Segurança da Rússia e antigo ministro da Defesa. Numa reunião com responsáveis locais na cidade de Ecaterimburgo, nos Urais, Shoigu alertou para a crescente vulnerabilidade russa face à evolução tecnológica do adversário ucraniano. 

Citado pela agência estatal TASS, o responsável avisou que o ritmo de desenvolvimento de armamento da Ucrânia, sobretudo ao nível dos sistemas de drones não tripulados, e a sofisticação tática empregue "são de tal ordem que nenhuma região da Rússia se pode sentir segura".

Os dados apresentados por Moscovo ilustram bem esta mudança de paradigma. Segundo Shoigu, os ataques de sabotagem ucranianos em solo russo sofreram um aumento de 40% em 2025, contabilizando-se 1.830 incidentes.

A intensidade desta nova fase do conflito ficou demonstrada de forma clara nos últimos dias. O presidente da câmara de Moscovo anunciou que as defesas antiaéreas travaram o maior ataque à capital em pelo menos um ano, abatendo 250 drones ucranianos ao longo do fim de semana. A esta ofensiva somaram-se os dados do Ministério da Defesa russo, que reportou a interceção de mais 421 drones em apenas 24 horas.

A estratégia da Ucrânia tem passado por responder aos intensos bombardeamentos russos de artilharia, ataques aéreos e drones, levando o conflito para as profundezas da Rússia. Através de grupos de sabotagem e enxames de drones, Kiev tem devastado infraestruturas críticas da máquina de guerra e economia russas, atacando refinarias, oleodutos e eliminando generais.

Para o Kremlin, o sucesso destas incursões ucranianas não resulta apenas da capacidade de Kiev. Na mesma reunião, Shoigu alegou que uma rede composta por agências de inteligência de 56 países está a operar ativamente contra a Rússia, facilitando o que classificou como ataques "terroristas e de sabotagem", embora não tenha nomeado quais as nações envolvidas.

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