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Turquia proíbe cruzeiro LGBTQ+ de atracar e justifica com "padrões morais"

CNN , Billy Stockwell
3 jul, 05:18
O navio de cruzeiro Scarlet Lady, acima representado numa viagem anterior, chega ao porto francês de Marselha a 27 de maio de 2024 (Gerard Bottino/SOPA Images/Sipa USA/AP/Arquivo)
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Navio destinado a cidadãos norte-americanos vai percorrer vários portos do Mediterrâneo, mas não os turcos

As autoridades turcas proibiram um navio de cruzeiro destinado a viajantes LGBTQ+ americanos de atracar nos portos do país, alegando "padrões morais" e "valores familiares", disse esta quinta-feira o CEO da empresa de eventos responsável pela próxima viagem pelo Mediterrâneo.

O cruzeiro "Atenas a Veneza", com partida da Grécia a 5 de julho, deveria atracar na vibrante cidade portuária turca de Kuşadası dois dias depois, seguindo-se uma viagem a Istambul, segundo a Atlantis Events, organizadora da viagem.

Mas, numa decisão polémica, as autoridades locais da Turquia disseram que cancelaram o "evento", uma vez que o navio - que deverá receber mais de mil passageiros dos EUA - foi fretado por grupos "conhecidos por comportamentos incompatíveis com o tecido da nossa sociedade e os nossos valores morais".

A embarcação, chamada Scarlet Lady, pertence à companhia de cruzeiros Virgin Voyages, apoiada por Richard Branson, segundo o MarineTraffic. A Atlantis Events informou que vai agora fazer paragens no Cairo, no Egito, e na ilha grega de Creta, em vez da Turquia. O partido AKP do presidente turco Recep Tayyip Erdogan tem adotado uma retórica cada vez mais agressiva contra a comunidade LGBTQ+ na última década, provocando a condenação por parte de grupos de defesa dos direitos humanos. As autoridades proibiram as marchas do Orgulho LGBTQ+ em Istambul desde 2015, alegando preocupações com a segurança pública.

“É bastante chocante, para ser honesto. Quer dizer, o argumento por trás disto é que se trata de um grupo gay”, referiu Rich Campbell, presidente e CEO da Atlantis Events, à CNN, sobre a decisão da Turquia de bloquear a entrada dos navios de cruzeiro.

“É muito preocupante para mim quando um país decide que pode escolher quais os turistas que podem entrar e quais não”, acrescentou.

Campbell afirmou que esta foi a primeira vez em 36 anos que a empresa foi “ativamente informada de que não podemos atracar aqui por causa de quem somos”.

A CNN contactou o Ministério da Cultura e Turismo da Turquia, a embaixada turca em Washington e a Virgin Voyages para obter comentários.

Aproximadamente 1.100 dos 1.900 passageiros esperados na viagem são dos Estados Unidos, segundo Campbell. Os restantes viajantes são do Reino Unido, Canadá e Austrália, entre outros países.

O site da Atlantis descreve a viagem de 10 dias como uma “aventura épica” que permite aos “grandes amigos” explorar ilhas do Mediterrâneo, incluindo destinos ensolarados como as ilhas gregas e a Croácia.

As autoridades da província de Aydin, na Turquia, onde se situa o porto de Kuşadası, afirmaram que “não há absolutamente nenhuma possibilidade de o grupo em questão visitar a nossa província para um evento desta natureza”.

Entretanto, as autoridades de Istambul informaram que a polícia fez uma rusga a um bar da cidade depois de um folheto da Atlantis ter divulgado uma festa no estabelecimento. Campbell afirmou que o folheto não era da Atlantis nem tinha qualquer ligação com a empresa.

“Esta não é uma organização política. O nosso único propósito é gastar dinheiro, divertirmo-nos, fazer passeios e respeitar ao máximo todas as culturas que visitamos”, acrescentou Campbell.

A Atlantis comunicou a notícia aos passageiros esta quinta-feira, informando que “devido a circunstâncias fora do nosso controlo, tivemos de alterar os portos do nosso itinerário, removendo as duas escalas na Turquia”, uma vez que estas paragens foram canceladas pelas autoridades turcas.

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