As infeções nos dentes e nas gengivas podem aumentar o risco de enfarte do miocárdio e de outros problemas cardiovasculares, alertaram os especialistas reunidos no 7.º Congresso Internacional de Medicina Integrativa, no Porto
As infeções nos dentes e nas gengivas representam um risco acrescido de enfarte do miocárdio e de outras doenças cardiovasculares. Essa foi uma das grandes conclusões do 7º Congresso Internacional de Medicina Integrativa, que reuniu no Porto 1.500 médicos e terapeutas, de 32 países. Entre eles, 200 médicos dentistas.
“O congresso lançou um apelo para a tomada de consciência da sociedade em relação ao impacto das infeções da cavidade bucal na saúde sistémica, podendo até espoletar doenças cardiovasculares, como enfartes e acidentes vasculares cerebrais”, declara a médica Ana Moreira, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Integrativa, entidade organizadora.
A relação é sustentada por evidência científica e passa, sobretudo, por mecanismos inflamatórios e pela disseminação de bactérias da cavidade oral para a corrente sanguínea. “As infeções da cavidade bocal aumentam o risco de enfarte do miocárdio. Os problemas cardiovasculares estão muito associados às bactérias que existem na boca”, afirma José Figueiredo, médico dentista.
A ligação é reconhecida também pela medicina convencional. “A boca não está isolada do corpo. Quando existe uma infeção dentária, as bactérias podem entrar no sistema sanguíneo e chegar ao coração”, explica Ana Mexia, médica dentista. A especialista faz uma distinção essencial: “Não se pode afirmar que uma pessoa com periodontite vai ter um enfarte, mas está demonstrada uma maior prevalência de doenças cardiovasculares em doentes com patologia gengival.”
A evidência é corroborada por estudos internacionais. Uma declaração científica da American Heart Association identifica a doença periodontal como um factor associado ao aumento do risco cardiovascular. Uma meta-análise publicada no Journal of Clinical Periodontology conclui que a periodontite está ligada a uma maior incidência de eventos cardíacos