«Ronaldo é um ícone mundial, mas isso não condiciona o nosso trabalho»

11 jan, 11:09
Qualificação Mundial 2026: República da Irlanda-Portugal (FOTO: JOSE SENA GOULAO/LUSA)

Roberto Martínez rejeita que o estatuto do avançado limite as opções na Seleção, fala das críticas que recebeu e recorda Diogo Jota

O selecionador português, Roberto Martínez, garante que o estatuto de Cristiano Ronaldo no futebol mundial não vai ter peso nas decisões que terá de tomar durante o próximo Campeonato do Mundo.

«O que acontece à volta do Cristiano é um aspeto histórico. É um ícone do futebol mundial, mas isso não condiciona ou limita o nosso trabalho. O Cristiano está muito tranquilo e muito focado no dia-a-dia e isso é uma fórmula simples. Quando o Cristiano Ronaldo está bem, é muito importante para a seleção», explicou Martínez, em entrevista à agência Lusa.

«Acompanhamos todos os dias o que ele está a fazer. Está a desfrutar muito. Ele tem uma marca a nível mundial, mas para nós consegue ter simplicidade dentro da seleção. O foco dele é um exemplo para seguir. Ele encontrou um processo de se focar no dia-a-dia e a consequência disso é chegar ao próximo Mundial», acrescentou.

Sobre o episódio em que Ronaldo perdeu a titularidade no Mundial 2022, ainda com Fernando Santos na Seleção, o atual selecionador nacional lembra que «foi há três anos» e finta o tema.

«Eu adoro o compromisso dos jogadores e o Cristiano é o nosso capitão porque merece ser o nosso capitão. Estamos preparados, eu estou preparado, a equipa técnica está preparada, os jogadores estão preparados», vincou.

«Há uma perceção diferente do meu trabalho em Portugal e fora de Portugal»

Martínez confessa que ficou algo espantado com as críticas que recebeu após a eliminação com a França, no Euro 2024. «Há muita paixão pela nossa seleção. A minha crítica é sempre mais forte do que a crítica que vem de fora. É certo que fiquei surpreendido depois de ganhar todos os jogos no apuramento para o Europeu, mas isso faz parte da minha posição e consigo entender isso. Agora sinto, quando falo com os jornalistas, que há uma perceção diferente do meu trabalho em Portugal e fora de Portugal.»

O técnico espanhol recorda ainda a conquista da Liga das Nações, numa altura em que era avançada a possibilidade de sair do cargo, devido à entrada de Pedro Proença na Federação.

«Senti o barulho de fora. É normal, mas senti um foco especial da equipa. Um foco total. Ganhar a Liga das Nações na Alemanha, no formato mais exigente do futebol internacional foi um momento-chave para nós. A perceção das outras seleções em jogar contra Portugal mudou.»

«Diogo Jota? Sou uma pessoa de fé, acredito na energia»

Martínez admite que há uma «energia» de Diogo Jota dentro da seleção portuguesa. O técnico estava no Mundial de Clubes quando soube da morte do internacional português.

«Acho que eram quatro da manhã quando soube e foi um momento trágico. Só quis encontrar um momento de silêncio para poder pensar, porque era muito difícil acreditar que aquilo era verdadeiro. Foi um choque.»

«Recomeçamos com uma força especial e o nosso caminho ficou muito claro. Eu sou uma pessoa de fé. Acredito na energia e em momentos que não conseguimos explicar», afirmou ainda.

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