10 especialistas explicam como renegociar os seus seguros em 2023

ECO - Parceiro CNN Portugal , Francisco Botelho
7 jan, 17:00
Dinheiro

Poupar nos prémios, melhorar coberturas e evitar desilusões é fundamental em ano de aperto financeiro, mas é preciso ter cuidado para que um acaso não estrague o orçamento familiar

São 10 especialistas consultados para darem os melhores conselhos para que os portugueses, em ano de crise económica, consigam poupar dinheiro nos seguros, melhorarem a proteção financeira dos riscos que correm e evitem desilusões e conflitos com seguradoras porque afinal o que pensavam estar “no seguro”, afinal não estava.

Profissionais de seguradoras – Ageas, Tranquilidade, Asisa, CA SEguros –, mediadoras – MDS, WTW, Seguramos, Innovarisk –, um consultor independente (José António Sousa) e uma especialista na mediação de conflitos, entre empresas e clientes de seguros (CIMPAS), partilharam as experiências práticas que diariamente vivem, as oportunidades que detetam em 2023 e os erros mais frequentes que geram maiores custos para as famílias e problemas com sinistros.

Ficam os conselhos e orientações dirigidos ao público consumidor de seguros.

Nelson Machado, grupo Ageas Portugal: Aproveitar as altas taxas de juro para assegurar a reforma

“Tenho um conselho para a maioria dos portugueses: em 2023 a inflação estará connosco e depois, é muito provável, que o ambiente de taxas de juro, negativas ou nulas, não volte”, considera Nelson Machado, administrador da área Vida e Pensões no Grupo Ageas Portugal que conta, entre outras, com as marcas Médis e a seguradora Ocidental.

“Este é o ambiente adequado para constituir a sua poupança de longo prazo, pois as taxas de juro positivas fazem milagres, através do efeito da capitalização, permitindo uma evolução muitíssimo positiva da sua poupança ao longo dos anos”, refere Nelson Machado. “Comece a poupar, se possível regular e permanentemente, esqueça que este dinheiro está disponível e melhore, muito, a probabilidade de ter conquistado a sua independência financeira à data da reforma”, recomenda, antes de concluir que este “é um excelente momento para começar a poupar numa perspetiva de longo prazo”.

Conselhos diretos:

  • Evite duplicações de coberturas;
  • Confirme que o que está seguro corresponde, de facto, àquilo que são as suas necessidades (não cobrir a mais, mas também não ter riscos por cobrir ou subcobertos);
  • Ver e ponderar qual a melhor relação Franquia/Coberturas;
  • Reavaliar toda a carteira de seguros periodicamente, por exemplo de 5 em 5 anos.

Nuno Arruda, corretora WTW Portugal: Analisar as diferentes opções de franquias

“Será sempre uma melhor solução reter mais algum risco a prejudicar o âmbito de cobertura”, afirma Nuno Arruda, CEO em Portugal da WTW, uma das maiores corretoras de seguros do mundo. O gestor compara o esforço no pagamento dos seguros com o esforço quando se recorre ao crédito bancário. “Devemos analisar o impacto financeiro que determinados eventos terão na nossa vida e de que forma o podemos mitigar”, conclui.

Nuno Arruda aconselha:

  • Recorrer a apoio especializado de um corretor ou mediador, o que não representa um custo adicional;
  • Procurar opções alternativas para perceber a resposta do mercado, analisando diferentes opções de franquias;
  • Perceber que a poupança de curto prazo pode pôr em causa a sustentabilidade das finanças familiares.

