Acompanhamento de doentes crónicos vai piorar até 2027
O acompanhamento dos doentes crónicos - que inclui patologias como diabetes, hipertensão arterial e doenças respiratórias - vai sofrer uma deterioração de 1% até 2027. A previsão consta de um despacho conjunto dos ministros das Finanças e da Saúde, de novembro do ano passado, que aprovou o quadro global de referência para a evolução do Serviço Nacional de Saúde (SNS) até 2027. Este índice mede a qualidade da assistência a estes doentes, baseado em indicadores de seguimento, monitorização e controlo.
Os médicos estão chocados com esta confissão. “Para os doentes crónicos é péssimo, não podia haver pior notícia”, reage Cristina Gavina, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia. “Aquilo que estão a fazer chama-se empobrecimento. Esquecem-se que a mortalidade vem da doença crónica”, lamenta José Manuel Boavida, presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal. “Não podemos aceitar de ânimo leve que o Governo deite a toalha ao chão e desista de melhorar o SNS”, afirma Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.
Sem ambição nem Orçamento
O despacho assinado por Joaquim Sarmento e Ana Paula Martins mostra que o Governo desistiu de melhorar os indicadores de produtividade do SNS, preferindo antes privilegiar o controlo da despesa. A Ordem dos Médicos e da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares transmitiram à CNN Portugal repúdio pelos cortes orçamentais, assim como pelo congelamento de contratações no SNS.
Os problemas mais críticos são para deixar como estão. Desde logo, a percentagem de portugueses sem médico de família será em 2027 exatamente a mesma do que era quando o Luís Montenegro tomou pela primeira vez posse como primeiro-ministro, completam-se este mês três anos. As consultas médicas sobem de 47,1 para 48,1 milhões entre 2024 e o próximo ano. Contudo, com o aumento da procura, a lista de espera para uma consulta fora dos tempos máximos previstos na lei, não melhora - e até se agrava ligeiramente (0,1%). A produção cirúrgica cresce um pouco mais (3%/ano), o que será insuficiente para resolver as listas de espera.
No conjunto, os indicadores apontam para uma estratégia assente em melhorias graduais e pequenos ganhos de eficiência, mas sem metas ambiciosas de reforço significativo da capacidade instalada ou de resolução dos graves problemas de acesso dos portugueses ao SNS.