Paciente com enfarte espera 36 horas nas urgências. "Os profissionais trabalham no limite da exaustão", diz FNAM

25 fev 2025, 21:11
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O caso remonta a 2023, mas FNAM alerta que as condições são as mesmas aos dias de hoje, pedindo medidas "preventivas" para que casos como estes não se voltem a repetir

O Ministério Público (MP) abriu um inquérito ao Hospital de Viana do Castelo depois de um homem ter estado 36 horas na urgência com um enfarte. O caso remonta a 2023, mas os sindicatos apontam o dedo à falta de recursos humanos, ainda hoje notória.

Para a presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), este episódio é o espelho de um SNS “depauperado”. Joana Bordalo e Sá lamenta “profundamente a situação”, que classifica como “angustiante para o paciente e também para os profissionais e saúde”, mas apressa-se a dizer que é preciso apurar exatamente o que aconteceu, como eram compostas as equipas clínicas nesse dia, de modo a perceber se houve falta de profissionais, algo que tem sido recorrente nas escalas de urgência em várias unidades de norte a sul do país. “É difícil trabalhar, no dia a dia, quando faltam recursos”, sejam recursos humanos ou logísticos, dando o exemplo da falta de um médico para acompanhar o paciente na ambulância na viagem entre o Hospital de Viana do Castelo e o Hospital de Braga. 

“Os profissionais trabalham no limite da exaustão por falta de recursos humanos”, diz a sindicalista, dizendo que, apesar de este caso remontar a 2023, cabe ao atual Ministério da Saúde “agir de forma preventiva”, para que não se repitam casos semelhantes. A CNN Portugal contactou o Sindicato Independente dos Médicos (SIM), mas não obteve resposta em tempo útil. 

Em causa está o caso relatado esta segunda-feira pela TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), que conta a história de um homem que esteve 36 horas na urgência do Hospital de Viana do Castelo com um enfarte. O paciente chegou com queixas físicas e suspeita de enfarte, mas foram-lhe dados analgésicos para dores musculares. O diagnóstico de enfarte demorou a chegar porque duas colheitas de sangue foram extraviadas e só lhe foi feito um eletrocardiograma 24 horas depois, quando chegou uma médica cardiologista. Como esta unidade hospitalar de Viana do Castelo não tem medicina de intervenção, a médica que o viu já no dia seguinte após ter chegado às urgências encaminha-o para o Hospital Braga, mas a viagem demorou três horas porque não havia médicos para o acompanhar, tendo ido apenas uma enfermeira com o paciente. Em Braga é-lhe feito um cateterismo a sangue-frio porque não havia tempo para anestesia.

O Ministério Público, junto do Tribunal de Viana do Castelo, instaurou um inquérito na sequência de queixa-crime apresentada pelo doente, tendo já requisitado o processo clínico e começado a ouvir testemunhas. A TVI contactou a Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), da qual o Hospital de Viana do Castelo pertence, mas apenas foi dito que “não se pronuncia sobre a situação clínica de um utente em particular, preservando e salvaguardando o seu direito à privacidade”.

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