Rute Santos, CIMPAS: Ler atentamente os contratos e, se necessário, reclamar em tribunal arbitral

“Os meus conselhos seriam sempre mais jurídicos ou técnicos e na perspetiva do Cimpas”, diz Rute Santos, diretora geral do CIMPAS – Centro de Informação, Mediação, Provedoria e Arbitragem de Seguros. No entanto, a sua experiência na mediação de conflitos entre seguradores, corretores, agentes e clientes de seguros fazem-na seguir certas linhas para evitar surpresas:

  • Procure a ajuda de profissionais – agentes de seguros – na hora de contratar;
  • Esclareça devidamente o que pretende segurar com o seguro;
  • Confirme se o seguro proposto é o adequado para o que se pretende segurar;
  • Leia cuidadosamente as cláusulas contratuais e com especial cautela as exclusões previstas;
  • Leia cuidadosamente todas as cláusulas e também as chamadas “letras mais pequenas”;
  • Informe-se sobre as medidas a tomar em caso de sinistro;
  • Conheça a legislação, nomeadamente os prazos a que as seguradoras se encontram adstritas na adequada regularização de um sinistro;
  • Saiba se o segurador em questão é aderente a um Meio de Resolução Alternativa de Litígios (como o Tribunal Arbitral) , como elemento diferenciador na escolha do contrato de seguro a outorgar;
  • Saiba os procedimentos a adotar e os meios existentes em caso de pretender reclamar contra um segurador.

Gonçalo Baptista, Innovarisk: São os grandes sinistros, não os pequenos, que lhe estragam as finanças

Para o diretor geral da Innovarisk, “a proteção do património é uma das chaves para uma vida sem sobressaltos”, concluindo que “para conseguirmos alcançar esse objetivo não basta acumular património, é preciso também preservá-lo e os seguros prestam um papel central nessa preservação”. Adianta cinco conselhos:

  • Reserve tempo para pensar na proteção das suas finanças, numa perspetiva de longo prazo. Se pensar nos seguros como um mero custo, provavelmente vai descurar proteções que necessita;
  • Partilhe essas ideias com parceiros credíveis e confiáveis. É difícil a um consumidor entender uma matéria técnica e vasta pelo que um bom profissional pode ajudar a encontrar as coberturas certas e eliminar as que não interessam tudo;
  • Se precisar de abdicar de proteção por razões financeiras, esteja disponível para aceitar franquias que consiga suportar. Apesar de serem muito mais frequentes, os pequenos sinistros não lhe podem estragar as finanças, ao contrário dos grandes. Deve por isso maximizar a proteção nos eventos mais severos, ainda que muito improváveis, em detrimentos dos mais pequenos;
  • Se não estiver contente com as explicações que lhe dão, procure uma segunda opinião e reclame se achar que foi injustamente tratado/a na regularização de um sinistro. Existem hoje em dia muitos mecanismos de defesa do consumidor;
  • Partilhe o máximo de informação que tiver quando contratar uma apólice. Muitas das surpresas desagradáveis acontecem por falha de informação – uma Seguradora não pode esclarecer o que não conhece.

Sandra Moás, ASISA: Foco no seguro para crédito à habitação e nas coberturas do seguro de saúde

“Não opte pelo caminho mais fácil”, começa por alertar Sandra Moás, country manager da ASISA, seguradora especializada em Vida e Saúde. Acrescenta que “em alturas de recessão económica, assistimos a muitos portugueses a prescindir dos seus seguros e/ou de coberturas complementares, às vezes até mesmo dos seguros obrigatórios, mas é justamente nessas alturas que provavelmente estes nos vão ser mais úteis“. E exemplifica com o período da pandemia e cada vez mais face às intempéries. “Comprovamos que a imprevisibilidade está sempre ao virar da esquina, esperemos então pelo melhor, preparemo-nos para o pior e aceitemos o que vier com a tranquilidade de quem não prescindiu do seu seguro”, conclui.

