REVISTA DE IMPRENSA | Hospitais privados continuam a fazer mais partos por cesariana do que normais ou com recurso a instrumentos de apoio, ainda assim, há um decréscimo
Em 2023, 63% dos partos realizados nos hospitais privados portugueses foram cesarianas, um valor que é o dobro do registado, no mesmo ano, nos hospitais públicos (32,5%). Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística(INE), citados esta segunda-feira pelo Público, há, no entanto, uma ligeira redução do número de cesarianas no privado, tendo baixado de 67% para 63% entre 2020 e 2023.
Só nesse ano de 2023. cerca de 81,5% dos partos realizados nos hospitais privados foram através de cesariana ou com recurso a instrumentos de apoio (como fórceps e ventosas.
Já no setor público, revelam os dados, há um aumento do número de partos cirúrgicos, que passou de 29,9% do total de 2020 para 32,5% em 2023.
Ao jornal, o médico Diogo Ayres de Campos, também presidente da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia (FSPOG), aponta o dedo a “falta iniciativa do Governo” para regulamentar os partos e diz que a situação atual dos hospitais públicos portugueses, sobretudo no que toca às maternidades ou serviços de Ginecologia e Obstetrícia, não ajuda: “Os encerramentos rotativos [das maternidades] que têm existido em Lisboa e Vale do Tejo ao longo dos últimos dois anos incentivam um aumento da taxa de cesarianas”, atira.