Em Itália já se prevê que o treinador português não vai continuar na próxima época, depois de mais uma derrota na liga
Uma equipa que não se liga em campo e que é “forçada” a viver como um grupo durante 48 horas seguidas. É assim que Luca Bianchin, jornalista da Gazzetta dello Sport, começa uma análise aos extensos problemas de Sérgio Conceição, que viu o seu AC Milan voltar a perder e complicar verdadeiramente as contas para o objetivo traçado, a qualificação para a Liga dos Campeões.
Depois de nova derrota, desta vez com o Bolonha, o treinador português já ameaçou bater com a porta, afirmando que, caso seja preciso, sai do clube sem pedir “um euro” que seja, num discurso pós-jogo em que também deixou críticas à arbitragem.
Mas o problema do emblema italiano está longe de ter ficado em Bolonha. Em concreto, Luca Bianchin elenca mesmo cinco razões que não estão a permitir que este AC Milan dê o salto em relação ao que vinha sendo feito com Paulo Fonseca.
Depois de um início fulgurante, com um golo no primeiro jogo e muitos minutos de utilização, João Félix parece estar no caminho do que tem feito ultimamente - um grande início num novo clube sucedido de um grande apagão.
O craque português voltou a ser titular, mas pouco ou nada fez durante os 61 minutos que esteve em campo. Tão mau que Luca Bianchin define a exibição de João Félix como “transparente”, com alguém que “não se conecta com o resto da equipa e não chega à área”.
“Nos seus 61 minutos fez apenas oito passes, sem sequer ter rematado à baliza: inaceitável. A técnica dele é indiscutível, mas a sua história de altos e baixos - tanto talento e tão pouca continuidade - vêm inevitavelmente à cabeça”, continua, sugerindo que João Félix deve passar pelo banco.
Mas este é um problema dentro de vários. Fase ofensiva, falta de concentração, a dupla defensiva e erros de administração são os outros, na ótica da análise feita para o jornal de Milão.
Embora consiga criar oportunidades, o AC Milan não tem “fio de jogo” para produzir essas mesmas oportunidades de forma coletiva. Aparecem antes episodicamente ou com lances individuais, nomeadamente com Rafael Leão, que ainda neste último jogo voltou a marcar.
“Comparado com a era de [Paulo] Fonseca, aqui vemos um retrocesso e Tijani Reijnders é um exemplo: joga 20 metros mais atrás, é menos visível na área, em alguns jogos é perigoso e noutros fica à margem”, continua a análise, referindo-se àquele que é um dos melhores médios da atualidade.
“Em comparação com o Bolonha, que tem soluções ofensivas e parece ter ideias claras a atacar, fica difícil”, refere.
Em relação à concentração, tem sido o “problema número um em toda a temporada”. Não é apenas com Sérgio Conceiçao que o “catálogo de erros defensivos” se tem feito notar. São expulsões sem sentido - a simulação de Theo Hernández que valeu um segundo amarelo -, autogolos inexplicáveis - veja-se o primeiro golo sofrido contra o Torino -, penáltis falhados ou protagonistas de cabeça perdida.
“Às vezes, tudo o que é preciso é um pouco de inteligência, experiência, reatividade. O Milan, nisto, tem sido desastroso”, pode ler-se.
Quanto à dupla defensiva, que Sérgio Conceição trocou em relação a Paulo Fonseca, a preferência tem sido por Thiaw-Pavlovic, dois centrais mais físicos e que conseguem defender longe da baliza, como o treinador português gosta - as contratações de Otávio ou de David Carmo para o FC Porto seriam nesse sentido.
Só que ambos têm feito erros, refere Luca Bianchin, como tem feito também Fikayo Tomori. Mas há um caso que levanta dúvidas: “Porque é que Gabbia, que chegou recentemente à seleção nacional com Paulo Fonseca, já não é considerado um jogador útil?”
Por último, a questão da administração, até porque “todos os outros dependem de decisões corporativas”. O jornalista da Gazzetta dello Sport destaca que há várias pessoas a tomar decisões semelhantes, nomeadamente sobre o mercado.
Aqui, e falando de futuro, Luca Bianchin antevê mesmo a saída de Sérgio Conceição, deixando a entender que é a preparação do que aí vem que importa. “O treinador vai quase de certeza mudar, mas e o resto?”
O AC Milan está agora no 8.º lugar a oito pontos da Juventus, que está em 4.º lugar. Além de duas derrotas seguidas no campeonato, o clube vem também de uma eliminação na Liga dos Campeões contra o Feyennoord.
