DGS não tem datas previstas para a dose de reforço abaixo dos 65 anos

22 nov, 17:34
Vacinação dos jovens dos 12 aos 15 anos
Vacinação dos jovens dos 12 aos 15 anos

Estão elegíveis para a dose de reforço mais 1,8 milhões de pessoas, entre os quais recuperados da covid-19 que tomaram apenas uma dose da vacina e utentes que foram vacinados com a Janssen

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A Direção-Geral da Saúde (DGS) introduziu, na passada quinta-feira, dia 18 de novembro, três alterações à sua estratégia de vacinação contra a covid-19 em Portugal, que têm como objetivo “vacinar mais pessoas, mais precocemente”. No entanto, não tem datas previstas para a dose dose de reforço abaixo dos 65 anos.

Com esta nova norma, além da população com idade igual ou superior a 65 anos, profissionais de saúde e do setor social, e dos bombeiros que transportam doentes, passaram a estar elegíveis para a dose de reforço mais 1,8 milhões de pessoas, entre os quais recuperados da covid-19 que tomaram apenas uma dose da vacina e utentes que foram vacinados com a Janssen. Este aumento deve-se ainda ao encurtamento do prazo de intervalo entre a segunda e terceira dose de reforço de 180 para 150 dias para a população elegível, o que significa que, a partir de agora, o reforço poderá ser tomado entre cinco a seis meses após a toma da segunda dose.

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Na conferência de imprensa do mesmo dia, a diretora-geral da DGS, Graça Freitas, reiterou o seu objetivo de vacinar 1,5 milhões de pessoas até dezembro, descrevendo-o como “um desígnio nacional”.

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Perante a atualização da estratégia de vacinação, que aumenta o número de pessoas elegíveis à toma da dose de reforço para mais do dobro, o secretário de Estado Adjunto da Saúde, António Lacerda Sales, garantiu que o Governo irá reforçar os meios que tem ao dispor para dar continuidade ao processo de vacinação.

"Vão ser necessários, com certeza, mais reforços. Com a duplicação do número de elegíveis temos de reprogramar em termos logísticos, de meios e de planeamento", disse aos jornalistas, esta segunda-feira.

De acordo com Lacerda Sales, este reforço, que incluirá não só recursos humanos, como também recursos logísticos, será feito “ainda esta semana, garantidamente”.

Vacinação de menores de 65 anos não está prevista até ao final do ano

A DGS ainda não anunciou quais serão as datas em que se inicia este novo regime de vacinação, e, de acordo com o comentador da TVI Paulo Portas, a organização “não prevê até ao fim do ano nenhuma vacinação abaixo dos 65 anos”. No seu habitual comentário semanal, Paulo Portas referiu mesmo que não está prevista a dose de reforço aos utentes com menos de 65 anos que foram vacinados com a vacina de toma única da Janssen.

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“Neste momento, tirando as pessoas que tomaram a Janssen com mais de 65 anos - que é um grupo relativamente pequeno, porque a Janssen chegou mais tarde e apanhou sobretudo pessoas com menos idade - também não está previsto nada antes de 2022”, acrescentou o comentador da TVI, no programa Global.

De acordo com Paulo Portas, este não é um problema de ‘stock’ de vacinas, uma vez que Portugal tem, neste momento, “3,7 milhões de vacinas para poder dar na terceira dose” - é um “problema de vontade, lucidez, prudência e organização”.

Contactado pela CNN Portugal quanto a uma eventual data para o início da vacinação com a dose de reforço à população com idade inferior a 65 anos, o epidemiologista Manuel Carmo Gomes, que integra a Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19 (CTVC), disse não estar prevista “nenhuma data” nesse sentido.

“Para já, a grande prioridade é vacinar rapidamente as pessoas acima dos 65 anos, e depois vamos ver como está a situação epidemiológica, porque essas decisões são tomadas em função da situação que estivermos a viver”, explicou o especialista, lembrando que o Conselho de Ministros reunir-se-á nesta quinta-feira, uma reunião da qual espera novas medidas de resposta ao aumento da incidência da covid-19.

