Trata-se de uma doença bacteriana com sintomas parecidos com os da gripe, mas a infeção é mais perigosa
A Direção-Geral da Saúde (DGS) garante à CNN Portugal que, até à data, “não existem casos notificados de doença meningocócica” com ligação à epidemia no Reino Unido. A DGS está a acompanhar a situação “dentro da monitorização permanente da situação epidemiológica na Europa e no mundo, mantendo, igualmente, uma comunicação de proximidade”. De qualquer maneira, a DGS admite um aumento da vigilância.
Em Portugal, uma das vacinas que combatem a doença - a MenACWY - foi introduzida no esquema geral recomendado do Programa Nacional de Vacinação aos 12 meses de idade, em substituição da vacina MenC. A norma publicada em março de 2025 anunciava outra alteração ao esquema vacinal: a manutenção da vacina MenB aos dois meses, quatro meses e um ano.
A estratégia de vacinação foi alterada para proteger as crianças contra mais serotipos da doença invasiva meningocócica e é esta a “principal medida de prevenção”, reforça a DGS, sublinhando a importância de se ser vacinado.
“A vacina contra o serogrupo B integra o Programa Nacional de Vacinação (PNV) desde 1 de outubro de 2020 e é recomendada para todas as crianças, num esquema de três doses.”
Contra os sorogrupos A, C, W e Y, a vacina é recomendada em dose única na altura em que a criança completa um ano de idade. Não existe, no entanto, “recomendação universal de vacinação contra o serogrupo B para adolescentes, jovens ou adultos”.
O que é a meningite - e os sintomas
A meningite é uma doença bacteriana cuja transmissão ocorre sobretudo por gotículas respiratórias, sendo que os sorogrupos B, C, W e Y são os mais frequentemente associados a doença invasiva.
Os sintomas são bastante semelhantes aos da gripe, mas a infeção é mais perigosa, podendo deixar sequelas graves ao nível do sistema nervoso e provocar a diminuição da capacidade auditiva ou surdez, por exemplo.
"Sem precedentes"
O Reino Unido está a enfrentar uma epidemia de meningite "sem precedentes" depois de ter sido detetado um surto na universidade britânica de Kent. A doença bacteriana já vitimou dois jovens estudantes e colocou outros 11 em estado grave, que receberam cuidados médicos e permanecem hospitalizados. Há 27 casos identificados no total e outros tantos sob investigação.
Apesar de a Agência de Segurança da Saúde Britânica ter notificado mais de 30 mil estudantes, funcionários e familiares para serem vacinados, os visados queixam-se de um alerta tardio e fazem filas para receber não só a vacina mas também antibióticos.