Deputado do PSD Sérgio Marques renuncia ao mandato

CNN Portugal , Com Lusa
17 jan, 19:09
Votação final global do Orçamento do Estado para 2023 (Lusa/Tiago Petinga)

Eleito pelo círculo da Madeira, sai da Assembleia da República na sequência de uma polémica em torno de críticas à governação regional: a liderança de Alberto João Jardim “foi fantástica até 2000” mas depois “começaram a inventar-se obras”

O deputado social-democrata Sérgio Marques anunciou esta terça-feira a renúncia ao mandato de deputado à Assembleia da República e a saída da comissão política regional do partido na sequência da polémica em torno de críticas à governação regional.

Sérgio Marques explicou na sua página de Facebook que deixou de "reunir condições políticas para o prosseguimento" das suas funções parlamentares e que se quer manter "como um social-democrata de pensamento livre".

“Sou coerente com o meu percurso político e com a minha forma de pensamento e participação na política ativa, pugnada pela social-democracia e pela liberdade”, conclui o deputado.

Na origem desta decisão estão as acusações de Sérgio Marques em declarações ao Diário de Notícias sobre “obras inventadas a partir de 2000”, quando Alberto João Jardim (PSD) era presidente do executivo madeirense, e grupos económicos que cresceram com o “dedo do Jardim”.

Sérgio Marques, que fez parte do executivo madeirense como diretor regional entre 1988 e 1989, refere na reportagem divulgada no domingo que a governação de Alberto João Jardim “foi fantástica até 2000” mas depois “começaram a inventar-se obras, quis continuar-se no mesmo esquema de governo, a mesma linha, obras sem necessidade, aquela lógica das sociedades de desenvolvimento, todo aquele investimento louco que foi feito pelas sociedades de desenvolvimento".

No domingo, também na sua página do Facebook, Sérgio Marques declarou que parte destas declarações foram prestadas em ‘off’ no âmbito de um trabalho sobre os 47 anos do PSD no poder na Madeira, apontando que as suas opiniões eram “conhecidas, não são segredo, mas que se referem a momentos do passado e que estão distantes da atualidade política regional”.

O social-democrata, que fez também parte do Governo de Miguel Albuquerque como secretário-regional do Assuntos Europeus e Parlamentares entre 2015 e 2017, afirmou ainda que foi afastado do cargo por influência de um grande grupo económico da região.

Na segunda-feira, questionado pelos jornalistas sobre esta situação e se Sérgio Marques deveria afastar-se do partido por iniciativa própria, o líder do PSD/Madeira e presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, disse: “O PSD é um partido livre e só está no PSD quem quer”.

Na sequência das declarações de Sérgio Marques, os deputados do PS na Assembleia Legislativa da Madeira anunciaram, no domingo, que vão solicitar uma comissão de inquérito para averiguar alegados favorecimentos do executivo madeirense a grupos económicos.

Na segunda-feira, por seu turno, os eleitos do JPP indicaram que vão chamar os empresários Luís Miguel de Sousa (Grupo Sousa) e Avelino Farinha (grupo AFA) ao parlamento madeirense para prestarem esclarecimentos sobre declarações de Sérgio Marques e também do ex-governante regional, Miguel de Sousa, que apontam para favorecimento destes grupos.

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