Medina considera “natural” exigência dos médicos e insiste que problema não é financeiro

Agência Lusa , FMC
17 jun, 16:03
Fernando Medina (Patrícia de Melo Moreira/ Getty)

O ministro das Finanças classifica como "natural" a exigência do aumento de salários. Contudo reiterou que o problema "é mais complexo" do que financeiro e que o diálogo entre sindicatos e Governo mantém-se

O ministro das Finanças, Fernando Medina, classificou esta sexta-feira como “natural” que os sindicatos dos médicos exijam mais na atualização salarial dos clínicos em serviço de urgência, vincando que o problema “é mais complexo” do que financeiro.

“Os recursos existem, o problema é mais complexo do que a existência desses recursos. Acho natural que o sindicato clame sempre para os seus associados a apropriação de mais recursos públicos do que aqueles que estão afetos a determinada função”, disse o governante, falando aos jornalistas portugueses no Luxemburgo, no final de uma reunião dos ministros europeus das Finanças.

Um dia depois de a reunião entre o Governo com os sindicatos dos médicos ter terminado sem acordo, Fernando Medina acrescentou ser “natural da função sindical” fazer mais exigências, sendo ainda “próprio de quem exerce as funções do Governo ter a utilização adequada, justa, razoável dos recursos para os problemas e não confundir e não se deixar levar por uma conversa que implica sempre um adicional sobre os recursos, mas que também não implica que a solução seja atingida”.

“Mantenho as afirmações que fiz, compreendendo que estamos em papéis diferentes”, referiu.

Fernando Medina adiantou estar em curso um “diálogo nem sempre convergente à primeira para aproximar posições”.

Na quinta-feira, antes da reunião dos ministros das Finanças da zona euro, Fernando Medina vincou que a pressão no Serviço Nacional de Saúde (SNS) “não decorre de nenhum condicionamento financeiro”, mas antes da falta de pessoal, adiantando que “seria mais fácil de resolver” se fosse esse o constrangimento.

Numa altura em que muitos hospitais são obrigados a fechar temporariamente as urgências de ginecologia e obstetrícia, Fernando Medina adiantou que estas são áreas com “profissionais numa idade mais avançada”, mas também com “uma percentagem importante de profissionais que exclusivamente trabalham no setor privado e não no setor público”.

“Não é um constrangimento [financeiro] e, se fosse que fosse essa a dimensão e a natureza desse problema, seria certamente a parte mais fácil de ser resolvida”, concluiu, nessas declarações de quinta-feira.

Nos últimos dias têm-se sucedido encerramentos das urgências de ginecologia e obstetrícia um pouco por todo o país, por dificuldades em assegurar escalas de profissionais.

A ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou um “plano de contingência” até setembro para fazer face ao problema que se vive no setor e a criação de uma comissão para acompanhar a resposta das urgências de ginecologia e obstetrícia e bloco de partos dos hospitais, integrando coordenadores regionais e um nacional.

Também na quinta-feira, os sindicatos dos médicos consideraram “completamente inaceitável” a proposta apresentada pelo Ministério da Saúde sobre a atualização salarial dos clínicos em serviço de urgência, tendo saído da reunião com a tutela sem qualquer acordo.

Os sindicatos representativos dos médicos estiveram reunidos com a secretária de Estada da Saúde, Maria de Fátima Fonseca, para discutir um projeto de diploma sobre as matérias de remunerações em serviço de urgência.

Há uma nova reunião marcada para a próxima quarta-feira, dia 22.

O diploma sobre as remunerações dos clínicos em serviço de urgência foi uma das medidas que o Governo apresentou na sequência do encerramento de urgências de ginecologia e obstetrícia de hospitais de vários pontos do país nos últimos dias, por dificuldades em assegurar escalas de médicos.

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