Idosa morre na Quinta do Conde após espera por socorro. Bombeiros de Carcavelos, a 35 quilómetros de distância, demoraram 40 minutos a chegar

Andreia Miranda | Sofia Garcia , notícia atualizada às 12:33
8 jan, 11:13
Seixal

Bombeiros de Carcavelos explicam que "por cada minuto sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência"

Uma mulher de 73 anos morreu na quarta-feira à tarde, na Quinta do Conde, em Sesimbra, depois de esperar pelo socorro, que foi levado a cabo por uma ambulância dos bombeiros de Carcavelos, a 35 quilómetros de distância.

Numa publicação no Instagram, os bombeiros de Carcavelos dizem que a ocorrência distava cerca de 35 quilómetros do quartel e que, "apesar da pronta saída do quartel, a distância entre as duas localidades condicionou inevitavelmente o tempo de chegada ao local".

"Durante a tarde de hoje, a nossa equipa foi mobilizada para uma ocorrência de paragem cardiorrespiratória (PCR) no concelho do Seixal, a cerca de 35 km de Carcavelos. Apesar da pronta saída do quartel, a distância entre as duas localidades condicionou inevitavelmente o tempo de chegada ao local. Em situações de PCR, cada minuto é determinante - por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência. Este tipo de ocorrência relembra-nos a importância dos tempos de resposta e da proximidade dos meios de socorro, salientando que, mesmo com a melhor preparação técnica e humana, a distância é um fator crítico na probabilidade de sucesso da reanimação. Continuamos empenhados em garantir resposta rápida, profissional e humana, ainda que, por vezes, as limitações geográficas e de cobertura operacional criem desafios significativos ao trabalho dos bombeiros", lê-se na publicação no Instagram.

Em declarações à CNN Portugal, o comandante dos bombeiros de Carcavelos, Paulo Santos, o pedido de socorro chegou ao quartel às 14:00 de quarta-feira, tendo a ambulância saído para o local 2 minutos depois.

"Demoraram 40 minutos a chegar ao local", afirmou ainda.

Segundo o comandante, o envio de ambulâncias para a Margem Sul é recorrente.

À CNN Portugal, o filho da idosa diz que telefonou para os bombeiros de Sesimbra (13:38) e que o informaram que tinha de ligar para o 112. A chamada foi feita às 13:39 e às 14:29 fez a última chamada ao 112 a perguntar pela demora. A ambulância só chegou ao local às 14:59. 

A TVI e CNN sabem que o INEM contactou bombeiros de Sesimbra por volta das 14:00 uma vez que são a corporação mais próxima, mas no momento os bombeiros de Sesimbra estavam com uma ocorrência de levantamento de um cadáver e sem ambulâncias disponíveis.

Questionado sobre este novo caso, um dia depois do idoso que morreu no Seixal, o presidente do INEM assumiu desconhecer o que aconteceu. "Está-me a transmitir uma informação da qual eu ainda não tenho qualquer tipo de notificação interna. Eu não posso estar agora a comentar todas as situações", disse Luís Mendes Cabral aos jornalistas.

Nota: Inicialmente, por lapso, noticiámos que os bombeiros de Carcavelos teriam ido socorrer o idoso de 78 anos

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