Testou positivo à covid-19? Seis respostas sobre o que fazer (e um alerta de proteção)

9 jan, 13:06
Centro de testagem contra a covid-19

Com a entrada em vigor de novas normas e com a variante Ómicron a continuar a fazer soar os alarmes da transmissibilidade, eis o que deve ter em conta nesta nova fase do novo coronavírus

Está infetado mas sente-se bem. Deve manter-se isolado?

Sim. Todas as pessoas infetadas com o SARS-CoV-2 - com ou sem sintomas - devem manter-se isoladas. No caso de assintomáticos ou com doença ligeira, a nova norma da Direcção-Geral da Saúde, que já está em vigor, determina um isolamento de sete dias, também válido para contactos de alto risco, que, disse Graça Freitas, “são aquelas que coabitam com uma pessoa doente”, mas que necessitam de fazer um teste para que o fim do isolamento seja determinado. Para quem desenvolve doença moderada o período de isolamento será de dez dias, de acordo com a norma agora atualizada. Já quem desenvolve doença grave ou tem problemas de imunodepressão o isolamento é de 20 dias.

As pessoas vacinadas que contactaram com infetados mas não são consideradas contactos de alto risco não têm de fazer isolamento. Isto quer dizer que, por exemplo, “um contacto positivo em ambiente de trabalho, desde que não seja coabitante, não determina o isolamento”, explicou António Costa. O mesmo com as crianças, que apenas precisam de ficar isoladas se coabitarem com uma pessoa infetada. As pessoas com a dose de reforço estão isentas do isolamento.

Agora que está infetado, é menos provável que seja reinfetado outra vez?

Não há certezas quanto a isso. A variante Ómicron - que já representa 92,5% dos novos casos de infeção em Portugal - veio provar que o risco de reinfeção está à mercê do próprio vírus e das variantes que dele surgem. Mas não só. “Sabemos que a reinfecção pode acontecer”, começou por dizer à CNN Portugal Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, que destaca que a variante Ómicron é ainda muito recente para se conseguir perceber que tipo de impulso dá a novas reinfeções em pessoas já infetadas duas vezes pelo SARS-CoV-2. 

A questão da eficácia dos anticorpos - adquiridos de forma natural pela infeção ou através da inoculação - tem sido questionada desde que a Ómicron passou a ser dominante em várias partes do mundo, mas os investigadores internacionais que identificaram anticorpos que têm capacidade de neutralizar a Ómicron explicam, num novo estudo, que o sotrovimab e cinco outros anticorpos pré-clínicos, desenvolvidos pela Vir em conjunto com a GlaxoSmithKline, mantiveram a sua atividade neutralizante in vitro contra a Ómicron.

Ser infetado com uma variante dá-lhe proteção contra outras?

Nem por isso, mas isso não quer dizer que seja necessariamente mau, pois, cada caso é um caso. “A imunidade que é conferida por uma infeção por outra variantes não quer dizer que seja eficaz para outra”, esclareceu o médico Ricardo Mexia. E a prova está no facto de muitas pessoas que foram infetadas com a variante Delta - dominante até ao final do ano passado - estão agora infetadas com a Ómicron, até mesmo depois de terem sido vacinadas, mas apresentando sintomas ligeiros ou até sem sintomas.

Mesmo que esta nova variante apresente características diferentes (mais contagiosa, mas menos agressiva para a saúde, pelo menos na fase aguda de infeção), a verdade é que veio mudar um pouco as regras do jogo e trazer uma nova onda de incerteza. Maria Van Kerkhove, líder técnica de resposta à covid-19 na Organização Mundial da Saúde (OMS), disse recentemente que a Ómicron “não será a última variante de preocupação” e que as variantes já existentes e aquelas que poderão ainda vir a existir “estão a competir e a evoluir”, o que torna difícil perceber qual será a resposta do sistema imunitário a cada uma delas. Porém, a epidemiologista defendeu que a vacinação e as medidas de proteção individual são fundamentais para travar as oportunidades de o vírus circular e originar novas estirpes, mais ou menos severas.

Se tiver covid sem estar vacinado, precisa tomar a vacina na mesma?

A decisão da toma da vacina é individual, mas não há nada que impeça a inoculação após uma infeção e a evidência é clara na proteção que a vacina dá contra o desenvolvimento de doença grave. O que é necessário é esperar três meses para tomar uma dose da vacina (as pessoas com imunossupressão fazem na mesma o esquema vacinal completo, com duas doses). 

