Bilhete carimbado de barriga cheia com o brilho de João Neves e Bruno Fernandes
Nove golos para carimbar a presença no nono Mundial.
Portugal fechou o apuramento para o Mundial 2026 com uma das maiores goleadas da sua história: 9-1 no Dragão, numa tarde inesquecível, sobretudo, para João Neves e Bruno Fernandes (ambos autores de hat-trick), Renato Veiga (estreia a marcar) e Carlos Forbs (primeira internacionalização) e que permitiu uma reconciliação momentânea depois do desaire em Dublin há três dias.
Foi uma tarde de barriga cheia e de estreias a vários níveis, grandes momentos e um jogo que, depois daquele passe errado de Serobyan aproveitado por Gonçalo Ramos para o 2-1, mudou o jogo por completo. Catapultou a Seleção para uma boa e inspirada exibição. E uma goleada que, até aí, não se adivinhava com tanta clareza e à-vontade.
Sim, é verdade que Portugal – sem Ronaldo e com uma mão cheia de mudanças no onze para agarrar o bilhete para o seu nono Mundial – entrou a assumir o jogo e chegou cedo à vantagem com um golo de Renato Veiga depois de um livre de Bruno Fernandes (7m). Porém, até meio da primeira parte, a Seleção esteve longe de convencer.
De tal forma que, numa rara saída bem conseguida pela Arménia – que deve servir de exemplo – Ranos bateu Cancelo e cruzou para Spertsyan, em antecipação a Semedo, fazer o empate. Momentaneamente, numa Seleção cheia de talento, aparecia mais um daqueles dissabores.
É certo que Gonçalo Ramos quase marcou logo a seguir, Portugal tinha bola e jogava-se no meio-campo ofensivo. Mas faltava mais rasgo. Poder de fogo, perante um bloco baixo que, quando Portugal o encontra nos adversários, tem ditado algumas dificuldades. E se Portugal não começou por rasgar a Arménia por si, Serobyan rasgou a sua própria equipa com um passe atrasado, aproveitado por Gonçalo Ramos para o 2-1 (28m).
Depois… aconteceu o festival que toda a gente viu. Portugal cresceu - Vitinha, João Neves e Bruno foram fundamentais no meio-campo - a Arménia não se fechou em absoluto atrás, deu mais espaços, sofreu e praticamente desapareceu do jogo. E, mesmo sendo contra um adversário mais frágil, foi tudo uma prova do talento e capacidade que Portugal tem.
João Neves não foi de modas e, com um belo pontapé após uma recuperação alta de Semedo, iniciou uma tarde de sonho com o 3-1 logo a seguir. E assinou depois o grande momento da tarde com um espetacular livre direto, antes de Bruno Fernandes, de penálti, assinar a mão cheia de golos antes do intervalo. Se, menos de 20 minutos antes, alguém pensaria neste cabaz antecipado de Natal? Talvez não. Mas houve, além da eficácia, mérito.
O tempo e os golos deram confiança de sobra a Portugal e, na segunda parte, João Neves e Bruno Fernandes foram protagonistas maiores ao chegarem ambos ao hat-trick para uma das maiores goleadas da história da Seleção. Bruno bisou para o 6-1 a passe de Gonçalo Ramos e fez o 7-1 em novo penálti, sofrido pelo recém-entrado estreante Carlos Forbs, antes de João Neves completar uma incrível tarde com uma bela finalização na área.
Entre isto, houve tantas outras perdidas que o marcador podia ter chegado aos dois dígitos para Portugal. Ficou lá perto, com Francisco Conceição – que antes tanto já procurara o golo – a selar o marcador já em tempo de compensação.
Prova dos nove no marcador. E segue-se a prova no Mundial 2026, o nono de uma Seleção que ainda quer conquistar o mundo.