Longa espera chega ao fim: Shein entra na bolsa, mas vale agora menos 73% do que em 2022

Agencia EFE , TFR
31 ago, 09:01
Shein (Getty Images)
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A entrada em bolsa da Shein surge depois de planos frustrados para vender ações em Nova Iorque e Londres, neste segundo caso devido à intervenção, em última instância, dos reguladores chineses

A plataforma de "moda rápida" Shein protagonizará na terça-feira uma das estreias em bolsa mais aguardadas dos últimos anos, pondo fim a anos de avanços e recuos e de ofertas frustradas em Nova Iorque e Londres, um longo percurso que resultou numa avaliação 73% inferior ao seu pico de 2022.

A Shein tinha previsto oficializar esta segunda-feira o montante final da operação, embora ainda não o tivesse feito à hora da publicação desta notícia.

Segundo fontes citadas pela Bloomberg, a empresa fixou o preço unitário das 280 milhões de ações que coloca no mercado em 48,56 dólares de Hong Kong (5,35 euros), ligeiramente acima do ponto médio dos valores preliminares que tinha apresentado.

Isto traduzir-se-ia numa angariação equivalente a 1.734 milhões de dólares e numa avaliação de mercado de cerca de 26.304 milhões, muito abaixo dos 98.200 milhões que chegou a atingir em 2022, após a sua antepenúltima ronda de financiamento, embora um ano depois já tivesse caído para 64.000 milhões.

De facto, os termos da oferta contemplam pagamentos de até 3.500 milhões de dólares, tanto em ações como em dinheiro, para compensar os seus investidores estratégicos por essa perda; esse valor representa praticamente o dobro da angariação, que a Shein destinará maioritariamente a melhorias tecnológicas e à expansão global.

Um modelo em risco

Entre esses apoios encontram-se fundos estrangeiros como a General Atlantic ou a Tiger Capital e empresas nacionais como a Boyu ou o gigante digital Tencent, que já comprometeram 383 milhões de dólares para garantir cerca de 22% das ações colocadas no mercado, embora essa percentagem possa ser diluída caso a Shein exerça a sua opção de sobrealocação para emitir outros 42 milhões de títulos.

A entrada em bolsa da Shein surge depois de planos frustrados para vender ações em Nova Iorque e Londres, neste segundo caso devido à intervenção, em última instância, dos reguladores chineses, o que levou a empresa a optar finalmente por Hong Kong como ponto intermédio entre os investidores internacionais e as autoridades do seu país de origem.

Além disso, a plataforma enfrenta um grande problema em dois dos seus principais mercados, os Estados Unidos (24% das suas receitas) e a Europa (35%), uma vez que ambos os territórios eliminaram as isenções tarifárias aplicadas a pequenas encomendas que tinham facilitado a expansão da empresa: nos EUA, as suas receitas já caíram 14% no primeiro trimestre.

A empresa avisou que irá transferir os custos adicionais para os clientes em ambos os mercados, antecipando, no caso da Europa, um "impacto negativo a curto prazo" no volume de vendas.

A Shein procura assim proteger margens que, em termos líquidos, já caíram de 8,7% para 4,9% em 2025, devido ao aumento dos gastos com logística e marketing, este último possivelmente explicado pela crescente concorrência no setor por parte da também chinesa Temu ou de concorrentes tradicionais, como a espanhola Inditex.

"Top 3" mundial

Ainda assim, a Shein continua a ser um dos grandes nomes do setor mundial da "moda rápida", ocupando a terceira posição, com uma quota de 1,9%, apenas atrás da Nike (3%) e da Inditex (2,5%), segundo dados da consultora chinesa CIC, que avalia em 1,7 biliões de dólares o valor total deste mercado.

A Shein defende que a sua principal vantagem é a estratégia que designa por LATR, através da qual testa o mercado com o lançamento de novos produtos em pequenos lotes, entre 100 e 200 unidades, avaliando em tempo real a resposta dos clientes e conseguindo repor «em apenas cinco dias» aqueles que têm procura.

A atual Shein foi fundada em 2012 como "SheInside" — nome que mudou para o atual três anos mais tarde — por Chris Xu, que continua a ser o seu diretor executivo e que, até este ano, tinha resistido a fazer aparições públicas.

A explosão da Shein ocorreu com o crescimento do comércio eletrónico durante a pandemia de covid-19, embora o seu sucesso também tenha colocado a empresa no centro de um intenso escrutínio devido ao seu impacto ambiental e laboral, à venda de produtos ilegais ou a práticas comerciais enganosas.

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