REVISTA DE IMPRENSA | Apesar de uma redução de 26% nas reclamações dos utentes, mantêm-se problemas estruturais, incluindo atrasos nos pagamentos a fornecedores e dificuldades na ligação aos cuidados continuados
Dois anos após a chamada “grande reforma do SNS”, a avaliação da Entidade Reguladora da Saúde aponta melhorias na articulação entre cuidados de saúde primários e hospitalares, mas mantém um retrato marcado por desigualdades, falta de profissionais e tempos de espera elevados.
De acordo com o jornal Público, a análise às 39 unidades locais de saúde revela fortes assimetrias na distribuição de recursos. Enquanto algumas unidades apresentam rácios adequados de médicos e enfermeiros, outras enfrentam carências significativas, sobretudo no interior do país, onde há regiões com menos de 0,56 médicos por mil habitantes.
Também no acesso aos cuidados hospitalares persistem diferenças relevantes, uma vez que apenas uma pequena parte da população vive em zonas com elevado nível de acesso, enquanto em várias regiões periféricas mais de 40% dos residentes enfrentam limitações, associadas à distância e à capacidade instalada.
Nos tempos de resposta, há avanços em algumas unidades, mas continuam a verificar-se incumprimentos relevantes, tanto em cirurgias como em primeiras consultas, com várias regiões a ultrapassar largamente os prazos legais.
Apesar de uma redução de 26% nas reclamações dos utentes, mantêm-se problemas estruturais, incluindo atrasos nos pagamentos a fornecedores e dificuldades na ligação aos cuidados continuados.
Burocracia mantém utentes nos centros de saúde
Segundo a análise da Entidade Reguladora da Saúde, citada pelo Público, os gestores destacam como principais melhorias a melhor ligação entre centros de saúde e hospitais, com maior facilidade na marcação de consultas e apoio entre níveis de cuidados, bem como a redução da duplicação de exames.
Mais de metade das unidades reconhece também um aumento da realização interna de exames, sobretudo em áreas como análises clínicas e radiologia, reduzindo a dependência de entidades externas.
Ainda assim, persistem problemas. Muitos utentes continuam a deslocar-se aos centros de saúde para tratar de questões administrativas, como a emissão de baixas médicas ou pedidos de exames, devido a limitações tecnológicas e falhas na organização dos serviços.
O estudo aponta também dificuldades na interoperabilidade dos sistemas informáticos, falta de recursos humanos e uma cultura ainda segmentada entre cuidados hospitalares e primários.
Apesar de uma maior autonomia na gestão, nomeadamente na contratação e aquisição de recursos, as unidades referem que esta continua condicionada por autorizações centrais e processos burocráticos.
A ausência de balcões únicos em várias unidades impede ainda a marcação centralizada de consultas, vacinação ou outros atos, mantendo obstáculos no acesso simplificado aos serviços de saúde.
