Urgências de cirurgia em Póvoa de Varzim encerradas por falta de médicos

4 dez 2021, 00:04
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Lino Navio, médico cirurgião do Centro Hospitalar de Póvoa de Varzim, revela que os médicos daquele centro hospitalar já "ultrapassaram, em larga medida, as 150 horas extraordinárias" de limite máximo anual de trabalho na função pública e no setor privado

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As urgências de cirurgia do Centro Hospitalar de Póvoa de Varzim estarão encerradas por 15 períodos de 12 horas no mês de dezembro por falta de médicos, disse à CNN Portugal fonte hospitalar.

A situação foi denunciada esta sexta-feira pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM) que, em comunicado, revelou que as urgências de cirurgia daquele centro hospitalar estarão encerradas durante "15 períodos de 12 horas" neste mês de dezembro,"incluindo três dias completos".

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Questionado pela CNN Portugal, Hugo Cadavez, secretário regional do SIM Norte, confirmou que a partir das 22h00 desta sexta-feira não havia urgência naquele centro hospitalar. "A escala foi preparada apenas no dia 1 [de dezembro] e não tem ninguém escalado para hoje [ontem] a partir das 22h00", afirmou o médico, acrescentando que esta situação "deverá manter-se, pelo menos, até ao final de dezembro". 

Lino Navio, médico cirurgião daquele centro hospitalar, explicou à CNN Portugal que em causa está a "insatisfação" salarial dos médicos prestadores de serviços de cirurgia, que garantiram, num e-mail enviado "atempadamente" ao Conselho da Administração, que, caso a situação não se resolvesse, deixariam de prestar serviço.

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Além disso, acrescentou Lino Navio, os médicos do hospital já "ultrapassaram, em larga medida, as 150 horas extraordinárias" de limite máximo anual de trabalho na função pública e no setor privado.

"Apesar de tudo, os médicos têm-se esforçado e aguentado. Mas chega a uma altura em que não dá mais, o pessoal [médico] está extremamente cansado", frisou o médico cirurgião, acrescentando que, apesar do encerramento do serviço de urgências de cirurgia, estará disponível "um médico que irá assegurar a urgência interna durante esses 15 períodos".

Os utentes que necessitarem destes serviços serão encaminhados para o Hospital Pedro Hispano, indicou Lino Navio.

Em comunicado enviado esta sexta-feira, o SIM descreveu o atual momento do Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde como um "ponto de rotura", lamentando que o conselho de administração não tenha "qualquer iniciativa" para resolver o problema.

"Vai estar assegurada apenas a urgência interna, que incluirá médicos que já estavam dispensados da prestação de trabalho em serviço de urgência por terem atingido o limite de idade", explica o sindicato. Por não poderem assegurar em simultâneo a urgência externa, estes profissionais deverão apresentar "minutas de exclusão de responsabilidade por falta de meios humanos suficientes e adequados".

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A urgência de cirurgia deste centro hospitalar serve uma população com mais de 150 mil habitantes, nos concelhos de Póvoa de Varzim e Vila do Conde, assim como freguesias de municípios vizinhos.

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