Sandra Moás foca os conselhos no Seguro de Vida associado ao Crédito Habitação aconselhando a melhorar a cobertura de incapacidade:

  • Ainda que se possa pensar que se trata de um seguro obrigatório, na realidade não é. Trata-se de uma imposição do banco na concessão do crédito para garantir o pagamento do mesmo na impossibilidade do devedor o fazer;
  • Neste tipo de seguros, para além da cobertura de Morte, existem duas coberturas de incapacidade que garantem a ativação do capital seguro. Maioritariamente e por motivos de desconhecimento, os segurados optam pela mais económica – Invalidez Absoluta e Definitiva (IAD), mas esta apenas se aplica a um nível de invalidez extremo, gerando a situação de estar a pagar por uma cobertura que dificilmente vai usufruir, pois esta cobertura só é passível de ser ativada com níveis de incapacidades superior a 80% e com dependência de 3.ª Pessoa;
  • Por sua vez, a cobertura de Invalidez Definitiva para a Profissão ou Atividade Compatível (IDPAC) pode ser acionada em algumas seguradoras a partir dos 60% e aplica-se quando o segurado sofre doença ou acidente que o impossibilita de exercer a função ou atividade remunerada, o que resulta numa cobertura bem mais abrangente;
  • Dou um exemplo: numa situação de doença oncológica com atestado definitivo de 60%, a cobertura pode ser ativada e a seguradora liquida o capital coberto ao Banco. Se pelo contrário tiver subscrito a cobertura de IAD, fica impossibilitada de trabalhar, mas terá de continuar a pagar as prestações ao seu banco, gerando transtornos dramáticos para si e para a sua família;
  • É verdade que existe uma diferença de preço relevante entre as duas coberturas, mas maioritariamente as apólices de seguro contratadas junto dos bancos assumem valores mais elevados, pelo que é muito provável que pelo valor que está a pagar pela sua apólice com a cobertura de Morte+ IAD atualmente no seu banco, encontre uma apólice com a cobertura de Morte + IDPAC pelo mesmo valor (ou até mais barato) no mercado segurador convencional.

Na área dos seguros de saúde, Sandra Moás recomenda que defina claramente as suas necessidades e otimize o seu seguro. Afirma:

  • Liste tudo o que pretende do tipo de seguro que necessita. No caso de um seguro de saúde, por exemplo, identifique as coberturas que mais o preocupam a curto e médio prazo. Por exemplo, se a sua preocupação for apenas as consultas anuais recorrentes e a estomatologia, provavelmente compensa fazer apenas um seguro dentário que lhe dê o acesso à rede de determinadas especialidades;
  • Se a sua preocupação é a hipótese de uma eventual necessidade de internamento médico ou cirúrgico, provavelmente poderá optar apenas pela cobertura de hospitalização, com um capital confortável;
  • As coberturas de medicamentos e próteses e ortóteses (onde se incluem os óculos e lentes de contacto) encarecem muito o seguro, é conveniente avaliar se esse custo adicional compensa a utilização que depois irá dar, contando que, antes de ser reembolsado existem franquias e co-pagamentos elevados, que se aplicam previamente;
  • Tire também o máximo partido do seu seguro e dos serviços complementares, por exemplo: aproveite os programas de check-up, ou medicina preventiva, ou as consultas por vídeo chamada que alguns planos oferecem sem custo para o segurado, e isso irá permitir, mais à frente ou no imediato, rentabilizar o investimento que fez ao adquirir o seu seguro.

 

Tiago Corrêa, CA Seguros: Descontos que as novas tecnologias permitem e capitais atualizados

“Semear para colher é uma máxima cada vez mais atual” começa Tiago Corrêa, diretor da área de Subscrição da CA Seguros, seguradora do Grupo Crédito Agrícola. O gestor considera que, em particular na atividade seguradora, o conceito se aplica muitíssimo bem quer ao tema da adequação dos capitais seguros nas apólices, quer ao tema da contratação adequada das coberturas em face dos riscos que queremos ter seguros e transferidos para uma seguradora, quer ainda ao tema da proteção necessária para fazer face aos principais riscos globais das nossas vidas.

Tiago Corrêa aconselha:

  • Investir antecipadamente na proteção;
  • Manter atualizado o valor dos bens seguros;
  • Ter as coberturas, e as condições contratuais, que, de verdade, dão a proteção que procura, no sentido de evitar mal entendidos e conflitos por dissonância entre seguradoras e segurados e falhar expectativas em caso de sinistro;
  • Optar pelo pagamento anual. Algumas seguradoras cobram encargos pelo fracionamento do prémio;
  • Subscrever soluções de telemática associada ao seguro automóvel, que permitem, mediante bons comportamentos de condução, beneficiar de descontos num ecossistema de parcerias ou mesmo devolução de prémio de seguro automóvel.

