Diretor de serviço de ginecologia e obstetrícia do Hospital Beatriz Ângelo admite que a situação se pode tornar cada vez mais difícil se o Governo não fizer cumprir o que ficou decidido que foi o Hospital de Vila Franca garantir 20% da escalas das equipas de médicos
A cerca de 60 horas da inauguração da primeira urgência regional de obstetrícia, que implica o fecho da urgência de Vila Franca de Xira, e a concentração de todos os casos graves no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, não há qualquer reforço de médicos para esta unidade que vai ficar responsável por uma população quase superior à que tinha.
Ou seja, segundo adiantou à CNN Portugal o diretor do serviço de ginecologia e obstetrícia do Hospital de Loures, Carlos Veríssimo, as escalas de urgência das próximas semanas e até meses não contam, até ao momento, com nenhum obstetra enviado por Vila Franca de Xira, como seria suposto. “Estou a fazer as escalas só com os obstetras de Loures, pois de Vila Franca não há”, diz, explicando que na realidade as escalas serão exatamente iguais às que foram feitas no último ano, apesar de o número de grávidas que se vão dirigir ao novo serviço regional ser muito maior.
A ideia desta e de outras urgências regionais de ginecologia e obstetrícia, com base no que foi anunciado pela Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, é a de concentrar os meios de duas ou mais unidades de saúde num só hospital, partilhando os profissionais, para garantir a assistência às grávidas.
E segundo garantiu esta semana o diretor executivo do SNS, Álvaro de Almeida, nesta primeira urgência regional de obstetrícia 80% das escalas seriam asseguradas pelo Hospital de Loures e 20% pelo Hospital de Vila Franca de Xira (que continua a ter médicos e partos programados). Mas até ao momento, sabe a CNN Portugal, esta unidade de saúde apenas se comprometeu a partilhar com Loures cinco enfermeiros especialistas em saúde materno e obstétrica.
De resto, todos os elementos da equipa terão, neste momento, de ser assegurados pelas equipas do Beatriz Ângelo. E não só em relação aos obstetras. Loures também não conta com mais anestesistas e neonatologistas enviados por Vila Franca de Xira.
“Temos receio que nos pese um grande aumento de movimento sem que exista um reforço da equipa como está previsto na norma, que estipula que 20% assegurado por Vila Franca de Xira, pois não podemos ir muito mais além do que já vamos”, admite Carlos Veríssimo, lembrando que nos últimos tempos já recebiam muitas grávidas de Vila Franca de Xira, que estava constantemente com a urgência de grávidas encerrada.
Mas, agora, ao ser oficial este fecho, os médicos de Loures temem que se assista a um aumento muito grande de utentes, o que pode colocar muito pressão no serviço que já vive muitas dias no limite. Este sábado 14 de março, por exemplo, estão escalados apenas três médicos para Loures, sendo que menos um obrigaria ao fecho do serviço, pelas normas da Ordem dos Médicos.
Foi perante este cenário que a ministra da Saúde admitiu esta semana que pode ser necessário recorrer aos médicos tarefeiros. Caso contrário nada garante que a nova urgência regional consiga funcionar em Loures sem correr o risco de ter de encerrar algum dos 365 dias do ano por falta de profissionais.
Na próxima segunda-feira, dia 16 de março, logo pela manhã arranca, assim, a primeira urgência de obstetrícia em Loures, enquanto Ana Paula Martins reúne com os autarcas dos cinco concelhos cujas grávidas recorriam até agora à urgência do Hospital de Vila Franca de Xira, que encerra as suas portas.