SEF investiga influencers brasileiros por suspeitas de auxílio à imigração ilegal

22 jul, 08:19

REVISTA DE IMPRENSA. Contas oferecem serviços de assessoria, parcerias com advogados, solicitadores ou agências de viagens em troca de dinheiro. Associação Brasileira de Portugal acompanha situação que diz "lamentável"

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) está a investigar pelo menos 22 casos de influencers e youtubers brasileiros a viver em Portugal por suspeitas de auxílio à imigração ilegal, avança o Expresso.

Segundo o semanário, muitos dos cidadãos brasileiros chegaram a Portugal no máximo há quatro anos e, nas redes sociais, partilham dicas como chegar ao país, como arrendar alojamento ou partilham como entraram no país como turistas e quais os truques necessários para conseguir os documentos.

O SEF investiga agora as contas que oferecem serviços de assessoria, parcerias com advogados, solicitadores ou agências de viagens, sendo notório o clima de competição entre os utilizadores. Com milhares de seguidores nas redes sociais, entre YouTube, Instagram ou Facebook, há influencers que chegam a cobrar centenas ou milhares de euros por estes serviços.

Entre o conteúdo que está a ser investigado pelo SEF estão os vídeos que mostram como mudar para uma casa maior antes de completar um ano de residência em Portugal e os vídeos de defesa que surgem quando um serviço corre mal e os influencers são expostos nos comentários. 

Ao Expresso, o SEF avança que "tem sob investigação casos de auxílio à imigração ilegal e de associação de auxílio à imigração ilegal onde os suspeitos recorrem à internet, nomea­damente às redes sociais, não sendo possível quantificar esses casos nem informar sobre a nacionalidade e o perfil profissional dos suspeitos”.

Por sua vez, a Associação Brasileira de Portugal (APB) acompanha com “preocupação” a situação, dizendo que este tipo de vídeos geram o risco de informar mal pessoas que queiram deixar o seu país para viver em Portugal.

“Está a ficar incontrolável, os indivíduos acham-se no direito de fazer uma selfie e aquilo espalha-se por centenas de pessoas. É lamentável”, diz o presidente da APB, Ricardo Pessôa.

Há seis anos que o número de brasileiros em Portugal aumenta — mais que duplicou desde 2016. São a comunidade estrangeira com maior representatividade e, atualmente, são mais de 211 mil pessoas.

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