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“Vamos aguardar as medidas do Conselho de Ministros, eu penso que certamente haverá medidas (...) que terão algum impacto na incidência da doença. Entretanto, já teremos um bom avanço [na vacinação] nos maiores de 65 anos, e aí tomar-se-à a decisão”, acrescentou.

Vacinação de crianças em Portugal espera por parecer da EMA

Na passada sexta-feira, 19 de novembro, o Governo reuniu-se com os peritos no Infarmed para fazer um balanço da situação da pandemia em Portugal. Na reunião, Henrique Barros, epidemiologista do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, aconselhou a vacinação das crianças, assim que as autoridades de saúde aprovarem os fármacos para os mais novos. 

As declarações do especialista surgem numa altura em que Portugal apresenta uma “tendência crescente” da incidência da covid-19, sobretudo nas crianças com menos de 9 anos, seguindo-se a população dos 20 aos 39 anos.

Esta semana, a Agência Europeia do Medicamento (EMA) deverá emitir um parecer acerca da vacinação contra a covid-19 em crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 11 anos.

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Questionado pela CNN Portugal, o epidemiologista Manuel Carmo Gomes disse ter “dúvidas” quanto a uma “recomendação” do regulador europeu nesse sentido.

“Eu tenho dúvidas que a EMA recomende essa vacinação. Quando muito, considerará que é seguro, eficaz, ou não, mas recomendar não acredito que o faça”, admitiu o especialista, acrescentando que é provável que a EMA deixe esta decisão “ao critério dos vários países”.

Para o professor de epidemiologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, uma decisão desta natureza “tem de passar primeiro por uma avaliação de benefício-risco”.

“Esperamos que os benefícios superem largamente os riscos”, vincou o especialista, garantindo que a CTCV fará “o melhor possível” para ter a informação certa quanto aos riscos e benefícios associados à vacinação em crianças antes de emitir um parecer nesse sentido.

Vacinação deve ser "útil" para as crianças, defende especialista

O investigador Miguel Castanho, do Instituto de Medicina Molecular (IMM), explicou à CNN Portugal que a ponderação quanto à vacinação das crianças contra a covid-19 deve assentar no princípio de que “não se recomenda a ninguém uma vacina ou um medicamento que não sejam do interesse do próprio”.

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“As vacinas atuais são sobretudo eficazes para prevenir doença grave. Sabemos que as crianças não adoecem facilmente com a covid-19, (...) portanto, a grande vantagem da vacina não está associada a uma vantagem para as crianças”, explicou o especialista.

Por isso, para Miguel Castanho, a “questão fulcral” que deve estar em cima da mesa de discussão é se a vacina é útil para as crianças - uma questão que “é bastante difícil de responder”, uma vez que “não há ainda um corpo de evidência que seja muito sólido a favor da vacinação em crianças”.

Por sua vez, Manuel Carmo Gomes salientou que as vacinas não só evitam a doença grave, como também conferem “alguma proteção” contra a infeção, e, por essa razão, o epidemiologista diz estar “convencido de que as crianças, se tomarem a vacina, ficam durante alguns meses com uma boa proteção também contra infeção”.

O especialista justifica esta certeza tendo em conta o período de tempo em que as pessoas que foram vacinadas contra a covid-19 estiveram “protegidas contra a infeção com eficácia elevada. “

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“Não tão elevada como a proteção contra doença grave, mas estamos a falar de uma proteção na ordem dos 70% no período seguinte à toma da vacina. Depois essa eficácia vai decaindo, mas isso não significa que não houve algum grau de proteção”, explicou.

Carmo Gomes adiantou que, assim que a EMA submeter o seu parecer em relação à vacinação das crianças contra a covid-19, a CTVC “apreciará” o assunto e “emitirá o seu parecer à DGS”, sem precisar datas.

A CNN Portugal tentou entrar em contacto com a Comissão Técnica de Vacinação contra a Covid-19, mas, até ao momento, ainda não obteve resposta.

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