Andreia Dias, MDS: Cuidado no multiriscos e estudar franquias para pagar menos prémio

“O seguro deve ser encarado como uma proteção fundamental do património do consumidor e não meramente num custo, na medida em que transforma a incerteza que pode atingir prejuízos inesperados e avultados em custos controlados e suportáveis, afirma Andreia Dias, diretora-geral Riscos Financeiros na MDS, grupo líder de corretagem em Portugal. Por isso conclui “ser importante que os consumidores contem com a ajuda de especialistas, que os aconselhem na definição e contratação das soluções que melhor se adequam às suas necessidades”.

Andreia Dias foca na preocupação ao nível do capital seguro:

  • Capitais seguros corretamente determinados são essencial para uma boa regularização do sinistro. É da responsabilidade do tomador do seguro, não só no início do contrato, mas durante toda a sua vigência. Uma determinação incorreta dos capitais seguros pode levar a situações de sobre ou infraseguro que têm consequências que devem ser evitadas e que desprotegem o património dos segurados;
  • No seguro Multiriscos, os imóveis tipicamente correspondem ao custo de reconstrução do imóvel, tendo em conta o tipo de construção e outros fatores que possam influenciar esse custo, à exceção dos terrenos;
  • Imóveis em regime de propriedade horizontal inclui o valor proporcional das partes comuns;
  • Em edifícios, o valor do capital seguro deverá corresponder ao custo de mercado da respetiva reconstrução, tendo em conta o tipo de construção ou outros fatores que possam influenciar esse custo, ou ao valor inscrito na matriz predial urbana, no caso de edifícios para expropriação ou demolição;
  • À exceção do valor dos terrenos, todos os elementos devem ser tomados em consideração para a determinação do capital seguro, incluindo o valor proporcional das partes comuns (propriedade horizontal), e ainda, canalizações, instalações elétricas, equipamentos de suporte, muros, vedações, portões, etc. ;
  • Quanto ao recheio, o capital deve corresponder ao valor de substituição em novo, sem qualquer depreciação por uso, desgaste, estado de conservação ou antiguidade, de todos os bens que constituem o conteúdo a segurar;
  • Se o capital seguro for superior ao valor, haverá um custo desnecessário no seguro, se o capital seguro for inferior, pode implicar que o segurado tenha de assumir custos proporcionais. Para evitar isto, é importante fazer um inventário cuidado, acompanhados de suportes documentais;
  • Ter presente que a inflação eleva sistematicamente o valor dos bens que constituem o recheio, bem como, do próprio imóvel, desatualizando os valores seguros;
  • Assim, recomenda-se que seja sempre subscrita a cláusula de Atualização Automática de Capitais, a qual, por princípio, inviabilizará a ocorrência de situações de infraseguro em caso de sinistro (caso o valor inicial tenha sido corretamente definido). 

No que respeita aos Prémios de coberturas de um seguro, Andreia Dias recomenda:

  • Poderá ser possível obter redução do prémio se o consumidor optar por pagamento anual em vez de pagamentos fracionados, por exemplo, semestral ou mensalmente;
  • Os segurados devem ponderar os níveis de retenção de risco que desejam assumir, sob a forma de franquias. Tenha sempre em atenção que valores maiores de franquias tornam o prémio mais baixo mas, por outro lado, em cada sinistro o segurado terá de suportar valores superiores do que aqueles que teria de enfrentar em caso de franquias de menor valor.

Mário Ramos, corretora Seguramos: Pequenas e grandes formas de pagar menos prémio

O fundador e dirigente da corretora Seguramos considera que “alguma iniciativa, dedicar um pouco de tempo à análise das suas apólices e com a ajuda de especialistas, pode seguramente melhorar a cobertura dos seus riscos, a sua proteção e a da sua família e ao mesmo tempo poupar dezenas ou até centenas de euros por ano nos prémios das apólices de seguro.

