Factos Primeiro: Governo investiu mais 40% no SNS e contratou mais 23% de médicos desde 2015?

13 set, 00:21

António Costa anunciou estes números em entrevista à TVI/CNN e assumiu que existem especialidades com falta de profissionais

O primeiro-ministro lançou, na entrevista concedida à TVI/CNN Portugal, dois números que diz espelharem o investimento do Governo no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Segundo António Costa, que falou dois dias após a tomada de posse do novo titular da pasta (Marta Temido demitiu-se depois de muitos escândalos, o derradeiro noticiado pela CNN Portugal), o seu executivo reforçou o orçamento do SNS em 40%, além de ter contratado mais 20% de profissionais de saúde, sendo que médicos são mais 23%.

A CNN Portugal analisou os dados fornecidos pelo primeiro-ministro, comparando-os com aqueles que constam nos documentos oficiais, nomeadamente nos serviços de Administração Pública e nos Orçamentos do Estado entre 2015 e 2022.

No primeiro ano de Governo havia 26.743 médicos em Portugal, número que no primeiro semestre de 2022 era de 33.623. Trata-se de uma subida de 25,7%. Já quanto ao investimento monetário, o Executivo alocou 7.878 milhões de euros ao SNS em 2015, valor que este ano foi de 11.145 milhões de euros. Trata-se de uma subida de 41%.

Assim, e revendo os dados do primeiro-ministro e aqueles que estão publicados, António Costa pecou por defeito nos números apresentados, sendo que o Governo fez um investimento maior do que aquele que o seu responsável máximo referiu.

Falta de profissionais em algumas especialidades

Se António Costa defende o Governo com o nível de investimento, não foi capaz de negar que existem dificuldades em alguns setores em concreto, admitindo que "é evidente que não temos a mesma proporção de crescimento em todas as especialidades". O primeiro-ministro estaria a falar das especialidades de Obstetrícia e Ginecologia, que desde o verão têm tido graves problemas, tendo já mesmo ocorrido óbitos em hospitais portugueses (um dos casos levou mesmo à demissão de Marta Temido como ministra da Saúde).

Por isso, e sublinhando uma "reforma que está em curso", o chefe do Governo lembrou a intenção de criar uma direção-executiva do SNS, explicando o que espera dessa pessoa, que não está escolhida: "A função essencial é reforçar a autonomia do funcionamento do SNS daquilo que é a atividade política em matéria de saúde. O Governo não deve interferir no dia a dia da gestão de um hospital ou de um centro de saúde."

Assim, essa operação diária ficaria entregue a essa mesma direção, que também deverá decidir sobre as cargas horárias, organizando as férias dos profissionais de saúde dos diferentes hospitais. "Temos de nos organizar de modo a que cada um tenha férias", referiu António Costa, que destacou depois uma diferença regional na dimensão e na recorrência dos problemas.

O primeiro-ministro lembrou que, à exceção de Braga, nenhum dos distritos do Norte de Portugal apresentou problemas. Para António Costa este é um sinal de uma melhor gestão: "O Porto nunca teve problemas", disse, respondendo depois que "Lisboa tem muito a aprender com o Porto em muitas coisas, designadamente em organização dos serviços de saúde".

Sobre a ausência de obstetras e ginecologistas em concreto, António Costa apontou que esse não é um problema exclusivo do setor público, mas que também afeta o privado. Para o primeiro-ministro esta situação resolve-se através da criação de mais vagas nos cursos de Medicina, até porque "não é aceitável que tenhamos um número limitado de vagas", tal como é "inaceitável que alunos com notas tão boas no secundário estejam privados de exercer medicina".

"Não é só uma questão salarial, há falta de obstetras", acrescentou.

O primeiro-ministro espera que a mudança governativa na área da Saúde (Manuel Pizarro assumiu a pasta no sábado) venha trazer mudanças, nomeadamente ao nível da capacidade de diálogo que o Governo vai poder voltar a ter com os seus parceiros na área.

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