Automotive Summit: o carro do futuro

25 de junho

Museu do Oriente, Lisboa

Estamos a caminhar para o carro do futuro? "UE está a desincentivar as empresas”, mas o setor automóvel quer avançar junto da IA

25 jun, 18:04
CNN Summit (FOTO: Rodrigo Cabrita)

Na CNN Summit dedicada ao futuro do setor automóvel, três especialistas em inteligência artificial abordam as principais problemáticas da tecnologia de condução autónoma

Teremos em breve a condução automatizada? Estamos a entrar numa terra sem lei? Onde entra a ética? Estas são algumas das questões abordadas no terceiro painel da Automotive Summit da CNN, que se realizou esta terça-feira. 

A empresa Critical Techworks, descreve a condução autónoma como “o desenvolvimento mais ambicioso da indústria automóvel”. E não é por acaso. Segundo Pedro Silva Monteiro, para chegar ao carro do futuro é preciso chegar ao nível cinco de direção autônoma e ainda “não há algoritmos de inteligência artificial que permitam chegar a este patamar”. Neste nível o carro não só mantém determinada velocidade, como se mantém na mesma via e muda de faixa quando é preciso, explica o especialista. Estão também a ser estudadas soluções inovadoras como “o reconhecimento de uma criança esquecida dentro do carro, através de sensores”. 

Pedro Silva Monteiro, Critical Techworks (FOTO: Rodrigo Cabrita)

Atualmente, existem carros no nível três que permitem ao condutor um nível de conforto superior aos veículos que todos conhecemos. É o caso do Audi A8L de 2019, por exemplo. “A pessoa pode estar a ver um filme e caso o carro detete algo fora do normal, avisa o condutor que deve olhar para a estrada”, desenvolve Pedro Silva Monteiro, acrescentando que neste nível não há um “relaxamento total”. Os carros deste patamar de direção autônoma “funcionam apenas na Alemanha e nos EUA”. E estão “limitados por estradas e condições de tempo específicas”. 

Para que este sistema funcione e para que a tecnologia avance até ao carro do futuro, é preciso um estudo e tratamento minucioso de dados, tanto por pessoas como por máquinas. É aí que entra para a conversa Sebastião Villax, da Defined AI, um mercado de dados de treino de origem ética para inteligência artificial.  

O especialista em dados garante que esta é ‘uma terra’ com lei e que se deve reger pela ética. Assim, na Define AI "a prioridade está na segurança e no controlo de qualidade e tratamento dos dados". Contudo, reconhece que “não há risco zero”. Por isso, considera que “não há qualquer empresa no mundo que se possa assegurar a 100% que os seus dados não sejam hackeados”. “No entanto, qualquer empresa pode pôr em marcha vários controlos de segurança”, observa. 

Sebastião Villax, Define AI (FOTO: Rodrigo Cabrita)

A tecnologia da condução autónoma também corre os seus perigos. Mas não no que concerne aos dados biométricos, explica Sebastião Villax. O perigo centra-se na “manipulação do sistema dos comandos dados ao carro”. Neste tipo de ‘hack’ o carro que recebeu o comando para virar à direita, vira à esquerda, por exemplo. “Neste caso, consoante as camadas de segurança instaladas, o veículo irá bloquear”. 

Há cerca de um mês foi aprovado pelo Parlamento Europeu o primeiro regulamento sobre inteligência artificial, o chamado AI Act, que será aplicado daqui a dois anos. Sebastião Villax critica este regulamento considerando-o demasiado rígido e um desincentivo para as empresas do setor automóvel. Isto porque, o AI Act define quatro níveis de risco para os sistemas de inteligência artificial e a condução autónoma é classificada como um risco elevado. Por isso, estará sujeita a restrições rigorosas obrigatórias antes de serem colocadas no mercado. Lê-se, por exemplo, “sistemas adequados de avaliação e atenuação dos riscos, medidas adequadas de controlo humano para minimizar os riscos, elevado nível de robustez e documentação pormenorizada". Caso não sejam cumpridas, as empresas arriscam-se a pagar uma multa pesada”.

Sebastião Villax compara a diretiva europeia com os guiões americanos, “realizados em conjunto com empresas que produzem modelos de desenvolvimento, com o intuito de criar orientações, mas não regras que não se pode quebrar”.

O terceiro membro deste painel, Francisco España da Microsoft, defende que o setor automóvel tem inovação, mas “ainda está atrás dos outros”. Um passo a ser dado por este setor é a “personalização do perfil do condutor”, que permitirá a “construção de experiência nas vendas de hiperpersonalização”.  

Francisco España, Microsoft (FOTO: Rodrigo Cabrita)

O especialista explica ainda que a Microsoft serve de “facilitador de quem constrói e dá ferramentas com estrutura à volta de segurança e compliance”. E frisa a importância do tratamento de dados visto que, alguns “têm de ser processados de imediato”.

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