Mário Ramos aconselha:

  • Fazer um levantamento de todas as apólices de seguro que possui, incluindo as que possa ter contratado junto do seu banco associadas ao crédito à habitação;
  • Consultar um corretor ou mediador de seguros, de preferência multimarca, que represente diversas seguradoras do mercado, pois estará, à partida, mais habilitado para efetuar uma análise aos contratos e avaliar as necessidades de proteção, identificando eventuais “gap´s” de proteção, capitais ou coberturas adequadas;
  • Mediante a consulta a várias seguradoras do mercado, aportar as vantagens, por exemplo as associadas a campanhas em vigor, negociação conjunta dos contratos e dos descontos relevantes que pode usufruir com a subscrição conjunta de várias apólices que possa ter dispersas por várias seguradoras. Por exemplo, contratar um seguro de recheio da casa ou um seguro de vida juntamente com o seguro automóvel, na maioria das vezes traz vantagens no preço de ambos;
  • Aderir ao pagamento por débito direto, permite, na maior parte das seguradoras, descontos relevantes no prémio anual em diversos tipos de seguros (automóvel, multirriscos, vida, saúde, etc);
  • Caso esteja a pagar o prémio do seguro fracionado com periodicidade mensal, trimestral ou semestral, caso tenha disponibilidade financeira para alterar o fracionamento e pagar de uma só vez (anual) pode significar deixar de ter encargos de fracionamento e, com isso, diminuir o prémio anual da (s) apólice (s);
  • Aderir à documentação digital (através do fornecimento do endereço de email), na maior parte das seguradoras, isenta-o de custo de apólice, ou até da carta verde, além de contribuir para a redução da sua “pegada ecológica”;
  • No seguro automóvel, caso tenha contratado a cobertura de danos próprios, ter garagem ou alarme são fatores que reduzem o risco e devem ser referidos no momento da contratação da apólice pois podem significar descontos no prémio;
  • Avalie se uma menor frequência de utilização do automóvel e o próprio estilo de condução, aliados aos dois aspetos atrás referidos, justificam assumir uma franquia maior a seu cargo. Estando menos exposto ao risco, poderá ser razoável negociar a apólice com uma franquia superior (fixa ou percentual) e com isso reduzir o prémio do seguro. Assim como, caso tenha mais o que uma viatura, pode não necessitar de pagar pela cobertura “veiculo de substituição”;
  • Outro aspeto cada vez mais valorizado pelas seguradoras, principalmente na subscrição de seguros de vida e saúde, são os hábitos de vida saudável. A prática regular de desporto e uma dieta e alimentação saudável combatem não só o sedentarismo e a obesidade, como também podem significar melhores condições no preço do seu seguro;
  • Se é titular de um seguro de saúde verifique com quem a sua seguradora possa ter acordos de parceria, isto porque, além dos benefícios normalmente associados aos seguros de saúde (despesas com hospitalização, consultas, exames, etc) pode usufruir de descontos interessantes em redes de óticas, clínicas de estética, descontos em serviços como terapias não convencionais, ginásios, massagens, óculos, entre outros;
  • Um cuidado que deve ter sempre, mas muito relevante no contexto atual, de inflação, é ajustar os capitais das apólices de multirriscos quer cubram imóvel, recheio ou ambos. Atualmente, reparar ou reconstruir um edifício ou repor um recheio ou parte do recheio de uma habitação, tem um custo superior ao que tinha há uns meses, seja como consequência da escassez de matéria-prima, da insuficiência de mão-de-obra ou do aumento das próprias mercadorias e produtos. No sentido de evitar que o capital das apólices fique desatualizado – e, portanto, sujeito a possíveis situações de infra seguro, o que dá legitimidade às seguradoras para aplicação da Regra Proporcional em caso de sinistro – é fundamental que os capitais seguros estejam de acordo com a realidade e risco atual.

