Queixa descreve alegados abusos cometidos contra um homem em 2015, envolvendo rapto, coerção e atos sexuais forçados. O artista norte-americano aguarda julgamento, com início a 5 de Maio, no Tribunal Federal de Manhattan
A poucas semanas do início do julgamento de Sean “Diddy” Combs, o produtor musical norte-americano foi novamente acusado, desta vez por drogar e agredir sexualmente um homem.
A queixa, com 64 páginas, conhecida esta sexta-feira, descreve um padrão de violência, coerção sexual e manipulação psicológica. Entre os crimes contam-se tráfico de seres humanos, extorsão, obstrução à justiça, manipulação de testemunhas e agressão sexual. A vítima, Joseph Manzaro, alega ter sido coagida, drogada, raptada e sujeita a atos sexuais forçados e "humilhantes" ao longo de vários dias, numa cadeia de eventos que, segundo a acusação, terá sido coordenada por Combs e a sua rede.
“Combs usou a sua influência, riqueza e poder para orquestrar e facilitar abusos, intimidar vítimas e silenciar testemunhas”, lê-se no documento.
Além de Combs - também conhecido no mundo da música por Puff Daddy e P. Diddy - foram acusadas várias figuras da esfera pessoal e profissional de Combs, incluindo Eric Mejias, Brendan Paul, Adria English e até o conhecido produtor musical Emilio Estefan.
Raptado, drogado e "castigado" em festas privadas
Segundo a queixa, os factos remontam a abril de 2015. Manzaro alega ter sido raptado da sua casa na Florida por Eric Mejias. Já inconsciente, foi levado para diferentes locais, incluindo a mansão de Emilio Estefan, em Miami, onde decorreria a festa de aniversário do filho de Diddy, Christian Combs.
Durante este percurso, Manzaro afirma ter sido drogado e forçado a participar num dos chamados “Freak Offs” — eventos privados organizados por Combs, descritos na acusação de 2024 como “espectáculos sexuais elaborados” com trabalhadores do sexo masculino.
A vítima descreve um cenário de terror: foi forçado a usar uma “máscara fálica”, vestido com um biquíni de tamanho reduzido e conduzido por várias divisões até ter chegado a um “túnel escondido” que o levou à mansão de Diddy. Ali, encontravam-se várias celebridades e foi onde foi sujeito a agressões sexuais violentas, até perder os sentidos. Depois, terá sido abandonado numa “casa de gangues” e brutalmente espancado.
Segundo o processo, o homem sofreu lesões físicas permanentes, incluindo mutilação sexual e múltiplas hérnias, bem como trauma psicológico profundo e danos económicos.
Nos anos que se seguiram, Joseph Manzaro diz ter sido alvo de perseguição e ameaças de morte por parte das figuras próximas de Combs, incluindo ameaças de rapto do seu filho menor. Na ação judicial, pede indemnizações compensatórias e punitivas, além de uma ordem judicial para impedir Diddy e os seus associados de o assediar ou destruir provas.
Celebridades negam acusações
Entre os presentes na festa, Manzaro refere nomes como Beyoncé, Jay-Z e LeBron James.
A equipa de LeBron James já desmentiu a acusação, afirmando que o jogador estaria a jogar pelos Cleveland Cavaliers em abril de 2015, longe de Miami.
O porta-voz de Emilio e Gloria Estefan garantiu que “não houve qualquer festa” na propriedade referida entre 2012 e 2019.
Os advogados de Diddy responderam que a nova acusação é um “esforço desesperado para obter atenção e dinheiro”, e garantem que o artista “aguarda com confiança o dia do julgamento em tribunal, onde a verdade será revelada”.
Sean Combs está detido desde 16 de setembro de 2024 e diz-se inocente de todas as acusações. O seu julgamento está agendado para 5 de maio, no Tribunal Federal de Manhattan.
O fundador da editora Bad Boy Records, responsável por lançar artistas como Notorious B.I.G., Mary J. Blige e Usher, enfrenta agora a mais grave crise da sua vida.