No caso das crianças, uma vez que a infeção por SARS-CoV-2 pode causar algumas reações cardíacas inflamatórias, importa conversar primeiro com o médico de família ou pediatra antes da toma da vacina, não por estar em causa a sua segurança ou eficácia, mas porque há um período de tempo que deve ser respeitado entre a doença inflamatória e a inoculação.

Segundo o parecer divulgado pela Comissão Técnica de Vacinação contra a covid-19, a vacinação após uma miocardite “deve ser adiada pelo menos até à resolução completa do quadro clínico”. Também em caso MIS (síndrome inflamatória multissistémica, por infeção vírica ou por reação à vacina), qualquer pessoa - adulto ou criança - deve igualmente consultar um profissional de saúde, aconselha a médica cardiologista Maria João Baptista, defendendo que “esperar três meses” é a forma mais segura de evitar complicações ou efeitos indesejados. Este período de 90 dias é também defendido pela CTVC para os casos de MIS-C (síndrome inflamatória multissistémica em crianças).

Pode ficar com long covid depois de ser infetado com a Ómicron?

Mais uma vez, ainda não é certo. Embora pareça que a variante Ómicron existe desde sempre, a verdade é que surgiu pela primeira vez no final de 2021 e ainda não houve tempo e dados suficientes para traçar projeções. “Ainda temos pouco tempo de evolução, mas é perfeitamente plausível que continuem as sequelas da doença possam perdurar no tempo”, diz Ricardo Mexia.

Em declarações à CNN Portugal sobre a possibilidade de um cenário endémico em Portugal já em 2022, Elisabete Ramos, presidente da Sociedade Portuguesa de Epidemiologia, já tinha alertado para os eventuais riscos a longo prazo, que não pode ainda ser estimados decido ao pouco tempo de circulação desta nova variante. Para Elisabete Ramos, o facto de o vírus “circular de uma forma menos severa é ótimo para ativando esta imunidade”, mas deixou claro que apenas se está a olhar para os efeitos imediatos e a curto prazo. “Não conhecemos as consequências da infecção a longo prazo, como a long covid. Praticamente não sabemos nada sobre o longo prazo de quem tem situações assintomáticas e ligeiras”, alertou a epidemiologista.

Vai de férias depois de recuperar. Tem de fazer isolamento quando chegar?

Em primeiro lugar, perceber se o local de destino é considerado de risco ou não. De qualquer modo, à chegada a Portugal, todos os viajantes devem apresentar comprovativo de teste à covid-19 com resultado negativo antes do embarque (realizado nas últimas 72 horas ou 48 horas, aqui no caso do teste rápido de antigénio -TRAg) ou apresentar o Certificado Digital COVID da UE, que atesta o certificado de testagem ou recuperação, lê-se no site do Serviço Nacional de Saúde. As crianças até aos 12 anos estão dispensadas de fazer teste à chegada a Portugal. 

Quanto a eventuais isolamentos, “os passageiros provenientes de voos com origem ou que apresentem passaporte com registo de saída da África do Sul, Botsuana, Essuatíni, Lesoto, Namíbia e Zimbabué, nos 14 dias anteriores à sua chegada a Portugal continental, devem cumprir, após a entrada em Portugal continental, um período de isolamento profilático de 14 dias, no domicílio ou em local indicado pelas autoridades de saúde”, lê-se no site do Serviço Nacional de Saúde, que indica ainda que esta regra é também aplicável a quem entre em território nacional por via marítima ou terrestre.

No entanto, este isolamento pode terminar para os passageiros que tenham “um resultado negativo (TAAN ou teste rápido de antigénio) realizado ao terceiro dia da chegada a Portugal”. Além disso, diz o organismo, “estão isentos de cumprir isolamento profilático os passageiros que permaneçam em território de Portugal continental pelo período máximo de 48 horas”.

O alerta de proteção

À CNN Portugal, Ricardo Mexia deixa claro que “o risco”, seja de infeção ou de reinfeção, “depende sempre da exposição [da pessoa], independentemente da variante” em circulação. Os cuidados de higiene respiratória e as medidas de proteção individual, com impacto comunitário, são determinantes e, aqui, entra o uso de máscaras, ainda obrigatório em espaços fechados e aconselhado em ambientes abertos com uma grande aglomeração de pessoas. E há um tipo de máscaras que é mais eficaz a proteger contra o vírus.

A realização de autotestes antes de reuniões familiares ou encontros com amigos tem vindo a ser recomendada por vários especialistas, mas importa ter em conta que é necessário realizar o autoteste de forma correta para que o resultado seja o mais preciso possível.

Veja também o vídeo: "Ainda não é completamente seguro dizer que Ómicron é clinicamente mais leve", alerta Pedro Gomes de Sena, especialista em Medicina Geral e Familiar

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