Aos 81 anos, William Yarber, reputado professor de sexualidade humanidade, gostaria de ter novamente um relacionamento romântico
Quer ter sexo incrível? Para William Yarber, professor de sexualidade humana reconhecido mundialmente, agora no seu 41º ano de ensino na Indiana University, não há nenhum segredo. É tudo uma questão de partilhar com o seu parceiro romântico as seguintes palavras mágicas: “Como é que gostas de ser tocado?” e “É assim que eu gosto de ser tocado”.
“A essência da sexualidade é dar e receber toques prazerosos”, diz Yarber, de 81 anos, que também é o principal autor de “Human Sexuality: Diversity in Contemporary Society” [“Sexualidade Humana: Diversidade na Sociedade Contemporânea”], uma referência que mais de 300 universidades e faculdades utilizam por todos os Estados Unidos da América.
Yarber conta que alguns dos seus alunos seguiram este conselho, relatando-lhe coisas como estas ao longo dos anos: “Tentei com o meu parceiro e a nossa intimidade está melhor”, “o nosso prazer melhorou”, “fortaleceu o nosso relacionamento”.
Agora, é o próprio Yarber que deseja um relacionamento romântico.
Casou-se com Margaret Covher, uma professora de Inglês no ensino secundário, em 2000. Contudo, a mulher acabaria por falecer em agosto de 2021. Como casal, eram “emocionalmente íntimos”, conta. “Foi algo verdadeiro e poderoso no nosso relacionamento”.
Tinham uma idade próxima e gostavam de ir ao teatro e ao cinema, sobretudo para ver filmes estrangeiros.
Yarber e Covher já se tinham divorciado quando ela sofreu um acidente vascular cerebral em 2017. Ainda assim, o professor tornou-se o seu principal cuidador. Yarber explica que se divorciaram porque a ex-mulher queria mais independência, embora nunca tenham deixado estar envolvidos um com o outro.
“Ainda a amava”, reflete. “Não estava à procura de mais ninguém”.
“Extraordinária compaixão pelos outros”
Agora, mais de três anos após a morte da ex-mulher, Yarber conta que está solteiro e que espera encontrar uma parceira, alguém com um perfil entusiástico, que lhe permita construir um vínculo dinâmico com carinho e atração mútua.
Os amigos concordam que está pronto para dar esse passo.
“O William tem qualidades extraordinárias”, descreve por email Justin Garcia, diretor executivo e cientista sénior no Kinsey Institute da Indiana University, que trabalhou de perto com Yarber desde 2013.
“Ele é extremamente social, curioso, determinado, generoso e tem um humor contagiante”, acrescenta. “E também tem um estilo impecável: é um dos professores mais bem vestidos da universidade. Mas a característica que o define melhor, penso, é a sua extraordinária compaixão pelos outros”.
Aproximadamente um em cada dois adultos nos Estados Unidos da América relata ter experienciado solidão. As taxas mais altas de isolamento são registadas entre os adultos mais velhos. Encontrar o amor – algo que é um desafio em qualquer idade – traz consigo um conjunto de desafios adicionais para homens e mulheres nas suas sétima, oitava e nona década de vida.
Uma verz que o universo de potenciais companheiros é menor na idade de Yarber, qualquer procura por um novo companheiro ou parceiro romântico exige um bocadinho mais de criatividade, refere Jeffrey Kullgren, diretor do National Poll on Healthy Aging [Inquérito Nacional sobre Envelhecimento Saudável] da National Poll on Healthy Aging.
“Incentivaria os mais velhos a pensarem para lá da sua própria geração”, diz Kullgren. Uma das sugestões passa por se juntarem a organizações que reúnem pessoas de faixas etárias diferentes, expandindo assim o respetivo círculo social.
“O amor pode não nascer diretamente com alguém que se conhece nesses novos círculos, mas antes com uma outra pessoa que alguém desse círculo conhece. Muitos de nós conseguem identificar-se com essa idade da pessoa que te apresenta alguém”.
“Uma arena completamente nova para o namoro”
Yarber tentou esta abordagem intergeracional, principalmente através dos seus colegas da universidade. Ainda assim, coloca limites no que respeita à ajuda de alunos bem-intencionados. Também tentou explorar aplicações de encontros, que não existiam da última vez em que ele andou à procura do amor.
“Os sites e aplicações de encontros são a forma mais comum, hoje em dia, para os solteiros encontrarem um parceiro. Isso é uma verdade numa ampla gama de realidades, incluindo para quem tem mais de 50 anos. É uma faixa etária com um rápido crescimento entre os utilizadores deste tipo de aplicações”, aponta Garcia.
“Para muitos solteiros mais velhos, esta é uma arena completamente nova para o namoro”, acrescenta. “Embora saibam o que querem e como querem interagir, as ferramentas para encontrar alguém – ou para ser encontrado por alguém - são novas”.
Os critérios que Yarber está a aplicar na sua busca podem acabar por frustrar os seus esforços. Este professor preferia ficar em Bloomington, Indiana, onde ensina, embora não feche completamente a porta à ideia de se mudar.
“Não estou à procura disso, mas pode acontecer”, admite.
Yarber considera-se um otimista, trabalhando arduamente para cuidar da sua saúde física e mental. Para as potenciais interessadas, diz à CNN, está “em boa forma para a minha idade” e tem uma “dieta boa” que o faz parecer um pouco mais jovem do que seria de esperar.
Este professor também quer mais do que companhia: concorda com a maioria das pessoas mais velhas que dizem que o sexo é uma parte importante de um relacionamento romântico em qualquer idade e considera que seria fácil imaginar a sua nova rotina diária com uma nova relação.
“Oh, é algo que pura e simplesmente muda a vida”, diz a sorrir. “Até fico com mais energia nos meus passos”.
Allison Gilbert é uma jornalista distinguida com um prémio Emmy e coautora de “The Joy of Connections” [A Alegria das Ligações, em tradução livre].