Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Club de Portugal, entende que os deputados socialistas estão a tentar "legalizar a anormalidade" e alerta que o que estão "a propor vai provocar mais mortes"
O Automóvel Club de Portugal (ACP) considera que o projeto de lei do PS para promover alterações no Código da Estrada, que surge como uma resposta ao aumento de motas nas estradas nacionais, é "completamente surrealista e de pessoas que não percebem rigorosamente nada do que é a mobilidade, do que é a segurança rodoviária".
Em entrevista à CNN Portugal, o presidente do ACP, Carlos Barbosa, explica que as propostas socialistas são "verdadeiramente criminosas" e alerta que "querer dar poderes desta maneira aos motociclistas é empurrá-los para o abismo": "Empurrá-los para o acidente e para terem problemas complicadíssimos".
"Nós somos 100% contra e faremos tudo para que isto não aconteça. Já neste momento, as motas circularem nos corredores do BUS, diminui brutalmente a velocidade da Carris e leva a que haja imensos acidentes. Estou completamente de acordo que tenham perto dos semáforos um quadrado para arrancarem. Agora, andarem a ultrapassar no meio do trânsito, entre filas de trânsito e passar pela direita, é completamente criminoso autorizar isto e legislar isto", refere.
O ACP lembra que atualmente o Código da Estrada dita que os motociclos são "um veículo exatamente igual a um automóvel, autocarro ou um camião", sendo obrigados a circular nas faixas destinadas e estando proibidos de ultrapassar pela direita ou circular entre filas de trânsito. "É completamente ilegal e é por isso que o PS quer legalizar essa anormalidade e essa ilegalidade moral, se é que se pode dizer assim", explica Carlos Barbosa, enaltecendo que a lei foi assim definida tendo em conta que os carros podem mudar de faixa ou abrir uma porta aumentando a possibilidade de acidentes com motas que circulem entre filas de trânsito.
Quanto aos benefícios da medida na fluidez do trânsito, a associação dos automobilistas garante que "não há estudo rigorosamente nenhum que prove que isto vá fazer com a circulação seja mais fluida, quer para os motociclistas, quer para os carros".
O PS apresentou um projeto de lei, na segunda-feira, que visa alterar o Código da Estrada com vista a uma maior segurança dos motociclistas. A proposta socialista propõe “regulamentar a circulação de motociclistas entre filas de veículos, em situações de grande intensidade de trânsito, sob condições rigorosas de segurança, como limites de velocidade, manutenção de distâncias laterais adequadas e proibição de ultrapassagens pela direita, salvo em situações específicas”, como explicou o partido à Lusa.
Para além disso, o projeto de lei prevê a “criação de espaços exclusivos para motociclistas junto aos semáforos, garantindo maior visibilidade e segurança”. Medida essa que Carlos Barbosa entende que "faz sentido". "Em Londres existe exatamente o mesmo, as pessoas circulam na sua faixa normal e, quando chegam aos semáforos, metem-se nessa caixa. Mal abre o semáforo, os motociclistas vão-se embora mais depressa, porque têm uma capacidade de aceleração para se meterem outra vez nas vias normais. Portanto, estou completamente a favor que haja um quadrado nos semáforos", explica o presidente do ACP.
O PS defende que a alteração vai diminuir os tempos de viagem e descongestionar as vias, assegurando a segurança de todos os utilizadores e justifica-a perante a alteração com “a crescente utilização de motociclos em Portugal reflete uma transformação nos padrões de mobilidade, especialmente nas áreas urbanas, que deve ser abordada adequadamente”.
Carlos Barbosa garante que o país está perante "um disparate completo" e que "é pena que o Partido Socialista não tenha mais ideias nem mais vocação para outras coisas que tenham pés e cabeça, porque isto é perigosíssimo", resume Carlos Barbosa, que critica o historial socialista no que diz respeito a alterações ao Código da Estrada. O presidente do ACP recorda que outra lei - "legislada no tempo do Partido Socialista" - que também "é um disparate completo": a possibilidade "de quem quem tinha carta de automóvel poder guiar um motociclo de 125 centímetros cúbicos sem qualquer espécie de exame" que acabou por "provocar imensos acidentes a pessoas que não tinham a mínima noção do que é andar de mota".
"Portanto, o PS, em vez de lutar pela segurança rodoviária para reduzir o número de mortos, está a fazer exatamente ao contrário. Aquilo que está a propor vai provocar mais mortes, mais acidentes e mais pessoas mutiladas", resume.