Reduza o colesterol com uma dieta vegan ou vegetariana, diz estudo

CNN , Sandee LaMotte
4 jun 2023, 17:00
Reduza o colesterol com uma dieta vegan ou vegana, diz estudo: Foto: Kseniya Ovchinnikova/Moment RF/Getty Images

Uma alimentação à base de plantas pode reduzir em 7% o risco de doenças cardiovasculares

Apenas 1 em cada 10 americanos comer uma quantidade suficiente de frutas e legumes, que são fundamentais para uma boa saúde. E, de acordo com um novo estudo, há um benefício evidente para qualquer pessoa diagnosticada com colesterol elevado. 

Os investigadores analisaram os níveis de LDL, ou lipoproteínas de baixa densidade – frequentemente designadas por colesterol "mau" porque a sua acumulação pode aumentar o risco de um acidente vascular cerebral e de doença cardíaca. Entre os participantes no estudo, os níveis de LDL baixaram 10% e o colesterol total baixou 7% nas pessoas que seguiram uma dieta à base de plantas, em comparação com as que comiam carne e vegetais. 

"Isto corresponde a um terço do efeito da toma de medicamentos para baixar o colesterol, como as estatinas, e resultaria numa redução de 7% do risco de doenças cardiovasculares em alguém que mantivesse uma alimentação à base de plantas durante cinco anos", afirma a autora principal, Ruth Frikke-Schmidt, professora de bioquímica clínica e médica-chefe do Rigshospitalet em Copenhaga, na Dinamarca. 

"É importante salientar que encontrámos resultados semelhantes em todos os continentes, idades, diferentes intervalos de índice de massa corporal e entre pessoas com diferentes estados de saúde", diz Frikke-Schmidt, num comunicado. "Se as pessoas começarem a comer dietas vegetarianas ou veganas desde uma idade precoce, o potencial para reduzir o risco de doenças cardiovasculares causadas por artérias bloqueadas é substancial." 

A análise foi baseada em resultados de 30 ensaios clínicos aleatórios, entre mais de 2.300 deles publicados entre 1982 e 2022. Esses estudos investigaram o impacto de dietas vegetarianas ou veganas em todos os tipos de colesterol e na apolipoproteína B (apoB), uma proteína no sangue considerada uma boa medida de quanta gordura má e colesterol estão no corpo.

A meta-análise é a primeira a centrar-se especificamente no efeito da dieta sobre as concentrações de apoB, afirmam os autores. Os resultados mostraram que ser vegan ou vegetariano estava associado a uma redução de 14% nos níveis de apolipoproteína B. 

"Esta grande análise apoia o que já sabemos: que incluir mais alimentos à base de plantas na sua dieta é bom para o seu coração", diz Tracy Parker, dietista sénior da British Heart Foundation em Birmingham, num comunicado. Ela não esteve envolvida no estudo. 

No entanto, o estudo também sublinha que o impacto da dieta no colesterol pode ser limitado para as pessoas que "herdam a tendência dos seus fígados para produzirem demasiado colesterol, o que significa que o colesterol elevado é mais fortemente influenciado pelos nossos genes (ADN) do que pela nossa dieta", afirma Robert Storey, professor de cardiologia na Universidade de Sheffield, no Reino Unido, num comunicado. 

"Isto explica porque é que as estatinas são necessárias para bloquear a produção de colesterol nas pessoas que correm um risco mais elevado de sofrer, ou que já sofreram, um ataque cardíaco, um acidente vascular cerebral ou outra doença relacionada com a acumulação de colesterol nos vasos sanguíneos", afirma Storey, que não esteve envolvido no estudo. 

O tratamento com estatinas tem mais impacto que as dietas à base de plantas na redução das gorduras e dos níveis de colesterol, afirmou Frikke-Schmidt num comunicado. "No entanto, um regime não exclui o outro, e a combinação de estatinas com dietas à base de plantas é suscetível de ter um efeito sinérgico, resultando num efeito benéfico ainda maior", acrescentou. 

Dicas de especialistas para iniciar uma dieta à base de plantas 

Qualquer pessoa que esteja a pensar em tornar-se vegetariana ou vegana deve certificar-se de que a sua dieta está bem planeada para incluir ferro, iodo, vitamina B12 e vitamina D suficientes, afirma o dietista Duane Mellor, professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Aston, em Birmingham, no Reino Unido. 

"Se alguém está a pensar em fazer uma mudança na dieta, pode ser útil discuti-la com um profissional de saúde e talvez com um nutricionista, para que seja concebida para ser nutricionalmente adequada, ajudar a resolver o seu problema de saúde e, idealmente, ser agradável", diz Mellor, que não esteve envolvido no estudo. 

Além disso, as pessoas que fazem a transição para uma dieta à base de plantas devem estar atentas aos tipos de alimentos que estão a consumir. 

"Nem todas as dietas à base de plantas são iguais", afirma Aedin Cassidy, professor e diretor de investigação interdisciplinar no Instituto de Segurança Alimentar Global da Queen's University Belfast, num comunicado. 

Apenas as dietas saudáveis à base de plantas, caracterizadas por frutas, legumes e cereais integrais, são boas para a saúde, enquanto outras dietas à base de plantas que incluem hidratos de carbono refinados e alimentos processados ricos em gordura, açúcar e sal não o são, diz Cassidy, que não esteve envolvido no estudo. Esses alimentos incluem as populares batatas fritas e donuts fritos, bem como muitos outros produtos de padaria e doces. 

Se as pessoas tiverem dificuldade em adaptar-se a um estilo de vida totalmente vegetariano ou vegan, diz Parker, podem tentar a dieta mediterrânica, que se concentra principalmente em frutas, legumes, leguminosas, grãos integrais e peixe, com poucos ovos e um mínimo de laticínios com baixo teor de gordura, e muito pouca carne.  

"Há provas consideráveis de que este tipo de dieta pode ajudar a diminuir o risco de desenvolver doenças cardíacas e circulatórias, melhorando os níveis de colesterol e de pressão arterial, reduzindo a inflamação e controlando os níveis de glicose no sangue", afirmou Parker num comunicado.

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