Tem tido mais alergias? Esta é a explicação

7 fev, 15:51
Doente

Mais espirros, coceira nos olhos, pingo no nariz e até tosse. Os sintomas das alergias parecem ter chegado mais cedo, mas os alergologistas dizem que não é bem assim

A falta de chuva que tem assolado todo o país tem gerado vários problemas, não só a nível de gestão da água, ou da agricultura, mas também da saúde. Um desses problemas são os alergénios mais tempo em suspensão, que podem trazer mais alergias.

Em entrevista à CNN Portugal, o alergologista João Fonseca explica que o aumento de queixas que possa existir está relacionado com "as condições especiais que vivemos este ano".

"Há muito menos chuva e, portanto, não sendo lavados os pólenes quer do ar, quer do chão (onde voltam a levantar com o vento), é natural que acabe por haver condições para um pouco mais de sintomas por haver manutenção por mais tempo dos pólenes dessas árvores".

O clínico lembra ainda que as árvores "começam a polinizar logo no final de janeiro, início de fevereiro" e que "embora os pólenes das árvores não sejam os alergénios mais frequentes em termos de pólenes", quem é alérgico a esses pólenes "é sensível a vários pólenes incluindo os das árvores e podem ter sintomas já nesta altura todos os anos".

Numa altura em que não chove há semanas, "é natural que acabe por haver condições para um pouco mais de sintomas por haver manutenção por mais tempo dos pólenes das árvores" e, por isso, mais queixas.

Menos chuva, mais pólenes em circulação

A conta parece simples: menos com menos é mais, seja na matemática, seja quando envolve chuva e pólenes.

"Quando chove, há menos pólenes em circulação. E quando chove as pessoas têm menos alergias porque, com a chuva, os pólenes assentam todos", afirma o alergologista Pedro da Mata à CNN Portugal.

O clínico lembra que alergias há sempre, até no inverno, mesmo não estando relacionadas com os pólenes, como é o caso das alergias ligadas à humidade.

"Nos outros anos, por esta altura, costuma chover e, por isso, as alergias do exterior quase não se exprimem. Mas, por outro lado, as alergias do interior exprimem-se muito mais, porque está chuva, as pessoas estão em casa, há mais humidade. Estando nos ambientes fechados, a concentração indoor é mais intensa e as pessoas têm mais problemas", explica.

O que fazer para atenuar sintomas?

Mais espirros, coceira nos olhos, pingo no nariz e até tosse. São alguns dos sintomas de quem tem alergias e que, em tempo seco, se tem queixado por estar a ver os pólenes a serem levantados pelo vento.

O alergologista João Fonseca diz que a principal recomendação a dar quando o nariz começa a pingar é dar início à terapêutica que inicialmente se faz de prevenção em março, antes da época forte das alergias primaveris. Mas, relembra, o principal conselho para quem sofre de alergias é que tenha a alergia respiratória controlada.

"As pessoas precisam de viver a sua vida normal e tolerar o alergénio, senão tinham de viver numa bolha. Por isso, precisam de ter a rinite e a alergia respiratória controlada. Mas, mal o nariz dá sinais, devem começar a fazer a terapêutica, como é o caso dos sprays nasais preventivos, até porque o anti-histamínico ajuda a aliviar os sintomas mas não trata nada", afirma.

Também o médico Pedro da Mata lembra que "a doença polínica pode ser controlada" e que não há espaços a ser evitados, mas que há locais e momentos do dia mais problemáticos para quem sofre com alergias: "espaços no exterior no início do dia (quando a temperatura sobe) e no final do dia (quando a temperatura baixa)".

As principais recomendações passam por "manter as janelas fechadas (do carro e da casa) entre as 6:00 e as 10:00 e depois no final do dia, das 18 horas às 22 horas" e evitar atividades no exterior nos mesmos horários, não fazer jardinagem nesta altura, limpar a roupa e escovar o cabelo antes de entrar em casa ("quando vem da rua a sua roupa e o seu cabelo são autênticos contentores de pólenes pelo que deve evitar transportar para dentro de casa esses elementos a que é eventualmente alérgico") e lavar bem a fruta.
 

Saúde

Mais Saúde

Patrocinados