Carlos Silva, Tranquilidade/Generali: Ver franquias, coberturas duplicadas e capitais seguros

“Estamos plenamente conscientes de que 2023 vai ser um ano especialmente exigente e desafiante, tanto a nível económico, como geopolítico ou climático”, diz Carlos Silva que comanda a Direção Não Vida da Tranquilidade/Generali, e que constata que “os portugueses estão a comprar mais seguros para se protegerem porque têm vindo a perceber que, por exemplo, a nível da saúde, onde se assistiu a um acréscimo significativo de compra de apólices, os seguros são uma boa solução para assegurar cuidados médicos em caso de necessidade”. Conclui que “até as empresas estão a apostar nos seguros de saúde como parte dos benefícios oferecidos aos seus colaboradores, pelo facto de serem cada vez mais valorizados”.

Carlos Silva aborda como ter procedimentos genéricos para aumentar proteção sem custos adicionais e evitar surpresas em caso de sinistro:

  • A compra é um momento muito importante, em que devemos perceber exatamente o que estamos a comprar e as coberturas associadas;
  • Aumentar as franquias;
  • Manter uma gestão rigorosa dos seguros e evitar duplicações;
  • Confirmar os capitais seguros (bonus/malus, etc.);
  • No caso da Tranquilidade verificar os Pacotes T que, para além da conveniência de gerir todos os seguros com a mesma seguradora, tem associados descontos por cada apólice adicional;
  • Adesão ao pagamento por débito direto tem um desconto associado;
  • Adesão à comunicação digital tem um desconto associado;
  • Pagamentos de seguros sem fracionamento são mais baratos: é mais barato pagar a anuidade anualmente do que por semestre, trimestre ou mensal;
  • Atualização do capital em dívida do seguro de vida associado ao crédito – os clientes deverão atualizar anualmente o montante em dívida, para reduzir o respetivo seguro de vida.

José António Sousa, consultor: As soluções radicais são as mais eficazes

Para o consultor José António Sousa, que foi presidente da Liberty em Portugal, “poupar nos seguros nem sempre significa gastar menos“. Diz que “pode-se gastar um pouco menos no prémio do seguro e “pagar” depois muito mais perante um sinistro”.

Independente de empresas de seguros, mas muito ligado ao mercado deixa recados ou conselhos:

  • O aumento da franquia, é uma solução que a esmagadora maioria dos clientes recusa, preferindo franquia zero, mesmo pagando mais. Porque 2% ou 4% de franquia fazem uma diferença gigantesca quando as peças e o arranjo da parte eletrónica cada vez mais presente nos veículos atuais têm custos estratosféricos;
  • Aumentar a proteção sem custos e não ter surpresas na ocorrência de um sinistro só é possível mudando de seguradora;
  • Para mudanças é imprescindível consultar um bom mediador de seguros da praça, preferentemente nas cercanias do lugar de residência, e estabelecido nesse local há muitos anos.
  • É preferível, se é necessário poupar, encostar o carro ou racionalizar fortemente o seu uso, diminuindo custos de manutenção e de consumo de combustíveis, a reduzir 20 ou 30 euros na apólice de seguro auto, retirando coberturas.
  • Pedir ao agente de seguros que verifique os preços da cobertura ótima para o caso particular em varias seguradoras é a melhor forma de poupar mantendo o nível de coberturas. O meu agente, fazendo uma consulta ao mercado em 3 ou 4 das seguradoras mais reputadas pelo seu serviço pós-venda, conseguiu para a mesma cobertura (com danos próprios) uma variação de 40% entre o preço mais caro e o mais barato para o meu perfil de risco pessoal;
  • O meu principal conselho é procurar um agente pessoalmente e estudar, em conjunto, com ele todos os seguros em carteira, procurando formas de reduzir custos.

Muitos tópicos e pistas apontam que os clientes de seguros devem falar com agentes ou corretores. É um conselho transversal a muitos dos especialistas consultados, parece ser a primeiro passo a dar para poupar, assegurar melhores coberturas e evitar conflitos e desilusões com seguradoras em caso de sinistro. 

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