Fogo na Serra da Estrela é "tragédia" ambiental, lamenta ministro. Já arderam 17 mil hectares

Agência Lusa , DCT
12 ago, 22:41
Ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro (António Cotrim/ LUSA)

Ao final da tarde, a Proteção Civil admitiu que o fogo “está estabilizado", mas "não ainda dominado”.

O ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, admitiu esta sexta-feira que o incêndio que deflagrou no sábado em Garrocho, no concelho da Covilhã, “é uma tragédia” ambiental e está a lavrar num “contexto de grande complexidade”.

“Quero transmitir esta mensagem de solidariedade às comunidades locais pela forma como se têm mobilizado e dar uma palavra aos bombeiros e a todas as forças e serviços da proteção civil” que têm combatido um incêndio que “é uma tragédia do ponto de vista do ambiente, da biodiversidade e do património ambiental”, disse José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas à margem da sessão solene de abertura do programa das festas do concelho de Ansião, no distrito de Leiria.

Adiantando que irá visitar a zona ardida quando o fogo terminar, o ministro salientou que “o país está a empregar todo o conhecimento que tem na gestão de circunstâncias muito difíceis”. “Recordo como foi dito por um grande especialista da universidade de Coimbra [Miguel Almeida, investigador da Universidade de Coimbra], que estão conjugados todos os fatores críticos”, salientou.

José Luís Carneiro apontou as condições meteorológicas, a seca extrema, a massa floresta que desde 2003/2004 se foi acumulando e “a não existência de acessos ao interior da floresta” como um “contexto de grande complexidade”.

Área ardida na serra da Estrela já ultrapassa os 17 mil hectares

Mais de 17 mil hectares já arderam até esta noite no incêndio que lavra desde sábado na serra da Estrela e que já atingiu os distritos de Castelo Branco e da Guarda, segundo o sistema de vigilância europeu Copernicus.

Segundo os dados disponíveis às 21:50, a área ardida neste fogo é de 17.179 hectares. Hoje, pelas 15:30, estavam já contabilizados mais de 16 mil hectares de área ardida.

Esta noite, segundo os dados disponíveis no 'site' da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil às 21:50, estavam a combater as chamas 1.620 operacionais, apoiados por 460 viaturas.

Ao final da tarde, a Proteção Civil admitiu que o fogo “está estabilizado", mas "não ainda dominado”.

Ministro pede combate "sem tréguas àqueles que são incendiários”

Ainda segundo o ministro da Administração Interna, perante este contexto “só mesmo o espírito e a força de cooperação entre todas as forças e serviços, autarcas, comunidades locais, bombeiros, agentes, atores de toda a proteção civil” permite perspetivar que se possa “tão breve quanto possível, encontrar solução para esse incêndio”.

Questionado sobre as declarações à Lusa do investigador Joaquim Sande Silva, que considerou que o incêndio que afeta a serra da Estrela também deve ser analisado por uma estrutura idêntica à criada após os fogos de há cinco anos, mas 'a posteriori', quando terminar, o ministro disse que o momento é “garantir o combate e conseguir debelar” o fogo.

O ministro da Administração Interna insistiu que a forma de combater os incêndios é “evitá-los”, recordando que uma percentagem muito elevada das ignições tem que ver com o mau uso do fogo ou com mau uso de máquinas em espaço florestal.

Além disso, acrescentou, é também necessário fazer um combate "sem tréguas àqueles que são incendiários”.

"A seca extrema é conhecida de todos. Não podemos baixar a guarda"

O ministro da Administração Interna salientou ainda a necessidade de não se “baixar a guarda” até às primeiras chuvas do outono, recordando o incêndio no Pinhal de Leiria, em outubro em 2017.

“A informação que temos da meteorologia é de que as temperaturas vão de novo aumentar. A seca extrema é conhecida de todos. Não podemos baixar a guarda, porque temos muitas semanas pela frente e não podemos esquecer o que se passou em 2017. Houve um primeiro período [de fogos] em junho e depois voltou a haver grandes incêndios em outubro”, lembrou.

José Luís Carneiro pediu ainda à população, “neste período especial em que o país vive as suas festividades locais”, para ter todos os cuidados, nomeadamente no uso do fogo e de máquinas, devendo ser respeitadas as orientações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

O incêndio deflagrou na madrugada do dia 6 em Garrocho, no concelho da Covilhã, no distrito de Castelo Branco, e as chamas estenderam-se depois ao distrito da Guarda, nos municípios de Manteigas, Gouveia, Guarda e Celorico da Beira.

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